Situação Atual da OpenAI e Desafios no Setor de Dados
Desafios nos Centros de Dados
Sam Altman, CEO da OpenAI Inc., levantou questões importantes durante o U.S. Infrastructure Summit da BlackRock, ocorrido em Washington, D.C. Ele reconheceu que a empresa enfrenta desafios significativos no que diz respeito à operação de seus centros de dados. “Em tudo que diz respeito a esse nível, muitas coisas podem dar errado”, comentou Altman durante uma conversa no evento.
Ele trouxe à tona um exemplo de um evento climático severo em um campus de data center localizado em Abilene, Texas, que temporariamente "colapsou as operações". Esse local atua como a principal instalação da OpenAI, além de ser parte do projeto Stargate, de US$ 500 bilhões, desenvolvido em parceria com a Oracle e a SoftBank. Altman também mencionou que a empresa está lidando com desafios na cadeia de suprimentos e a pressão associada à necessidade de cumprir prazos apertados.
Estratégia de Acompanhamento do Mercado
Altman está sob pressão para transformar a OpenAI, que foi avaliada em US$ 730 bilhões durante uma rodada de financiamento recorde no mês passado, de uma favorita do mercado privado em um ativo que possa ser considerado por gestores de fundos do mercado público com maior critério. Isso resultou em uma revisão de suas ambições de gastos, adiando projetos grandiosos e aceitando o papel da OpenAI como proprietária de grandes quantidades de capacidade em nuvem, em vez de construtora de enormes data centers.
Daniel Newman, CEO do Futurum Group, comentou sobre essa mudança de estratégia, afirmando que o mercado deseja ver um fluxo de receitas da OpenAI que justifique os altos gastos. "A virada, em minha opinião, foi tentar demonstrar um pouco mais de responsabilidade fiscal", disse ele em uma entrevista à CNBC.
Concorrência e Recursos Computacionais
A nova abordagem significa que a OpenAI poderá precisar se contentar em fazer menos enquanto compete com empresas como a Anthropic, Google e várias outras que estão desenvolvendo modelos, aplicativos e funcionalidades de inteligência artificial. A OpenAI treina e opera modelos de IA que requerem enormes quantidades de recursos computacionais, como chips, poder de processamento, memória e energia. Altman e outros executivos da OpenAI têm enfatizado por anos que a disponibilidade computacional é um gargalo significativo para a empresa, que levantou quantias exorbitantes de capital, incluindo US$ 110 bilhões, sendo US$ 50 bilhões provenientes da Amazon.
Em uma postagem publicada em novembro no X, Altman destacou que a OpenAI e outras empresas "precisam limitar a taxa de nossos produtos e não oferecer novas funcionalidades e modelos devido a uma grave restrição computacional".
Negócios em Expansão e Compromissos Futuramente
Até aquele momento, o grande destaque para a OpenAI no ano anterior foi a busca intensiva de Altman por capacidade computacional. A empresa firmou uma série de acordos bilionários de infraestrutura com empresas como Nvidia, Advanced Micro Devices e Broadcom. Em sua postagem de novembro, Altman mencionou que a OpenAI estava considerando compromissos de aproximadamente US$ 1,4 trilhões ao longo dos próximos oito anos.
Esses acordos geraram preocupações nos mercados públicos, acendendo receios sobre a possibilidade de uma bolha no setor de IA e fazendo com que muitos investidores questionassem como a OpenAI conseguiria arcar com tais compromissos, considerando que teve uma receita de US$ 13,1 bilhões no ano.
A parceria mais significativa anunciada pela OpenAI foi com a Nvidia. A fabricante de chips, atualmente a empresa mais valiosa do mundo, concordou em setembro em investir até US$ 100 bilhões na startup ao longo de vários anos, com a alocação de capital atrelada à construção e utilização da tecnologia da Nvidia pela OpenAI. A OpenAI afirmou que pretendia implementar pelo menos 10 gigawatts de sistemas da Nvidia, com os primeiros US$ 10 bilhões de investimento previstos para chegar juntamente com a conclusão do primeiro gigawatt, uma unidade de energia que é comparável ao consumo elétrico de uma cidade de porte médio.
O comunicado de imprensa assegurou que a parceria "permite à OpenAI construir e implantar pelo menos 10 gigawatts de data centers de IA".
Expectativas e Reavaliações
Analistas ressaltaram que o acordo lembrava o financiamento de fornecedores que impulsionou a bolha da internet no final dos anos 1990. Enquanto isso, Altman minimizou reiteradas vezes as preocupações sobre os planos de infraestrutura ambiciosos da OpenAI, sugerindo que as receitas poderiam crescer para centenas de bilhões até 2030.
Entretanto, nos últimos meses, à medida que a empresa se prepara para um potencial IPO ainda este ano, a OpenAI moderou suas expectativas e delineou uma estratégia mais cautelosa. Em fevereiro, a empresa informou aos investidores que agora está mirando em aproximadamente US$ 600 bilhões em gastos totais com computação até 2030, uma cifra que busca alinhar-se mais diretamente com o esperado crescimento da receita.
A OpenAI também tem enfatizado disciplina em outras áreas de seu negócio. Em dezembro, a empresa declarou "alerta vermelho" para focar na melhoria de seu chatbot ChatGPT, diante da crescente concorrência vinda de Google e Anthropic.
