A Jefferies recomenda “desempenho abaixo da média” para a Mobileye e estabelece preço-alvo de US$ 8, prevendo uma queda de 24%. Entenda os riscos envolvidos.
A Jefferies inicia cobertura com classificação de desempenho abaixo da média
A Mobileye Global (NASDAQ:MBLY) enfrenta possíveis riscos de desvalorização relacionados a desafios estruturais presentes no setor, assim como à concentração de sua base de clientes. Essas afirmações foram feitas pela Jefferies, que deu início à cobertura das ações da empresa com uma recomendação de “desempenho abaixo da média” e fixou um preço-alvo de US$ 8 para os papéis. A meta de preço sugerida indica uma redução de cerca de 24% em relação ao fechamento anterior da ação, que foi de US$ 10,53.
A avaliação da Jefferies fundamenta-se em uma metodologia conhecida como soma das partes, utilizando um múltiplo combinado de valor da empresa sobre vendas de 1,9x projetado para 2027 em todos os segmentos de negócios em que a Mobileye atua. Essa análise resultou em uma estimativa de avaliação patrimonial de aproximadamente US$ 6,51 bilhões, o que se traduz em US$ 8 por ação, considerando 816 milhões de ações em circulação.
A análise também inclui um caixa líquido estimado em aproximadamente US$ 1,59 bilhão. Além disso, a relação preço/lucro implícita ao preço-alvo é de 21,2x. “Consideramos que o risco está inclinado para o lado negativo, dado o contexto de ameaças estruturais e a dependência de clientes-chave”, afirmou a Jefferies, ressaltando que “a reavaliação das ações depende, em última instância, de um pequeno conjunto de resultados que são altamente incertos”.
Liderança de mercado ofuscada por preocupações de longo prazo
A Mobileye, que possui cerca de 75% de suas ações controladas pela Intel, atualmente domina uma participação estimada de 70% no mercado global de sistemas avançados de assistência ao condutor. No entanto, nos últimos três anos, as ações da empresa sofreram uma queda de cerca de 75%. Essa diminuição no valor das ações ocorre enquanto seu múltiplo de valor da empresa dividido pelo EBIT se aproxima dos níveis padrão observados entre fornecedores automotivos, ao passo que anteriormente apresentava uma valorização mais típica de empresas de tecnologia de alto crescimento, conforme dados da FactSet citados pela Jefferies.
Previsões de receita e margem permanecem positivas
A Jefferies prevê que a receita da Mobileye alcançará US$ 1,98 bilhão até 2026, o que representa um crescimento de 2,8%. Além disso, a corretora estima que as vendas aumentarão para US$ 2,24 bilhões em 2027 e US$ 2,86 bilhões em 2028, refletindo taxas de crescimento de 15,2% e 29,2%, respectivamente. As margens EBIT ajustadas devem estar em torno de 10,4% em 2026, 13,7% em 2027 e 19,2% em 2028.
No ano fiscal de 2025, a Mobileye reportou uma receita total de US$ 1,89 bilhão, com um EBIT ajustado de US$ 280 milhões e uma margem EBIT ajustada de 14,8%. Em relação às estimativas consensuais do mercado, a Jefferies afirmou que suas previsões para 2026 e 2027 estão amplamente alinhadas. Contudo, sua estimativa de EBIT ajustado para 2028, que é de US$ 550 milhões, aparece cerca de 10% abaixo da expectativa consensual de US$ 609 milhões. A empresa também prevê um lucro por ação ajustado de US$ 0,27 em 2026, US$ 0,38 em 2027 e US$ 0,63 em 2028.
Aquisição e recompra de robôs incluídas nas previsões
A Jefferies prevê que a posição de caixa líquida da Mobileye aumente de US$ 1,84 bilhão no final de 2025 para US$ 2,16 bilhões em 2028, apesar de um declínio temporário em 2027 relacionado a gastos com aquisições. A corretora também considerou uma saída de caixa de US$ 591 milhões em 2026, vinculada à compra planejada da empresa de robótica humanoide Mentee Robotics, que será adquirida por um montante total de US$ 900 milhões, sendo US$ 612 milhões em dinheiro e o restante em ações.
O modelo da corretora também pressupõe um programa de recompra de ações da ordem de US$ 250 milhões em 2026.
Jefferies destaca três riscos principais
A Jefferies identificou três preocupações estruturais significativas que podem impactar a viabilidade do investimento na Mobileye. Em primeiro lugar, o banco indicou que o crescimento projetado de produtos com maior autonomia, que incluem o Surround ADAS e o SuperVision, já está refletido nas expectativas do mercado e está fortemente dependente do Grupo Volkswagen, que tem manifestado interesses em desenvolver internamente suas próprias capacidades de condução autônoma.
Em segundo lugar, a corretora expressou que o lançamento previsto do robotáxi VW/MOIA pode atuar como um catalisador a curto prazo, mas também apresenta incertezas sobre sua viabilidade econômica a longo prazo. O cenário mais otimista supõe a operação de 1.000 veículos robotáxi em 2027, número que poderia aumentar para 13.000 em 2029, com receitas estimadas de US$ 84 milhões e US$ 530 milhões, respectivamente. Contudo, a Jefferies questiona se a estrutura de preços da Mobileye, que inclui uma taxa inicial de US$ 40.000 e cobranças de US$ 0,20 por milha, pode ser ampliada com sucesso.
Por último, a Jefferies alertou que sistemas concorrentes de inteligência artificial de ponta a ponta, desenvolvidos por empresas rivais como a Wayve, podem representar um desafio à arquitetura modular baseada em mapas da Mobileye.
Cenários de alta e baixa
O cenário otimista traçado pela Jefferies atribui um valor às ações em US$ 14,80, assumindo que a receita supere as previsões básicas em 15%, que as margens EBIT ajustadas alcancem 15% em 2027 e que as ações sejam negociadas a um múltiplo EV/vendas de 3,5x. Por outro lado, o cenário mais pessimista projeta um preço por ação de US$ 5,80, considerando uma receita que fique 15% abaixo das expectativas, uma margem EBIT de 10% e um múltiplo EV/vendas de 1,5x.

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