Tarifa em Debate: A Resposta de Trump à Suprema Corte
O presidente Donald Trump não está em busca de uma terminologia mais palatável para suas tarifas, mas sim reafirmando sua posição em relação a elas. Diante da recente decisão da Suprema Corte, que declarou ilegal o uso de seus poderes de emergência na guerra comercial, Trump parece determinado a não aceitar essa derrota. Em um discurso agendado para o dia 24, ele anunciou a intenção de aumentar as tarifas sobre as importações, uma resposta à sua mais significativa frustracão em seu segundo mandato. Por outro lado, muitos republicanos preferem que o presidente ajuste sua estratégia, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.
Riscos Políticos e Econômicos
Essa intransigência apresenta riscos significativos não apenas para Trump, mas também para seu partido, em um momento de incerteza econômica. A resistência do presidente deixa o caminho aberto para novos ataques por parte dos democratas, que já começaram a se mobilizar. Trump permanece convicto de que as tarifas trarão prosperidade ao país, mesmo que isso resulte em um aumento do custo de vida para milhões de cidadãos americanos.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, comentou a respeito da decisão da Suprema Corte, afirmando que o presidente não pode utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA, na sigla em inglês) para implementar novas tarifas. No entanto, ele ressaltou que Trump ainda possui outras autoridades para agir.
Bessent, em uma aparição no programa "State of the Union," indicou que o presidente planeja aumentar as tarifas através do uso de diferentes leis, como uma forma de provisão temporária até a adoção de um novo regime tarifário mais permanente.
O Esforço dos Democratas
O senador democrata Andy Kim mencionou que seu partido está desenvolvendo uma legislação que exigirá que Trump reembolse os consumidores pelos custos adicionais decorrentes das tarifas, marcando o início de uma sequência de iniciativas que visam constranger o presidente e complicar a vida dos legisladores republicanos.
Motivos da Persistência de Trump nas Tarifas
Trump mantém sua defesa das tarifas por duas razões fundamentais. Primeiro, ele acredita firmemente que elas são efetivas, a ponto de desconsiderar evidências que demonstram que resultam em um aumento de custos para os consumidores e não produzem os efeitos econômicos desejados. O presidente atribui sua visão protecionista à destruição da globalização nas regiões industriais, onde conquistou uma base sólida de apoio eleitoral.
Na última sexta-feira, Trump declarou que utilizou tarifas com sucesso no último ano para "tornar a América grande novamente", mesmo diante de dados que apresentam um déficit comercial persistente e um declínio de empregos no setor industrial.
A segunda razão pela qual Trump se recusa a abrir mão das tarifas está relacionada ao desejo de consolidar sua autoridade presidencial. Ele parece rejeitar a divisão de poderes prevista na Constituição, evidenciada em sua resposta quando questionado sobre a possibilidade de trabalhar com o Congresso para implementar novas tarifas. “Não preciso fazer isso. Tenho o direito de aplicar tarifas”, afirmou.
Trump tem exercido um uso mais amplo das tarifas do que qualquer outro presidente recente, utilizando essas medidas não apenas para questões comerciais. Em situações em que um país estrangeiro se torna um alvo de sua insatisfação, ele impõe tarifas, como demonstrado ao Brasil, que sofreu uma tarifa de 50% após investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, tarifas foram elevadas para a Suíça após um descontentamento com a maneira como seu líder se dirigiu a ele.
Entretanto, a aplicação do poder tarifário pode se tornar mais desafiadora no futuro. As alternativas que o presidente pretende utilizar para manter as tarifas estão sujeitas a requisitos de conformidade e têm limitações que podem restringir sua capacidade de agir de forma unilateral.
A Visão Transacional de Trump
Trump possui uma visão muito pragmática em sua abordagem política. Ele enxerga as limitações impostas sobre sua autoridade tarifária como uma fraqueza dos Estados Unidos em relação a países que considera exploradores da economia mundial. A decisão da Suprema Corte pode prejudicar sua estratégia comercial antes de encontros planejados com o líder chinês, Xi Jinping.
