Novas regras devem estimular a demanda e impulsionar o setor de construção.

Novas regras devem estimular a demanda e impulsionar o setor de construção.

by Ricardo Almeida
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Minha Casa, Minha Vida: Atualizações e Impactos

Uma das principais iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) passará por uma nova série de atualizações, em um ano eleitoral. Essas mudanças têm como objetivo fortalecer o programa, que atualmente representa mais de 50% das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil.

De acordo com analistas do setor, as novas regras têm potencial para aumentar o número de famílias com condições financeiras para adquirir a casa própria. Isso poderá abrir oportunidades para as construtoras expandirem o volume de lançamentos e acelerarem as vendas, impactando positivamente os preços finais das moradias e, consequentemente, aumentando seus lucros.

Esses novos ajustes foram sugeridos menos de um ano após a última atualização e surgem em um contexto onde as maiores construtoras do setor vêm registrando lucros crescentes, com margens financeiras superiores à média histórica, conforme reportado pela Broadcast.

MCMV: As Mudanças

A proposta de atualização das regras foi apresentada pelo Ministério das Cidades no início de março, durante uma reunião com o Grupo de Apoio Permanente (GAP), que assessora o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O FGTS utiliza os recursos dos trabalhadores para financiar a aquisição de imóveis com juros inferiores aos praticados no mercado convencional. Na terça-feira, dia 24, o Conselho Curador do FGTS aprovou a nova proposta apresentada pelo governo.

Nos bastidores de Brasília, há informações de que a mudança foi impulsionada pela necessidade de acompanhar o valor do salário mínimo, que foi reajustado neste ano. A elevação da faixa 1 do MCMV para R$ 3.200 visa manter a equivalência a dois salários mínimos. Caso esse ajuste não fosse feito, muitas famílias poderiam ser transferidas para a faixa 2, que apresenta juros mais altos.

Como resultado, as demais faixas do programa também necessitaram de reajustes. O Ministério das Cidades não se pronunciou sobre o assunto em entrevistas.

Visão do Mercado

Os analistas perceberam uma mudança na postura do governo, que passou a realizar não apenas manutenções periódicas, mas também a modificar as regras visando a expansão do programa.

“Estamos observando um aumento na frequência dos ajustes, diferente do que ocorria anteriormente, quando se passavam até três anos sem alterações. No passado, o programa costumava ficar desatualizado, levando a uma deterioração das margens de lucro e à paralisação de novos projetos por parte das empresas”, comentou Gustavo Cambauva, analista de mercado imobiliário do BTG Pactual.

De acordo com ele, não havia uma pressão por novos ajustes para garantir a rentabilidade das grandes construtoras, que já se encontram em níveis satisfatórios. Contudo, o governo demonstra uma clara intenção de expandir o programa, aumentando a meta de contratações de 2 milhões para 3 milhões, tendo registrado 2,1 milhões até o final de 2025.

“As contratações já se apresentaram muito satisfatórias em 2024 e 2025. Mesmo que nada fosse feito, 2026 provavelmente seria um bom ano. Porém, para atingir a nova meta, será necessário ampliar a dimensão do programa e acelerar seu ritmo”, afirmou Cambauva.

A Cury (CURY3), uma das maiores construtoras do setor, se declarou preparada para aumentar os lançamentos e vendas de imóveis em 2026, considerando as condições favoráveis de financiamento.

“As perspectivas são muito encorajadoras. No passado, o programa passava por intervalos prolongados sem atualização das regras, resultando em contrações nas contratações. Agora, o governo reconheceu a necessidade de realizar ajustes em intervalos regulares”, avaliou Leonardo Mesquita, copresidente da Cury.

Segundo Mesquita, as novas alterações devem contribuir para a ampliação do número de projetos lançados ao longo do ano, além de possibilitar um aumento nos preços onde houver uma demanda mais aquecida. Outras empresas, como a MRV (MRVE3), também avisaram investidores sobre planos semelhantes.

A analista de construção do Santander, Fanny Oreng, expressou expectativa de aceleração dos negócios com as novas atualizações. “Isso ajudará a incrementar o poder de compra, portanto esperamos uma aceleração nas vendas, crescimento nos lançamentos e melhora da rentabilidade. O impacto dependerá significativamente do perfil de cada empresa”, afirmou.

Oreng destacou que a realização de ajustes regulares é essencial para evitar a deterioração das condições de financiamento. Ela ressaltou que as empresas do setor normalmente repassam o financiamento bancário ao cliente imediatamente após a venda do imóvel na planta, ao contrário do que ocorre fora do MCMV, onde esse repasse ocorre somente após a entrega das chaves.

Dessa forma, as construtoras que atuam no programa não têm acesso à correção monetária das parcelas ao longo das obras. Elas precisam contar com uma reserva no orçamento para enfrentar possíveis aumentos nos custos, situação que foi notavelmente impactante durante a pandemia, resultando em queda nas lucros.

“O Brasil enfrenta uma inflação substancial. Se o programa não realizar ajustes, as condições de financiamento deterioram-se. Ademais, há temores sobre um possível choque de custos, dependendo da evolução dos preços dos combustíveis e outras commodities”, comentou a analista, referindo-se às incertezas do cenário internacional.

A coordenadora de estudos da construção da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ana Maria Castelo, alertou para a necessidade de monitorar se o aumento nos limites de renda e nos tetos de preços dos imóveis não terá o efeito inverso, reduzindo o número de unidades contratadas.

As alterações poderão resultar em um aumento no preço médio dos imóveis financiados. “Quando se eleva o valor do imóvel, esse fator pode levar à diminuição no número de unidades contratadas, a menos que o orçamento anual seja ampliado na mesma proporção”, destacou.

Castelo observou que os ajustes realizados superaram a inflação setorial (INCC), que foi de 6,1% em 2025. Isso deve contribuir para sustentar o crescimento do programa Minha Casa e atender a um maior número de famílias de classe média, que enfrentam dificuldades para adquirir casas fora do programa, especialmente em um cenário de financiamentos com juros elevados.

“O aumento das faixas de renda torna o programa mais acessível a uma parcela da população de classe média. Essa mudança foi intencional. O presidente Lula já mencionou isso publicamente”, enfatizou.

Com esses aspectos em consideração, o setor imobiliário, em especial o MCMV, consolidou-se como uma espécie de “porto seguro” no mercado. Na cidade de São Paulo, o Minha Casa responde por 61% dos lançamentos e 64% das vendas de imóveis novos, conforme pesquisa realizada pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

Em nível nacional, a participação do programa é ligeiramente superior a 50%, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Grandes Números

Até o final do ano passado, as contratações no programa Minha Casa, Minha Vida totalizaram 2,1 milhões de unidades, com R$ 578,4 mil registrados em 2023, 707,6 mil em 2024 e 813,9 mil em 2025.

Para atingir a meta de 3 milhões de unidades, será necessário aumentar as contratações para 900 mil ainda neste ano.

O orçamento atual está estimado em R$ 178 bilhões, distribuído da seguinte forma: R$ 8,9 bilhões do Orçamento Geral da União, que abrange principalmente a faixa 1; R$ 24,8 bilhões do fundo social do pré-sal, destinado à faixa 4; e R$ 144,5 bilhões do FGTS, que atende às faixas 1 a 3.

Esse orçamento ainda não considera os ajustes aprovados recentemente pelo conselho curador do FGTS. O orçamento total para 2025 foi de aproximadamente R$ 180 bilhões, enquanto que em 2024, o orçamento foi de cerca de R$ 132,5 bilhões.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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