Preços do Petróleo Brent atingem máxima de quatro anos
Os preços do petróleo Brent alcançaram uma nova máxima de quatro anos nesta quinta-feira, dia 30. Essa alta é impulsionada por preocupações relacionadas ao potencial agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que pode resultar em interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo do Oriente Médio. Tal situação poderia, por sua vez, comprometer o crescimento econômico global.
Avanço nos contratos futuros
Os contratos futuros do Brent registraram um aumento de US$ 3,71, ou 3,14%, alcançando o valor de US$ 121,70 por barril às 5h18 (horário de Brasília). Durante a sessão, os preços chegaram ao nível máximo intradiário de US$ 126,41, o maior registrado desde 9 de março de 2022. O contrato com vencimento em junho, que está em alta pelo nono dia seguido, expirará ainda nesta quinta-feira.
Os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), por sua vez, subiram US$ 1,33, correspondendo a um incremento de 1,24%, e atingiram US$ 108,20 por barril, o que representa a maior cotação desde 7 de abril, ampliando um ganho de 7% observado na sessão anterior.
Reflexos no mercado
Até o momento, o Brent mais do que dobrou seu valor ao longo do ano, enquanto o WTI apresentou um aumento próximo a 90%. Ambos os referenciais estão a caminho de registrar o quarto mês consecutivo de ganhos, reflexo das apreensões acerca de como o conflito com o Irã pode afetar a oferta global de petróleo, intensificando a inflação e aumentando os riscos de uma desaceleração econômica mundial.
Situação do conflito com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, programou para esta quinta-feira um briefing no qual será discutido um plano de ataques militares contra o Irã. O intuito seria conduzir o país de volta às negociações sobre seu programa nuclear, conforme reportagem publicada pelo Axios na noite desta quarta-feira, dia 29.
Desde o dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques aéreos contra o Irã. Em resposta, o Irã fechou quase completamente o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o fornecimento de energia dos produtores do Oriente Médio. Apesar de um cessar-fogo que suspendeu os combates, os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
As negociações destinadas a resolver esse conflito, que já resultou na morte de milhares e na maior interrupção energética da história, encontram-se estagnadas. Os Estados Unidos insistem na discussão sobre o suposto programa de armas nucleares do Irã, enquanto o Irã coloca como condição que haja algum controle sobre o estreito e reparações pelos danos decorrentes da guerra.
Perspectivas do mercado
De acordo com o analista de mercado da IG, Tony Sycamore, as perspectivas para uma resolução rápida do conflito com o Irã ou para a reabertura do Estreito de Ormuz permanecem fracas. A situação atual sugere que o conflito e as interrupções no fornecimento energético devem persistir por um período mais extenso.
Trump também esteve em contato com empresas petrolíferas para discutir medidas a serem tomadas para mitigar o impacto de um possível bloqueio americano que poderia perdurar por meses, segundo afirmou um funcionário da Casa Branca.
Kelvin Wong, analista sênior de mercado da OANDA, comentou que, no curto prazo, os participantes do mercado se concentram nos desdobramentos do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, além do risco de um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz. Este foco atual parece ultrapassar as implicações de longo prazo que a possível diminuição da influência da Opep+ poderia acarretar, especialmente após a saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel.
Ação da Opep+
O grupo Opep+, que compreende membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, deve se reunir para discutir um modesto aumento de 188 mil barris por dia nas cotas de produção, conforme declararam fontes à Reuters na quarta-feira.
Esta reunião ocorre em um momento delicado, uma vez que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep se tornará efetiva a partir de 1º de maio. A saída do país do Golfo pode enfraquecer a capacidade do grupo de produtores de controlar os preços do petróleo. Embora esta mudança potencialmente permita um aumento na produção após a retomada das exportações, especialistas afirmam que é improvável que isso altere significativamente os fundamentos do mercado neste ano, com ênfase nas interrupções causadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pela guerra.
Considerações sobre a demanda por petróleo
Os analistas agora veem a destruição da demanda por petróleo como a estratégia mais viável para atenuar a situação atual de oferta restrita. Especialistas do ING estimam uma perda de cerca de 1,6 milhão de barris por dia na demanda, uma vez que consumidores e usuários finais têm reduzido o uso de produtos derivados do petróleo, em resposta aos altos preços.
Embora essa diminuição na demanda represente uma resposta significativa, os analistas ressaltam que não é suficiente para preencher a lacuna de oferta enfrentada atualmente.
Fonte: www.moneytimes.com.br