Em suas declarações, Trump expressou sua preocupação com possíveis reações de países estrangeiros, afirmando que aqueles que historicamente exploraram os Estados Unidos estão satisfatórios com a decisão da Corte. “Os países estrangeiros que vêm nos explorando há anos estão em êxtase, estão muito felizes e estão dançando nas ruas, mas não vão dançar por muito tempo — isso eu posso garantir”, disse o presidente.
Alternativas Legais e Suas Implicações
Em comentários feitos na CNN, Bessent elucidou que o governo irá responder à perda dos poderes de emergência por meio de outros instrumentos legais. Isso inclui a imposição de tarifas justificadas por questões de segurança nacional, denominadas tarifas da Seção 232, e aquelas que visam nações por práticas comerciais desleais, conhecidas como tarifas da Seção 301.
Contudo, Bessent evitou esclarecer se o governo deverá reembolsar empresas e consumidores que foram prejudicados pelas tarifas elevadas, que na prática funcionam como um imposto. Ele indicou que essa questão deve ser decidida pelo tribunal de primeira instância, refletindo um posicionamento que, embora possa ser juridicamente sustentável, se apresenta como um risco político considerável.
“Este governo tirou dinheiro do bolso das famílias americanas, mais de US$ 1.700 por família. Eles deveriam devolvê-lo”, afirmou Kim à CNN, ressaltando que a proposta legislativa para reembolsar o povo americano está em andamento.
Após a decisão da Suprema Corte, Trump rapidamente implementou uma tarifa global de 10% sobre todos os produtos, que foi posteriormente elevada para 15%, utilizando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Para prolongar essa ação além de 150 dias, no entanto, seria necessária a aprovação do Congresso, e poucos legisladores republicanos estariam dispostos a votar sobre uma questão que, segundo pesquisas, é amplamente impopular.
Uma alternativa a longo prazo para o governo seria utilizar a legislação de 1930 conhecida como Smoot-Hawley para implementar novas tarifas; no entanto, isso provavelmente resultaria em desafios jurídicos, já que muitas autoridades acreditam que legislação subsequente do Congresso teria substituído tais poderes.
Invocar uma lei notória, que é amplamente responsabilizada por ter agravado a Grande Depressão, pode se revelar uma estratégia politicamente insensata em um momento em que a insatisfação dos eleitores em relação à economia é notável.
Tensão Interna no Partido Republicano
Trump já enfrentou resistência interna dentro do Partido Republicano em relação às tarifas. Com a conclusão da temporada de primárias, a pressão sobre cada voto relacionado ao tema se intensificará. Com menos influência após as primárias, o presidente poderá encontrar mais dificuldades em persuadir os legisladores rebeldes. Por exemplo, o deputado Jeff Hurd, do Colorado, alinha-se com os democratas ao votar contrariamente às tarifas impostas ao Canadá, defendendo que elas prejudicam tanto os eleitores quanto a indústria em sua região.
Os críticos argumentam que as tarifas estão causando danos significativos, gerando pouco em termos de benefícios. No entanto, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, defendeu a posição de Trump, afirmando que ele herdou uma emergência e que já havia transformado o cenário comercial global.
Análise de Gavin Newsom
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, que pode se candidatar à presidência em 2028, expressou suas preocupações com as políticas de Trump. Ele criticou a administração ao afirmar que a presidência está "destruindo a economia" e que a estratégia do presidente se baseia em políticas de deportação em massa, cortes de impostos para os mais ricos e tarifas.
Newsom descreveu a abordagem de Trump como "destrutiva," indicando que ele está "se debatendo." “Ele é um boxeador atordoado, tentando acertar qualquer coisa”, disse o governador, sugerindo que o presidente está perdendo o controle.
Contudo, é improvável que Trump mude sua postura, pois isso exigiria que ele abandonasse suas crenças fundamentais sobre poder e liderança. Ele destaca que ações anteriores de presidentes deixaram os Estados Unidos vulneráveis à exploração econômica, enfatizando que sua abordagem é necessária para reverter essa tendência.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