Fidji Simo, CEO de aplicações da OpenAI, realizou uma reunião com todos os funcionários recentemente sobre o negócio empresarial, afirmando que a empresa está "se orientando agressivamente" para casos de uso de produtividade elevada. "O que realmente importa para nós neste momento é manter o foco e executar com excelência", disse Simo, segundo um trecho parcial da reunião.
Direção Futuramente Incerta
Atualmente, a OpenAI não possui data centers, e pode não vir a possuí-los em um futuro próximo, de acordo com fontes que desejam permanecer anônimas devido à impossibilidade de comentar publicamente. Em vez disso, a empresa decidiu depender fortemente de parceiros como Oracle, Microsoft e Amazon, buscando reunir a maior quantidade possível de capacidade.
Um ano atrás, a situação na OpenAI era bastante diferente. Em janeiro de 2025, o então presidente Donald Trump apresentou o projeto Stargate ao lado de Altman, do CEO da SoftBank, Masayoshi Son, e do presidente da Oracle, Larry Ellison, durante um evento na Casa Branca. As empresas se comprometeram a investir US$ 500 bilhões ao longo de quatro anos para expandir a nova infraestrutura de IA nos Estados Unidos.
A OpenAI seria responsável pelas operações do projeto, enquanto a SoftBank cuidaria das finanças, conforme mencionado em uma postagem no blog na época. Oracle e Nvidia foram designados como parceiros tecnológicos iniciais. A OpenAI estava preparada para desenvolver grandes porções do projeto, e tinha como meta arrendar ou possuir alguns campus de data centers, segundo um relatório da The Information.
Contudo, após enfrentar problemas práticos de construção e dificuldades em garantir apoio de financiadores, a empresa fez uma mudança de rota. A Oracle está agora arrendando o campus de data center do Stargate em Abilene e financiando a expansão através da assunção de dívidas na casa das dezenas de bilhões de dólares.
Perspectivas de Construção e Obstáculos
OpenAI e Nvidia afirmaram em seu comunicado de setembro que o primeiro gigawatt dos sistemas da Nvidia será implantado na segunda metade de 2026. Especialistas comentaram que esse cronograma seria desafiador mesmo nas melhores circunstâncias. Walid Saad, professor de engenharia na Virginia Tech, disse que a construção de um data center de 1 gigawatt do início ao fim pode levar de três a dez anos. Obstáculos podem surgir a cada passo — desde a busca por um local, obtenção de permissões e licenças adequadas, acesso à energia, construção da estrutura física, entrega do hardware até a ativação do sistema.
"Exitem regulamentações, permissões, e diferentes locais têm processos distintos", afirmou Saad. "Há processos que eles não podem controlar. Você nunca sabe o que pode surgir".
Esses desafios tornaram-se realidade para a OpenAI, conforme indicado por Arun Chandrasekaran, analista de IA da Gartner, em uma entrevista à CNBC. "Eles estão começando a dizer: ‘Sabe de uma coisa? Vamos tentar garantir a capacidade que pudermos dos fornecedores que estão dispostos a nos oferecer essa capacidade agora’", observou Chandrasekaran.
A OpenAI não fez comentários sobre esta reportagem.
A Busca por Capacidade Justificável
Como parte do anúncio de financiamento de US$ 110 bilhões da OpenAI no mês passado, a empresa concordou em consumir aproximadamente 2 gigawatts de capacidade Trainium através da infraestrutura da Amazon Web Services. O Trainium é o chip de IA personalizado da AWS. A Amazon anunciou a versão mais recente, o Trainium3, em dezembro.
A Nvidia também contribuiu para a rodada de financiamento da OpenAI, investindo US$ 30 bilhões. A OpenAI informou que expandiu sua colaboração com a Nvidia como parte do acordo, concordando em usar 3 gigawatts de capacidade de inferência dedicada e 2 gigawatts de capacidade de treinamento nos sistemas Vera Rubin que estão por vir.
"OpenAI está fazendo o que precisa fazer, que é obter acesso à computação em escala", disse Newman, do Futurum Group, adicionando que Meta, Anthropic e Google estão seguindo uma linha semelhante. "Esta é a corrida".
O investimento da Nvidia ocorreu após meses de especulação sobre o status do acordo de infraestrutura que as empresas anunciaram em setembro. A fabricante de chips revelou em um arquivo trimestral em novembro que o pacto de US$ 100 bilhões pode não se concretizar, e o Wall Street Journal reportou em janeiro que o acordo estava "congelado".
A Nvidia observou em um arquivo de fevereiro que não havia "garantia" de que a empresa entraria em um "acordo de investimento e parceria com a OpenAI ou que uma transação seria concluída".
Em uma conferência realizada neste mês, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, moderou ainda mais as expectativas, afirmando que a oportunidade de investir US$ 100 bilhões na OpenAI provavelmente "não está nos planos".
O investimento mais recente não está atrelado a quaisquer marcos de implementação e é distinto da estrutura do acordo que as empresas prometeram há seis meses. Huang afirmou que pode ser "a última vez" que a Nvidia investe na OpenAI antes de seu IPO.
A OpenAI construiu uma incrível história de crescimento, mas "o restante da jornada não será gratuita", concluiu Newman. "E, devido à sua estrutura de custos tão elevada, seu caminho para a lucratividade será examinado a cada passo do caminho".
Fonte: www.cnbc.com


