Impactos do Super El Niño na Geração de Energia Elétrica
O setor de geração de energia elétrica é apontado como um dos mais vulneráveis ao fenômeno do “Super El Niño”, conforme análise da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOOA) e reforço da Genial Investimentos. Nesse contexto, a Axia pode ser uma das ações que experimentem um impacto significativo.
Compreendendo o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as temperaturas das águas superficiais do oceano Pacífico apresentam um aumento superior ao normal por vários meses. Esse aquecimento provoca alterações no clima global. No Brasil, as consequências incluem aumento das chuvas nas regiões sul, enquanto o norte e o nordeste podem enfrentar períodos de seca.
A previsão meteorológica do NOOA indica que, no segundo semestre de 2026, há uma probabilidade de ocorrência de um “super” El Niño, caracterizado pela intensificação de eventos climáticos extremos.
Setores e Ações com Maior Risco
Com a iminente ocorrência do fenômeno, a Genial Investimentos destacou quais setores e ações apresentam maior risco de serem impactados por suas consequências climatológicas.
Energia Elétrica/Geração de Energia Elétrica
De acordo com os analistas, empresas do setor de geração de energia elétrica podem ser afetadas diretamente por cenários hidrológicos severos. Nesse sentido, a Axia Energia (AXIA3) se destaca como uma ação que deve gerar mais preocupação entre os investidores, uma vez que 64% de sua operação está concentrada nas regiões Norte e Nordeste, que são apontadas como as mais afetadas pela seca.
Em contraste, a Copel (CPLE3), que apresenta maior exposição à região Sul, pode ser favorecida devido à expectativa de aumento nas chuvas.
Mineração/Siderurgia
O relatório também sinaliza riscos para as ações da Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3), Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5).
Os especialistas alertam que chuvas extremas podem prejudicar a produção mineral e ocasionar distúrbios logísticos e ferroviários, levando a interrupções operacionais e diminuição da capacidade de transporte. Além disso, com a redução dos reservatórios hidrelétricos, os custos de energia tendem a aumentar, o que pode pressionar as margens das siderúrgicas.
Bancos
Em relação aos bancos, o impacto do El Niño está diretamente relacionado com suas carteiras de crédito rural. As mudanças climáticas extremas podem afetar a produção agrícola, o que compromete a capacidade de pagamento dos produtores rurais, conforme detalha o relatório.
Os bancos que estão mais expostos ao setor agrícola, como Banco do Brasil (BBAS3), Banco ABC (ABCB4) e Banrisul (BRSR6), são os que provavelmente enfrentarão maiores dificuldades.
Agronegócio
Os riscos climáticos associados ao El Niño impactam de maneira direta a produtividade por hectare, a qualidade das culturas e o volume total de colheitas no setor agropecuário. As ações que devem sofrer os maiores efeitos são a SLC Agrícola (SLCE3) e a BrasilAgro (AGRO3), principalmente em culturas como milho safrinha, soja, cana e algodão. Essa situação ocorre em um período em que as margens e o EBITDA das empresas já estão sob pressão.
A Genial Investimentos menciona que, embora a diversificação geográfica e os contratos de hedge possam oferecer alguma proteção, esses mecanismos não são capazes de eliminar totalmente os riscos operacionais e financeiros que essas empresas enfrentam.
*Com supervisão de Juliana Américo
Fonte: www.moneytimes.com.br

