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Petróleo Brent avança 7% devido à intensificação das tensões entre Trump e Irã e bloqueios no Estreito de Ormuz – Times Brasil

by Editoria Bolsa e Mercado
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O petróleo voltou a apresentar uma forte alta na quinta-feira, dia 2, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o país irá agir “com extrema força” contra o Irã nas próximas duas a três semanas. O contrato futuro do Brent, que é a referência internacional para o preço do barril de petróleo, com vencimento em junho de 2026, avançou 7,4%, sendo negociado a US$ 108,62 por barril.

O petróleo WTI, que é a referência americana, também teve um aumento significativo, subindo 6,9%, e alcançando o preço de US$ 105,35. O discurso de Trump suscitou incertezas sobre uma possível desescalada rápida no conflito e reacendeu preocupações sobre uma crise energética potencialmente mais longa.

Durante um pronunciamento nacional na quarta-feira, dia 1º, Trump afirmou: “Vamos terminar o trabalho, e vamos terminar muito rápido”. Essa declaração contrasta com as mensagens anteriores do próprio presidente, que havia mencionado que as tropas americanas deixariam o Irã “em breve”.

Ormuz paralisado desde fevereiro

O Estreito de Ormuz, que é a rota pela qual transitam um quinto de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, encontra-se efetivamente paralisado desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que teve início no dia 28 de fevereiro. Esse bloqueio é um dos principais fatores que têm contribuído para a elevação persistente dos preços de energia desde então.

Analistas consultados pela CNBC não acreditam que haja uma reabertura rápida da rota. Giles Alston, analista de risco político da Oxford Analytica, disse: “Está cada vez mais claro que Washington se desvinculou da questão. Agora cabe a quem precisa transportar petróleo pelo Estreito resolver a situação por conta própria”.

O Irã reforçou essa perspectiva ao descartar qualquer possibilidade de reabertura que se baseasse nas declarações de Trump, afirmando que o Estreito continua “decisiva e predominantemente sob controle da Marinha dos Guardiões da Revolução”.

Cessar-fogo negado pelo Irã

Antes do discurso de Trump, o presidente americano publicou em sua rede social Truth Social que o Irã havia solicitado um cessar-fogo, informação que foi imediatamente negada por Teerã. Trump condicionou quaisquer futuras negociações à reabertura do Estreito de Ormuz, afirmando que os ataques continuarão enquanto a via marítima permanecer fechada.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que o país está “absolutamente determinado a continuar sua defesa” e que não possui “escolha senão reagir com firmeza”.

As contradições entre as duas partes em relação ao andamento das negociações têm sido recorrentes desde o início do conflito, o que tem gerado volatilidade nos mercados.

Mercados em modo de alerta

A reação dos mercados foi imediata e amplamente sentida. As bolsas asiáticas inverteram os ganhos após o discurso de Trump. O índice Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,5%, liderando as perdas na região. Hong Kong e os mercados da China continental também abriram em território negativo. Na Europa, o índice Stoxx 600 recuou mais de 1%, com os setores bancário, de mineração e tecnologia entre os mais prejudicados.

Nós Estados Unidos, os futuros dos três principais índices registraram quedas superiores a 1% antes da abertura oficial do pregão, por volta das 7h45, no horário de Brasília.

  • Dow Jones recuou em 1,13%
  • Nasdaq registrou uma queda de 1,66%
  • S&P 500 apresentou uma diminuição de 1,30%

O mercado de títulos também sentiu os efeitos do discurso. Os rendimentos dos títulos do governo de várias nações, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Itália e Canadá, subiram ao longo de toda a curva, o que indica uma venda generalizada de dívidas soberanas em mercados desenvolvidos. O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos aumentou 5 pontos-base, alcançando 4,368%.

O estrategista de renda variável para a Ásia-Pacífico do Nomura, Chetan Seth, comentou: “Não acabará enquanto não acabar. Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, o risco de preços elevados de energia permanece”.

O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC acompanha o conflito e seus desdobramentos sobre os mercados globais e o preço dos combustíveis no Brasil.

Como funciona o mercado futuro de petróleo

O mercado futuro é estruturado como um acordo de compra e venda com data determinada. Uma parte compromete-se a comprar, enquanto a outra se compromete a vender uma quantidade específica de petróleo a um preço fixado atual, com entrega prevista em uma data futura.

Cada contrato possui um mês de vencimento que indica quando ocorrerá a entrega física. Por exemplo, o contrato com vencimento em junho de 2026 refere-se ao petróleo que deverá ser entregue nesse mês. À medida que o mês de junho se aproxima, esse contrato expira e o mercado passa a considerar o contrato de julho como referência.

O contrato mais próximo do vencimento que continua a ser negociado ativamente é conhecido como front month. Este contrato é frequentemente destacado em terminais financeiros, nas agências de notícias e nos noticiários como “o preço do petróleo hoje”. O front month normalmente concentra o maior volume de transações e a maior liquidez, consolidando-se como referência tanto para o mercado físico quanto para as refinarias.

Quando o front month se aproxima do vencimento, os investidores que não têm interesse em receber o petróleo fisicamente costumam encerrar suas posições e migrar para o contrato seguinte. Esse processo é chamado de rollover e ocorreu exatamente entre o dia anterior e o dia atual.

Quem negocia e por quê

Existem dois grandes grupos que atuam no mercado futuro. O primeiro grupo, denominado hedgers, é composto por companhias aéreas, transportadoras e refinarias que utilizam os contratos para garantir um preço estável e se proteger de flutuações. O segundo grupo consiste em especuladores, que não têm a intenção de efetivamente receber o petróleo. Eles compram e vendem contratos com base em apostas sobre a direção futura dos preços.

A maioria dos contratos é encerrada antes do seu vencimento, com a posição sendo revendida no mercado. Aqueles que mantêm o contrato até o término realizam a liquidação financeira, que é a diferença entre o preço fixado e o preço de mercado no momento do vencimento, sem que seja necessário movimentar um barril sequer.

Por que isso afeta o diesel no Brasil

O Brent é considerado a principal referência internacional para os preços do petróleo. Quando surgem tensões no Oriente Médio que aumentam as expectativas de escassez, os contratos futuros se valorizam, e esse movimento impacta diretamente os preços de importação praticados no Brasil. Isso, por sua vez, pressiona os custos do diesel nas refinarias e, posteriormente, nos postos de combustíveis.

O fechamento do Estreito de Ormuz acrescenta uma camada adicional de incerteza ao cenário, uma vez que esse corredor liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e representa uma rota crucial para o transporte do petróleo exportado por países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Irã. Com o estreito bloqueado, o abastecimento global enfrenta gargalos que sustentam os elevados preços nos contratos futuros.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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