EUA e Brasil definem taxas de juros em meio a incertezas sobre a paz no Oriente Médio

EUA e Brasil definem taxas de juros em meio a incertezas sobre a paz no Oriente Médio

by Fernanda Lima
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Decisões de Política Monetária: Brasil e Estados Unidos

Os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciarão nesta quarta-feira (17) suas decisões sobre política monetária em um contexto marcado por inflação elevada e incertezas geopolíticas.

Cenário Geopolítico e Economia Global

O ambiente de incerteza ganhou uma nova dimensão nesta semana, após os governos dos Estados Unidos e do Irã anunciarem um acordo preliminar para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento global de petróleo.

Ainda que essa notícia traga um alívio aos investidores ao redor do mundo, a ausência de informações precisas sobre os termos do acordo e sua viabilidade continua a gerar cautela, e a expectativa é de que isso não impacte significativamente os resultados esperados para as decisões desta “Superquarta”.

A Expectativa para o Copom e o Fomc

A maioria do mercado projeta que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14,25% ao ano.

No que diz respeito ao Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) do Federal Reserve dos Estados Unidos, as expectativas giram em torno da manutenção da taxa de juros entre 3,5% e 3,75%. Caso essa expectativa se confirme, será a quarta reunião consecutiva em que as taxas permanecem inalteradas.

Conforme especialistas entrevistados pela CNN Money, os comunicados das autoridades monetárias e as indicações sobre os próximos passos na política de juros serão mais relevantes do que as próprias decisões.

Desafios para a Inflação

Em ambos os países, a inflação continua acima do desejado, e as incertezas geopolíticas e fiscais complicam a redução das taxas de juros.

No Brasil, uma dúvida chave é se o corte anunciado marcará o fim do atual ciclo de afrouxamento monetário.

A avaliação de instituições financeiras de grande porte indica que o espaço para novas reduções nas taxas está cada vez mais limitado.

Em recente relatório, a XP Investimentos manifestou que “o fluxo de dados e notícias econômicas desde a última reunião do Copom indica deterioração adicional no cenário de inflação” e indicou que o Comitê deverá adotar uma postura mais cautelosa.

A instituição também observa que a conjunção de uma atividade econômica mais forte, estímulos fiscais, desvalorização cambial e expectativas de inflação elevadas aumentam os riscos relacionados à convergência da inflação à meta estabelecida.

O relatório da XP destaca: “Acreditamos que os dados e notícias econômicas recentes sugerem cautela adicional na condução da política monetária e podem convencer os membros do Copom a pausar o ciclo de flexibilização em breve.”

Além disso, a estimativa do Banco Central para a inflação ao final de 2027 foi revista de 3,5% para 3,6%, ainda acima da meta fixa de 3%.

Perspectivas do Goldman Sachs

O Goldman Sachs prevê, por sua vez, um corte de 0,25 ponto percentual, mas acredita que as chances de manutenção da Selic são consideráveis. Para o banco, o cenário permanece desafiador devido à inflação.

O relatório do Goldman aponta que, embora a taxa de juros real preliminar ainda seja bastante alta, a margem de manobra para cortes nas taxas é extremamente reduzida. Eles atribuem uma probabilidade de 40% à manutenção da Selic nesta “Superquarta”.

Comentários do Economista-chefe

Em uma entrevista concedida à CNN Money, Luiz Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, destacou que o cenário externo tornou-se mais favorável para uma redução na taxa básica de juros, especialmente após a diminuição das tensões no Oriente Médio.

Leal afirmou: “Até a semana passada, o mercado estava muito nervoso e havia descartado qualquer possibilidade de corte nesta reunião. Agora, com o acordo, o cenário melhorou, a pressão na curva de juros diminuiu e o ambiente parece mais propício a um corte de 0,25%.”

Contudo, ele ressaltou que a inflação atual está acima do teto da meta e que as expectativas de longo prazo estão desancoradas. Programas que incentivam o crédito e medidas voltadas ao aumento da demanda limitam o espaço para cortes nas taxas.

Fed dos EUA Mantém Juros Estáveis

Nos Estados Unidos, o consenso do mercado indica que o Fed manterá as taxas de juros estáveis, já que o banco ainda enfrenta dificuldades para conduzir a inflação de volta à meta de 2%.

Diante disso, Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, afirmou: “Há um amplo consenso de que o Fomc não deverá alterar as taxas de juros amanhã. Na verdade, crê-se que, se o cenário macroeconômico não mudar significativamente, não teremos alterações nos Fed Funds (taxa efetiva dos fundos federais) por um longo período.”

No mês de março, a maioria dos membros do Fed previa dois cortes de juros para este ano. Contudo, a situação atual leva os investidores a questionar a validade desse cenário diante das incertezas relacionadas ao acordo de paz no Oriente Médio, que podem alterar as perspectivas para os preços de energia.

Igliori concluiu: “Dadas as incertezas atuais, será fundamental compreender como as autoridades veem a dinâmica futura da inflação e o equilíbrio de riscos.”

Reunião do Federal Reserve

Quanto à reunião do Federal Reserve, Leal mencionou que a ocasião é particularmente significativa por dois motivos. O primeiro é que se trata de uma reunião de fim de trimestre, em que os membros do Fed divulgam suas projeções para o PIB, inflação, desemprego e trajetória de juros.

Em março, a expectativa predominante era a de dois cortes de juros ao longo do ano, mas o novo cenário levanta dúvidas sobre a possibilidade de cortes, ou até mesmo sobre possíveis aumentos.

A segunda razão é que esta será a primeira reunião sob a orientação de Kevin Walsh, que também realizará sua primeira entrevista coletiva após a decisão.

Leal comentou: “Precisamos observar a postura de Kevin Walsh na entrevista pós-reunião”, ressaltando que Walsh apresentou, em sua sabatina, ideias distintas sobre a comunicação do Fed e os parâmetros de inflação que a instituição adota.

O resultado esperado para os Estados Unidos, conforme o economista, é a manutenção dos juros nos níveis atuais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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