Reavaliação das Ações da Fleury
O BTG Pactual rebaixou a recomendação das ações da Fleury (FLRY3) de compra para neutro nesta sexta-feira, dia 17. Além disso, o banco também cortou o preço-alvo para o final de 2026, que passou de R$ 19 para R$ 18. Apesar da redução, esse novo valor representa um potencial de valorização de 5,7% em relação ao preço de fechamento anterior. Na última negociação realizada em 16 de outubro, as ações da Fleury foram encerradas cotadas a R$ 17,09.
Desempenho das Ações
Em resposta a essa revisão, as ações da empresa apresentaram queda no Ibovespa (IBOV). Por volta das 15h40, no horário de Brasília, o papel da Fleury registrava uma baixa de 2,52%, sendo negociado a R$ 16,66.
Análise dos Analistas
Em um relatório, os analistas Maria Resende, Samuel Alves e Marcel Zambello esclareceram que a revisão das ações não reflete uma deterioração operacional. Pelo contrário, eles destacam que a companhia tem apresentado resultados consistentes e que a expectativa, para o primeiro trimestre de 2026 (1T26), é de um balanço favorável.
No entanto, a equipe do BTG Pactual considera que a Fleury exibe um valuation relativamente menos atrativo quando comparado a seus principais concorrentes no setor de saúde, como Rede D’Or (RDOR3) e Bradsaúde.
Comparação de Múltiplos
De acordo com os cálculos do banco, as ações da Fleury estão sendo negociadas a um múltiplo de 13,5x P/L para 2026, em comparação com 11,5x para Bradsaúde. Embora ambos os concorrentes apresentem perfis de crescimento de curto prazo semelhantes e uma baixa alavancagem financeira, a Bradsaúde opera com caixa líquido.
Em comparação com a Rede D’Or, as ações da Fleury estão sendo negociadas com um desconto relativo de 18%, o menor na sua história.
O BTG ainda classifica as ações da Fleury como “caras”, pois estão sendo negociadas a aproximadamente um desvio padrão acima da média histórica, a 13x P/L projetado para 12 meses, enquanto a média histórica é de 9x.
“Diante desse cenário, passamos a preferir a exposição ao setor de saúde através de Rede D’Or e Bradsaúde, onde observamos uma melhor relação entre risco e retorno”, afirmam os analistas no relatório.
Desempenho em 2023
As ações da Fleury acumulam uma alta de 12% no ano, em comparação com um aumento de 22% no Ibovespa. Apesar de apresentarem um ligeiro desempenho inferior ao índice, as ações superaram o Ibovespa ao excluir commodities. Em contrapartida, a Rede D’Or recuou 1% até o momento.
Menor Chance de Aquisições
Outro ponto que justifica a revisão é a diminuição da probabilidade de uma aquisição (M&A). Segundo os analistas, o desempenho recente das ações da Fleury estava intimamente associado às expectativas de fusões e aquisições. Há cerca de nove meses, especulações sobre uma possível combinação com a Rede D’Or impulsionaram uma significativa expansão dos múltiplos.
Os analistas agora consideram que essas discussões perderam força, uma vez que os desenvolvimentos recentes em relação à Bradsaúde diminuem a justificativa estratégica para uma transação no curto prazo.
O BTG Pactual também ressaltou que a recente aprovação de uma cláusula de aumento de controle (poison pill) no estatuto da empresa diminui a possibilidade de uma aquisição estratégica.
A Fleury implementou uma poison pill com um gatilho de 20%, o que implica que uma oferta pública de ações (OPA) obrigatória terá um prêmio de 50% sobre o maior valor entre o preço médio dos últimos 12 meses ou o preço que levou algum acionista a ultrapassar esse limite.
Os analistas Maria Resende, Samuel Alves e Marcel Zambello afirmam: “Em nossa visão, isso eleva significativamente as barreiras para aquisições hostis, tornando qualquer M&A dependente de um alinhamento entre o bloco de controle, que envolve a Bradsaúde e os médicos fundadores, além dos ex-acionistas da Pardini.”
Expectativas Futuras
O BTG Pactual manteve suas estimativas para a Fleury inalteradas e antecipa uma leve queda de 4% no lucro líquido ajustado para 2026, refletindo um ritmo mais lento de redução nas taxas de juros.
Os analistas preveem uma trajetória mais volátil ao longo do ano, devido a bases comparativas mais desafiadoras, influenciadas por determinados efeitos de calendário, incluindo um maior número de feriados e a realização da Copa do Mundo.
Para o primeiro trimestre de 2026, a equipe do BTG espera um balanço “sólido”, com um crescimento orgânico de aproximadamente 8%, o que deve servir como um referencial para o crescimento projetado para 2026.
Fonte: www.moneytimes.com.br


