Natura (NATU3) apresenta queda após resultados do 1T26; analistas comentam sobre a fase de transição e desempenho fraco.

Natura (NATU3) apresenta queda após resultados do 1T26; analistas comentam sobre a fase de transição e desempenho fraco.

by Ricardo Almeida
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Ações da Natura no Ibovespa e Resultados financeiros do 1T26

Em um contexto de resultados considerados fracos por analistas, as ações da Natura (NATU3) apresentaram uma performance negativa no Ibovespa (IBOV) durante o pregão desta terça-feira, 12 de janeiro de 2026. A empresa de cosméticos relatou um prejuízo líquido que atingiu R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, aumentando em relação ao prejuízo de R$ 152 milhões registrado no mesmo período de 2025.

Resultado Operacional

A Natura anunciou um resultado operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente, totalizando R$ 346 milhões, o que representa uma queda de 55,7% em comparação ao ano anterior.

A receita líquida da empresa ficou em R$ 4,75 bilhões durante o trimestre, o que representa uma redução de 7,7% em relação ao ano anterior. Os analistas projetavam um Ebitda de aproximadamente R$ 430 milhões para o primeiro trimestre, com expectativa de receita líquida em torno de R$ 4,3 bilhões, segundo informações da LSEG.

Fatores que Impactaram os Resultados

Conforme declarado pela administração da Natura, os resultados insatisfatórios deste trimestre foram influenciados por um cenário macroeconômico desafiador e pela inovação limitada da marca Avon, que impactaram a performance da companhia.

As ações da Natura enfrentaram uma queda superior a 6% nas primeiras meia hora de pregão, mas essa retração foi reduzida para 1,62%, com os papéis cotados a R$ 10,33.

A análise do BTG Pactual aponta que os resultados trimestrais da Natura ficaram abaixo das expectativas, evidenciando uma pressão na dinâmica de receitas, com quedas tanto na divisão Brasil quanto na divisão Hispana.

Ainda segundo o BTG, as margens operacionais demonstraram fragilidade, com uma redução de 330 pontos-base na margem Ebitda em comparação anual. Esse desempenho foi afetado pela pressão na margem bruta da divisão Hispana, principalmente devido às operações na Argentina, além de uma menor alavancagem operacional.

O prejuízo líquido expressivo, totalizando R$ 224 milhões (excluindo itens não recorrentes relacionados a demissões), também foi impactado por perdas decorrentes de hedge da dívida em dólar e por um aumento de R$ 565 milhões na dívida líquida, que já contabiliza os pagamentos decorrentes do acordo judicial relacionado ao caso Chapman litigation.

Pontos Positivos e Expectativas Futuras

Entre os aspectos positivos, o sell-out (faturamento real) da marca Natura tem apresentado crescimento acima do mercado de cuidados pessoais. O relançamento da Avon, realizado em meados de março, também superou as expectativas, e cerca de 75% da redução do quadro administrativo já foi implementada, o que deve gerar ganhos de eficiência a partir do segundo trimestre.

De acordo com a avaliação do banco, após superar desafios estruturais, como a venda da operação internacional da Avon International, uma reprecificação efetiva das ações depende da execução das estratégias de alavancagem de crescimento e da recuperação das margens. Entretanto, os resultados do primeiro trimestre ainda não sanaram as incertezas relacionadas ao desempenho da companhia. O banco mantém uma recomendação neutra para as ações da Natura, com um preço-alvo estipulado em R$ 12.

Análise das Expectativas da XP Investimentos e Itaú BBA

A XP Investimentos informou que os resultados abaixo do esperado durante o primeiro trimestre de 2026 já eram previstos, dado o persistente impacto da macroeconomia, especialmente no Brasil e na Argentina, que demandou um aumento nos investimentos em consultas para estimular a atividade. Segundo os analistas, a margem bruta inferior à expectativa, somada à desalavancagem operacional e às despesas decorrentes da reestruturação, resultou em uma queda de 7,9 pontos percentuais na margem Ebitda em comparação anual.

A XP apontou ainda que os desembolsos pontuais relacionados ao acordo da Chapman e à reestruturação, aliadas aos resultados operacionais pressionados e à sazonalidade fraca, resultaram em uma queima de fluxo de caixa livre de R$ 430 milhões.

Embora uma reação negativa do mercado já fosse esperada, a avaliação não vinculante de preço da Advent proporciona um piso para as ações da Natura em R$ 9,75 por ação, segundo análise do mercado.

Em relação à Natura, a XP expressou um otimismo cauteloso quanto às perspectivas de médio prazo da companhia, mas é esperado que os investidores mantenham uma postura de cautela, dadas as incertezas macroeconômicas e de execução.

A instituição Itaú BBA também comentou que o resultado da Natura apresentou desempenho insatisfatório em todas as linhas operacionais, com um desempenho pior do que o que aparenta. A receita da Natura Brasil, que caiu 3% ao ano, não demonstrou melhora em relação ao quarto trimestre (queda de 2%). O próprio discurso da administração sobre o segundo trimestre foi descrito como um “período de transição”, e existe um risco de execução associado à implementação do sistema SAP previsto para junho, o que gera incertezas para o segundo semestre de 2026.

No entanto, o Itaú BBA considera o valuation atrativo, com o suporte de preço de R$ 9,75 oferecido pela Advent International e uma estimativa de economia anualizada de cerca de R$ 500 milhões em despesas administrativas a partir do segundo trimestre. Apesar disso, a expectativa para uma reprecificação das ações foi adiada para o segundo semestre.

As projeções do Itaú BBA apontam que, no terceiro trimestre, a operação brasileira da Natura deve mostrar uma aceleração no crescimento, com expectativa de crescimento de média de um dígito em comparação anual, o que validaria a tese de recuperação da empresa. O banco apresenta uma classificação outperform para as ações da Natura (equivalente a compra), com um preço-alvo de R$ 14.

*Com informações da Reuters

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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