CEO nova da Berkshire Hathaway destaca continuidade e inovação
O evento anual de acionistas da Berkshire Hathaway, realizado no último sábado (2), teve uma nova abordagem, com Greg Abel assumindo como o novo CEO da companhia. A cerimônia foi marcada por homenagens ao Oráculo de Omaha, sendo exibida uma camisa com o nome de Warren Buffett içada até as vigas do CHI Health Center. A camiseta trazia ainda o número 60, simbolizando a longa trajetória do investidor no conglomerado.
Após a mensagem de tributo, Buffett discursou de seu lugar, na primeira fileira, e elogiou Greg Abel, relembrando que a data marcava o aniversário do anúncio de sua ascensão ao cargo de CEO.
“Não poderíamos ter tomado uma decisão melhor. Foi 100% bem-sucedido. Ele está fazendo tudo que eu fiz e até mais. Ele é a pessoa certa”, declarou Buffett.
Em resposta aos elogios, Abel expressou sua gratidão e enfatizou que a cultura corporativa será o principal ativo da Berkshire Hathaway, mesmo após a saída de Buffett do comando da empresa. “A cultura é a base da Berkshire e seguirá após a saída de Buffett”, afirmou.
É importante observar que, apesar de não ocupar mais a posição de CEO, Buffett continua atuando como presidente do conselho (chairman).
Uso de Inteligência Artificial na Berkshire Hathaway
No decorrer do evento, Abel informou que a empresa está ampliando a utilização de inteligência artificial (IA) e reforçando a contratação de desenvolvedores. Segundo o CEO, a intenção é acelerar a transformação digital dos negócios, principalmente no setor de energia, em resposta à crescente demanda impulsionada pela expansão de data centers e hyperscalers (grandes provedores de serviços de nuvem) nos Estados Unidos.
Contudo, Abel ressaltou que a Berkshire adota uma abordagem conservadora. “Tem que ser adicional para nossos negócios. Não vamos fazer IA por causa da IA”, destacou. Ele anunciou que a implementação da inteligência artificial será restrita e focada na criação de propostas de valor, mencionando que o conglomerado considera os riscos associados à tecnologia.
Abel também chamou a atenção para o fato de a Berkshire já operar em um nível considerado elevado em comparação com outras utilities dos Estados Unidos, muitas das quais ainda estão em fase de projeção para atingir apenas entre 5% e 10% de exposição ao consumo de data centers nos próximos anos.
Ele avaliou que o consumo de energia pelos data centers pode crescer até 50% nos próximos cinco anos. No entanto, o CEO enfatizou que a expansão da infraestrutura energética para atender hyperscalers e centros de processamento de dados não poderá resultar em aumento nas tarifas para os consumidores tradicionais. Segundo ele, os próprios operadores de data centers deverão arcar integralmente com os custos associados à expansão da rede elétrica.
Abel ainda alertou sobre os desafios regulatórios crescentes no setor elétrico norte-americano, principalmente no que diz respeito à distribuição de riscos entre empresas e reguladores.
Estrutura do conglomerado permanece inalterada
Greg Abel descartou a possibilidade de uma eventual cisão da Berkshire Hathaway no cenário atual, assegurando que a estrutura do conglomerado continua sendo um diferencial competitivo. “Somos um conglomerado, mas somos um conglomerado eficiente”, afirmou Abel, acrescendo que não há várias camadas de gestão.
“Não prevemos a alienação de subsidiárias por esse motivo, nem a divisão do grupo”, concluiu o CEO.
Compromisso com os princípios de Warren Buffett
Abel reafirmou seu compromisso em manter cerca de US$ 200 bilhões concentrados em um número restrito de investimentos em ações. Ele descreveu aquilo que chamou de “quatro posições centrais”: Apple, American Express, Moody’s e Coca-Cola. Essas empresas se tornarão a base dos investimentos em ações da Berkshire, segundo Abel.
Ainda de acordo com o novo CEO, várias outras participações significativas incluem Bank of America, Chevron e Alphabet. É importante lembrar que a Berkshire adquiriu aproximadamente US$ 4 bilhões em ações da Alphabet, controladora do Google, no terceiro trimestre de 2025.
Embora avalie os próprios investimentos, Abel destacou que está “absolutamente colaborando” com Buffett nas decisões de investimento e que pretende manter a filosofia de investimentos fundamentada no conceito de “círculo de competência”, que foi amplamente popularizado por Buffett.
O CEO lembrou que a carteira atual da Berkshire foi construída por Buffett com base em empresas que o investidor “entende profundamente”. Abel reiterou que a administração atual também expressa conforto em relação a esses ativos.
“É uma carteira concentrada, mas sabemos quais são os negócios e suas perspectivas econômicas”, enfatizou o executivo, ressaltando, no entanto, que os investimentos continuarão a ser avaliados constantemente em função de possíveis mudanças de risco e cenário.
Números financeiros da Berkshire Hathaway
A empresa reportou um lucro líquido de US$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), o que representa uma alta de aproximadamente 120% em comparação ao que foi registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 4,6 bilhões. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo menor impacto negativo na marcação a mercado de investimentos.
A receita total alcançou US$ 93,7 bilhões no período, apresentando uma alta de 4,4% em relação aos US$ 89,7 bilhões do primeiro trimestre de 2025. Esse desempenho foi sustentado pelos resultados operacionais, com destaque para as divisões de seguros e atividades industriais.
O lucro antes de impostos somou US$ 12,3 bilhões, um aumento de cerca de 139% em comparação aos US$ 5,1 bilhões do mesmo intervalo do ano anterior.
A Berkshire também manteve um nível elevado de liquidez. A soma de caixa e aplicações em títulos do Tesouro americano ultrapassou US$ 390 bilhões ao final de março, reforçando a posição conservadora da companhia em meio a uma gestão disciplinada na alocação de capital. Esse número representa um aumento de mais de US$ 20 bilhões (+6,5%) em relação aos US$ 373 bilhões registrados no fim de 2025, sendo esse o novo recorde para o conglomerado.
Fonte: www.moneytimes.com.br

