Ibovespa encerra em baixa devido a tensões entre EUA e Irã, desaceleração da China e pressão sobre Vale e siderúrgicas.

Ibovespa encerra em baixa devido a tensões entre EUA e Irã, desaceleração da China e pressão sobre Vale e siderúrgicas.

by Ricardo Almeida
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Resumo do Mercado no Dia 18/05

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou a segunda-feira, dia 18 de maio, com um leve recuo de 0,17%, fechando a 176.975 pontos. Este movimento indicou uma leve redução do entusiasmo dos investidores, embora houvesse uma tentativa de compensar as perdas conforme se aproximava o fechamento, influenciado pela recuperação dos índices futuros de Wall Street. Essa recuperação ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar o adiamento de um possível ataque ao Irã. Durante a sessão, a volatilidade foi alta em todo o mundo, enquanto os ativos do mercado doméstico mostraram um certo alívio, especialmente em relação à curva de juros e ao câmbio.

Volume e Expectativas do Mercado

O volume financeiro movimentado na bolsa brasileira alcançou R$ 18,0 bilhões, um patamar inferior à média dos últimos 50 pregões, que era de R$ 22,3 bilhões. Isso sugere uma postura mais conservadora por parte dos investidores. O contrato futuro do Ibovespa teve uma leve recuperação no período da tarde, refletindo uma diminuição da aversão ao risco. Por outro lado, o contrato futuro do dólar apresentou queda de 1,03%, com o dólar sendo cotado a R$ 5,022, o que acompanhou o enfraquecimento do índice DXY em nível global.

Fatores Externos que Influenciam o Mercado

O mercado de ações brasileiro enfrentou pressões resultantes de uma combinação de fatores tanto locais quanto externos. No cenário internacional, investidores estavam atentos ao risco de uma escalada militar no Oriente Médio, especialmente em função do aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Esta situação contribuiu para que o preço do petróleo se mantivesse em níveis historicamente altos, ampliando as preocupações globais relacionadas à inflação. Apesar de um alívio temporário após as declarações de Trump sobre o adiamento do ataque, a questão do fechamento do Estreito de Ormuz continua a ser uma preocupação constante, afetando as previsões sobre o crescimento econômico mundial.

Nos Estados Unidos, os índices S&P 500 e Nasdaq 100 apresentaram fechamento misto, enquanto existia preocupação em relação aos rendimentos das Treasuries e a expectativa em torno dos resultados da NVIDIA Corporation. Por sua vez, na China, dados desanimadores sobre produção industrial, vendas no varejo e investimentos contribuíram para preocupações acerca da desaceleração da economia, afetando diretamente as mineradoras e siderúrgicas que têm vínculos com o minério de ferro.

No Brasil, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) apresentou uma queda de 0,7% em março, performance abaixo do esperado. Além disso, o Boletim Focus revisou suas previsões para a inflação e a taxa Selic em 2026, elevando as expectativas. A Secretaria de Política Econômica também ajustou para cima sua estimativa do IPCA, em consequência do choque causado pelo preço do petróleo no mercado. Este cenário fortaleceu a percepção de que os juros permanecerão elevados por um período prolongado, uma visão que também foi corroborada pelo Bank of America, ao apontar a fragilidade do ambiente econômico para cortes futuros na Selic.

Destaques Corporativos

No pregão de segunda-feira, a Copasa registrou uma alta de 3,48% após o Tribunal de Contas de Minas Gerais conceder autorização para prosseguir com o processo de privatização da companhia de saneamento, o que reacendeu o interesse dos investidores. Em contrapartida, as maiores perdas do índice foram de CSN Mineração, que caiu 9,32%, CSN, com uma queda de 4,21%, e BRF, que registrou uma perda de 3,50%. A CSN Mineração e a CSN foram adversely afetadas pela redução no preço do minério de ferro e pela deterioração das previsões econômicas para a China, enquanto a BRF enfrentou pressão devido aos custos globais de energia e das commodities agrícolas.

Impacto das Ações no Índice

Entre os maiores detratores em pontos do índice estiveram as ações ordinárias da Vale, uma das principais empresas globais de mineração focadas em minério de ferro e metais básicos; da WEG, que é uma referência em motores elétricos, automação industrial e equipamentos de energia; e do Banco do Brasil, que é um dos maiores bancos do Brasil, com significativa atuação em crédito, agronegócio e serviços financeiros. As ações mais negociadas do dia foram, mais uma vez, Vale, Petrobras e bancos, o que reflete a alta concentração do fluxo da bolsa brasileira em setores de commodities e financeiro.

Mercado de Juros Futuros

O mercado de juros futuros da B3 teve um dia de forte alívio na segunda-feira, 18 de maio, após o estresse significativo observado na sexta-feira anterior. Os contratos de DI futuro fecharam em queda ao longo da maior parte da curva de juros, com os vértices intermediários liderando a tendência de encerramento, apresentando recuos de até 15 pontos-base. A parte curta da curva também mostrou acomodação moderada, refletindo a expectativa de taxas de juros altos, em função da piora das previsões inflacionárias no Boletim Focus e do ajuste de projeções do IPCA pela Secretaria de Política Econômica.

Os vértices de maturidade média e longa responderam de maneira mais contundente ao alívio observado nos Treasuries, além de uma redução parcial das tensões geopolíticas que afetam o petróleo e o Oriente Médio. Adicionalmente, a queda do dólar futuro e a percepção entre os investidores de que o Banco Central poderá manter uma postura rigorosa, mas sem a necessidade imediata de elevações agressivas na Selic, também contribuíram para o alívio no mercado. No entanto, os investidores continuam a monitorar atentamente os impactos do choque energético global sobre a inflação, a atividade econômica e os custos de financiamento no Brasil.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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