Como a Cyrela (CYRE3) pode liberar R$ 1,9 bilhão em dividendos extraordinários, de acordo com o JP Morgan

Como a Cyrela (CYRE3) pode liberar R$ 1,9 bilhão em dividendos extraordinários, de acordo com o JP Morgan

by Ricardo Almeida
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Dividends and Sale of Participations

A Cyrela (CYRE3) pode liberar até R$ 1,88 bilhão em dividendos se decidir vender completamente suas participações em Cury (CURY3), Lavvi (LAVV3) e Plano & Plano (PLPL3), de acordo com um relatório elaborado pelo JP Morgan.

Apesar do valor significativo e atraente à primeira vista, a pesquisa do banco norte-americano indica que o retorno total aos acionistas seria limitado devido à diminuição no valor justo remanescente da construtora.

Esse fenômeno se dá porque o ganho seria pontual e seria compensado posteriormente pela desvalorização dos ativos listados no balanço da Cyrela. Segundo os cálculos realizados pelo JP Morgan, o retorno total aos acionistas seria de apenas 1%.

Na prática, a maior parte do lucro advém da venda das ações acima do valor contábil, o que configura um efeito não recorrente.

Após a venda, a empresa se tornaria menor e, consequentemente, teria uma capacidade reduzida de gerar resultados efetivos.

Contribuição das Participações

Para ilustrar a importância das participações, em 2025, por exemplo, as empresas CURY3, PLPL3 e LAVV3 contribuíram com aproximadamente R$ 395 milhões ao lucro líquido da Cyrela.

Esse valor representou cerca de 20% do total reportado, sendo que R$ 170 milhões vieram da participação na Cury, R$ 123 milhões da Plano & Plano e R$ 102 milhões da Lavvi.

Assim, sem essa contribuição, o resultado da empresa seria impactado negativamente e, como consequência, reduzido.

Venda da Cury como Cenário Favorável

O JP Morgan analisou seis cenários possíveis de desinvestimentos. O cenário mais otimista envolve a venda total da participação de cerca de 15% na Cury, que pode oferecer um retorno de até 14%.

A justificativa para esse resultado está na valorização expressiva de CURY3 desde o IPO, que ampliou a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil registrado pela Cyrela.

Segundo o relatório, essa venda poderia gerar aproximadamente R$ 1,18 bilhão em dividendos extraordinários. Contudo, mesmo essa opção não mudaria a tese estrutural da empresa.

O estudo sublinha que, ao optar pela venda total de suas participações, a Cyrela abriria mão de um ativo valioso: a Cury gera lucros recorrentes todos os anos.

O JP Morgan argumenta que a manutenção dessas participações é essencial para que a Cyrela mantenha um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) elevado, na faixa de 18% a 19%. Sem a contribuição da Cury, por exemplo, o ROE implícito cairia para 17,8%.

Se todas as participações (Cury, Plano & Plano e Lavvi) fossem vendidas, o ROE se reduziria ainda mais, chegando a cerca de 16%.

Vale ressaltar que a Cyrela já adotou algumas medidas nesse sentido. No terceiro trimestre de 2025 (3T25), a empresa anunciou ganhos de aproximadamente R$ 210 milhões com a venda de ações da Cury.

Premissas do Estudo

O relatório considerou algumas premissas para suas simulações, incluindo a tributação de 15% sobre o lucro obtido com a venda das participações.

Além disso, todas as simulações partiram da premissa que a Cyrela conseguiria cancelar acordos de acionistas sem enfrentar penalidades.

O acordo vigente com as empresas estipula que a Cyrela deve manter 15% de participação em Lavvi, 14% em Cury e 14% em Plano & Plano.

Posicionamento do JP Morgan em Relação à Cyrela

Apesar da análise, o JP Morgan mantém sua recomendação de overweight (equivalente à compra) para as ações CYRE3, com um preço-alvo definido em R$ 37,50, o que sugere um potencial de valorização próximo de 20%.

A expectativa da instituição é que a construtora continue a se beneficiar de sua diversificação nos negócios, atuando nos segmentos de baixa, média e alta renda, além do crescimento das três empresas nas quais possui participação.

Além disso, o banco ressalta que as subsidiárias da Cyrela incluem a CashMe, uma empresa especializada em empréstimos com garantias imobiliárias, que possui uma carteira que pode valer cerca de R$ 2 bilhões, valor ainda pouco refletido nas avaliações do mercado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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