Acompanhamento da Curva de Juros Futuros
A curva de juros futuros fechou as negociações na última sexta-feira (9) com uma abertura nos vértices mais curtos, em resposta a dados de inflação que se mostraram mais fortes do que o esperado. As taxas referentes aos vencimentos de médio e longo prazo continuaram a trajetória de queda iniciada nas sessões anteriores.
Taxas do Depósito Interfinanceiro
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que representa o curtíssimo prazo, registrou um aumento de 14 pontos-base ao longo do dia, encerrando a 14,060% em comparação aos 13,920% do ajuste anterior.
Por sua vez, a taxa de DI para janeiro de 2029, que se refere ao prazo médio, finalizou as negociações em alta, atingindo 13,380%, ante 13,305% do fechamento anterior.
Além disso, a taxa de DI para janeiro de 2036, correspondente ao longo prazo, encerrou o dia a 13,455%, ante 13,595% do fechamento da quinta-feira (9), apresentando uma queda de 14 pontos-base.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries, também mostraram altas, impulsionadas por dados de inflação.
Rendimentos dos Treasuries
O rendimento do Treasury de dois anos – que é o mais sensível a políticas monetárias – encerrou a 3,779%, comparado a 3,783% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos, uma referência global para decisões de investimento, caiu para 4,317% ante 4,293% do fechamento anterior.
Dados de Inflação no Brasil e nos Estados Unidos
A sexta-feira foi marcada pela divulgação de dados sobre inflação. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a apresentar uma aceleração. A inflação oficial do Brasil subiu 0,88% em março, ultrapassando as expectativas do mercado.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou um aumento de 4,14%, ainda dentro do intervalo estabelecido pelo Banco Central, que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, tanto para mais quanto para menos.
De acordo com a análise de especialistas, três fatores principais explicam a surpresa em relação à alta da inflação: combustíveis, alimentos e serviços.
Com a divulgação de um IPCA mais forte, a curva de juros eliminou a possibilidade de um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no final de abril. Em contrapartida, o mercado elevou as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual para 90%, subindo de 75% no dia anterior. A Selic atualmente está em 14,75% ao ano.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,9% em março, conforme informado pelo Departamento do Trabalho na sexta-feira.
Com isso, a inflação norte-americana no acumulado dos últimos 12 meses atingiu 3,3%. Assim sendo, os preços ainda estão acima da meta de 2% que é perseguida pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos.
O CPI é um dos parâmetros utilizados pelo mercado para calibrar as expectativas de cortes na taxa de juros no país, mesmo que esse índice inflacionário não seja a principal referência para o Fed.
Na véspera, o Bureau of Economic Analysis (BEA) informou que o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), que serve como referência inflacionária do Fed, subiu 0,4% em fevereiro, atendendo às expectativas do mercado.
O núcleo da inflação, que exclui os preços de alimentos e energia, também cresceu 0,4%. Quando se observa o comparativo anual, o índice subiu 2,8%, enquanto o núcleo teve um aumento de 3%.
Próximo ao fechamento do mercado, os operadores estavam precificando a possibilidade de início do ciclo de cortes nos juros norte-americanos a partir de setembro, com uma probabilidade de 57,6%, segundo o FedWatch, do CME Group. No início da semana, junho era considerado o mês mais provável para a redução na taxa de juros. Neste momento, a taxa opera no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano.
Expectativa de Cessar-Fogo no Oriente Médio
A atenção dos investidores estava concentrada nas tratativas para um acordo de paz definitivo. No final da tarde, o Irã anunciou que as negociações começarão se as “pré-condições forem aceitas”.
Os representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se encontrar amanhã (11) em Islamabad, capital do Paquistão. Paralelamente, as conversas entre Israel e o Líbano devem ter início na próxima semana, com os encontros acontecendo nos Estados Unidos.
Fonte: www.moneytimes.com.br

