Aumento Sustentado nos Preços do Petróleo
De acordo com os analistas do Goldman Sachs, as recentes tensões no Oriente Médio devem beneficiar dois dos gigantes do petróleo da China. O conflito no Irã efetivamente interrompeu o transporte através do Estreito de Ormuz na última semana. Normalmente, cerca de 20% dos líquidos de petróleo global passam por esse estreito, enviando principalmente petróleo cru para países asiáticos.
Impacto no Mercado do Petróleo
As restrições e a incerteza na oferta resultaram em um aumento significativo nos futuros do petróleo Brent, que subiu 28% na semana passada, marcando o maior ganho semanal desde abril de 2020. O petróleo cru dos EUA registrou também seu maior ganho semanal na história do contrato futuro, que remonta a 1983. O preço do Brent, que fechou na sexta-feira a $92,69 por barril, pode alcançar a marca de $100 por barril se os fluxos pelo Estreito de Ormuz caírem em 50% em um único mês e continuarem 10% abaixo do normal por mais 11 meses, segundo o relatório dos analistas de energia da Goldman Sachs na região da Ásia-Pacífico, datado de 2 de março.
Os analistas ainda afirmaram que, mesmo com o preço do Brent variando entre $80 e $90 por barril, o fluxo de caixa livre anual das empresas listadas em Hong Kong, China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) e PetroChina, poderia aumentar em mais de 10%. O Goldman Sachs recomenda a compra de ambas as ações.
Desempenho das Ações
Até o meio-dia de 2 de março, a empresa estava prevendo um preço médio do Brent de $70 por barril. As ações da CNOOC e da PetroChina atingiram máximas de 52 semanas em 3 de março, mas sofreram uma leve queda nas negociações de final de semana. A CNOOC tem suas raízes na exploração e produção de petróleo em alto-mar, enquanto a PetroChina possui um modelo de negócios mais voltado para operações domésticas, incluindo refinamento e distribuição. Juntas, essas companhias representam dois dos três gigantes estatais do petróleo da China.
Os analistas do Goldman Sachs expressaram uma opinião menos favorável sobre o terceiro gigante estatal do petróleo, a Sinopec, que é conhecida por ser o maior refinador do mundo e que, no ano passado, tornou-se também o maior produtor de produtos químicos. As ações da Sinopec também atingiram uma máxima de 52 semanas em 3 de março.
Desafios para Refinarias Chinesas
Os analistas do Goldman Sachs afirmaram: "Para refinarias chinesas como a Sinopec, considerando que o mecanismo de cálculo do teto de produtos domésticos não leva em conta aumentos nas taxas de frete internacionais ou preços de venda oficiais, vemos que o impacto líquido é tendencialmente negativo". Vale lembrar que a China é o maior importador de petróleo bruto do mundo, embora o país ainda dependa de uma produção significativa de carvão nacional para suas necessidades energéticas totais e esteja tentando diversificar suas fontes de energia com renováveis.
Restrições em Exportações
Em meio ao conflito no Irã, a China supostamente ordenou que os maiores refinadores de petróleo estatais suspendessem as exportações de diesel e gasolina, com receio de que o conflito em curso pudesse dificultar o acesso à energia. As importações de petróleo bruto transportadas pelo Estreito de Ormuz representam 6,6% do consumo energético total da China, conforme informou Ting Lu, economista-chefe da Nomura para a China. As importações de gás natural pelo estreito são responsáveis por 0,6% das necessidades energéticas gerais do país, de acordo com ele.
Situação para Investidores Norte-Americanos
No que diz respeito aos investidores dos Estados Unidos, o Departamento do Tesouro restringiu a compra de ações da CNOOC desde 2021. Contudo, as ações da PetroChina não enfrentam as mesmas regras. Em termos gerais, as avaliações das empresas de upstream na Ásia — incluindo PetroChina, CNOOC, a indiana ONGC e a tailandesa PTTEP — "ainda permanecem relativamente descontadas em comparação com pares dos mercados desenvolvidos, mesmo após o recente rali", afirmaram os analistas da Goldman Sachs, mencionando a performance de rivais como ConocoPhillips, BP, Chevron e Exxon Mobil.
Fonte: www.cnbc.com


