Alerta do Ministério da Fazenda sobre Golpes Cibernéticos
O Ministério da Fazenda emitiu, na última sexta-feira (15), um comunicado alertando sobre a existência de um portal fraudulento que se aproveita do programa Desenrola 2.0, uma nova versão do programa de renegociação de dívidas do governo federal, para efetuar golpes cibernéticos.
De acordo com a pasta, ao acessar a página fraudulenta, os usuários são solicitados a pagar uma “taxa administrativa” para que seus nomes sejam retirados das listas de endividados em um prazo de até cinco dias.
Para concluir a transação, o site falso solicita dados como o CPF (Cadastro de Pessoa Física) para verificar uma suposta elegibilidade ao programa, além de utilizar um chat para coletar informações sobre o tipo de dívida da vítima.
No entanto, a Fazenda enfatiza que “não há cobrança de taxa para participar do Novo Desenrola Brasil”.
Além disso, empresas especializadas em cibersegurança já identificaram fraudes associadas ao programa. O site fraudulento imita o design do portal oficial do governo, aplicando as mesmas cores e tipos de fonte, e reproduz notas oficiais da Fazenda para aumentar a credibilidade da página.
Os golpistas divulgam o programa com promessas de limpeza de nome “com descontos de até 96%” e incentivam o usuário a “Verificar Elegibilidade” inserindo seu CPF.
Após essa etapa, o site apresenta informações detalhadas sobre o programa, introduzindo uma armadilha inicial. Menciona uma “Taxa de Adesão ao Programa” e uma “Taxa Administrativa e de Processamento Eletrônico”, cujo valor total é de R$ 92,80, cobrado via Pix QR Code ou código de cópia e cola.
Impacto da Inadimplência e Propensão a Golpes
Conforme o último Mapa da Inadimplência publicado pela Serasa em março deste ano, cerca de 82,2 milhões de brasileiros estão com nomes negativados, representando mais da metade da população adulta do país.
Por essa razão, Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A, uma empresa focada em soluções tecnológicas e análise de fraude, destaca que golpes como o mencionado estão se tornando cada vez mais frequentes e simples de executar.
“O mundo da fraude não se restringe ao digital. Dada a quantidade de pessoas inadimplentes no país, para realizar uma fraude, não é necessário ser um hacker. Qualquer indivíduo mal-intencionado pode, em poucas ligações, encontrar um brasileiro que esteja enfrentando dificuldades financeiras”, esclarece.
Comumente, devido ao desespero, as vítimas acreditam rapidamente nos golpistas e fornecem seus dados e dinheiro em troca da promessa de limpar seu nome, sem perceber os sinais de fraude associados à transação, acrescenta Costa.
Além disso, o executivo afirma que, diferentemente da versão anterior do Desenrola, o novo programa do governo não é um serviço online. Para renegociar dívidas, as pessoas devem entrar em contato diretamente com as instituições financeiras.
“Se você tem alguma dúvida, procure uma agência bancária. Essa é a melhor forma de se proteger”, recomenda.
Dicas para Evitar Golpes
O Brasil registrou quase 12 milhões de tentativas de golpe durante o ano de 2025, o que equivale a uma tentativa a cada três segundos, segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Uma pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizada pela Datafolha, revelou que os golpes financeiros via internet ou celular atingiram aproximadamente 26,3 milhões de pessoas nos últimos 12 meses.
Em razão disso, Celso Gonzales Saes, professor dos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas de Informação do IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo), fornece orientações sobre como identificar os sinais de fraude para que as pessoas não sofram prejuízos.
Segundo Saes, a engenharia social que envolve golpes não funcionaria sem um fator crucial: a PNL (programação neurolinguística). Isso significa que os golpistas buscam acessar as emoções dos usuários para provocar uma reação desejada.
“Esse é o aspecto mais perigoso do golpe. O criminoso é capaz de induzir a pessoa a um estado de envolvimento emocional tão intenso que ela perde a percepção de sinais básicos de fraude e age motivada pela expectativa de resolver um problema urgente”, explica.
Geralmente, as fraudes são acompanhadas de mensagens que transmitem senso de urgência, tais como “última oportunidade para limpar seu nome”, “desconto disponível apenas hoje”, “regularize agora para evitar bloqueios”, entre outras.
Nessa situação, ocorre uma desconexão temporária do pensamento crítico. As vítimas deixam de verificar pontos fundamentais, como o endereço do site, ignoram possíveis erros de segurança, não confirmam a autenticidade da instituição e realizam pagamentos acreditando estar diante de uma oferta legítima.
Segundo o professor, os idosos figuram entre os principais alvos, pois geralmente têm menor familiaridade com tecnologia e confiam mais em mensagens que parecem oficiais. Contudo, este grupo não é o único afetado.
Pessoas com baixa alfabetização digital também são frequentemente vítimas de fraudes como promoções falsas, fake news, aplicativos maliciosos e golpes relacionados ao Pix.
“Jovens e usuários ativos na internet, apesar de uma maior familiaridade digital, também sofrem consideravelmente, pois compartilham muitas informações pessoais e clicam rapidamente sem a devida verificação. Executivos e gestores podem ser alvo de ataques mais sofisticados, classificados como whaling, cujo objetivo é a espionagem comercial e o sequestro de dados”, comenta.
Para garantir sua segurança, é importante estar atento aos seguintes sinais:
- URL (link) estranha ou diferente do site oficial;
- Uso de subdomínios enganosos;
- Pressão psicológica e urgência exagerada;
- Erros de português e aparência suspeita;
- Solicitação de informações sensíveis;
- Falta de HTTPS (cadeado de segurança na barra de endereço) ou certificado suspeito;
- Pop-ups excessivos e comportamento irregular;
- Ofertas que parecem “boas demais”;
- Links recebidos por mensagens duvidosas;
- Pedido de instalação de aplicativos ou extensões;
- Cópias quase perfeitas de sites conhecidos;
- Formas de pagamento incomuns.
Saes e Costa também recomendam que, em casos de golpes envolvendo mensagens de WhatsApp e ligações, o indivíduo evite clicar em links suspeitos e preste atenção ao DDD (Discagem Direta a Distância) das chamadas.
Orientações em Caso de Golpe
Se um usuário perceber que caiu em um golpe após realizar uma transação via Pix ou compartilhar seus dados, o professor do IFSP sugere que interrompa imediatamente o contato com a página fraudulenta. “Não baixe arquivos adicionais e não continue diálogos suspeitos”, orienta.
Após essa primeira medida, Saes ressalta que é essencial trocar todas as senhas de e-mail, banco e redes sociais, optando por um novo código forte e ativando a autenticação em dois fatores.
De acordo com o CEO da PH3A, essa recomendação é fundamental. “A autenticação em duplo fator é o cinto de segurança do mundo digital, pois garante que, caso alguém esteja utilizando seus dados, uma notificação será enviada ao seu telefone ou e-mail”, acrescenta.
Saes ainda sugere que os usuários analisem suas movimentações financeiras e entrem em contato com os bancos para proceder ao bloqueio de cartões, bem como contestar transações, pagamentos via Pix, compras e empréstimos indevidos.
“É importante também monitorar a presença de extensões e aplicativos desconhecidos e registrar provas, incluindo URLs falsas, diálogos, e-mails e comprovantes de transações”, complementa.
Com todas essas informações em mãos, o processo de denúncia torna-se consideravelmente mais simples. É possível registrar um boletim de ocorrência em delegacias especializadas em crimes cibernéticos e denunciar os sites fraudulentos em plataformas como o CERT.br e a SaferNet Brasil.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


