A SpaceX (NASDAQ: SPCX) continuou sua recuperação nas negociações pré-mercado da quarta-feira, após um breve período de perdas que levaram suas ações a um preço abaixo do valor de abertura pós-IPO. As ações da empresa fecharam em alta de 0,9% na terça-feira, alcançando o valor de US$ 156,06, após ter registrado uma queda para US$ 147,11 durante o pregão, abaixo do preço de abertura de US$ 150, que foi estabelecido em 12 de junho. No pré-mercado, às 5h43 (horário de Brasília), as ações subiram mais 1,2%. Apesar de ainda estarem acima do preço do IPO, que foi de US$ 135, investidores que adquiriram ações após a abertura de capital observaram a perda de grande parte dos ganhos iniciais. As ações da SpaceX atingiram um pico de US$ 225,64 logo após sua estreia no mercado.
A SpaceX também é negociada na B3 por meio da BDR (BOV:SPCX34).
Vendas recentas levantam questões sobre a avaliação
A recuperação nos preços ocorre após uma queda acentuada de 16,4% na segunda-feira, quando a KeyBanc adotou uma perspectiva mais cautelosa em relação às ações, afirmando que a avaliação da empresa se tornou excessiva após sua rápida valorização pós-IPO. Essa fraqueza foi observada em meio a uma liquidação generalizada de ações do setor tecnológico, com o Nasdaq 100 registrando uma queda de cerca de 2,9% e o S&P 500 recuando 1,6%. O setor de semicondutores enfrentou pressão e os investidores reavaliaram o entusiasmo em relação a investimentos ligados à inteligência artificial. A queda de segunda-feira resultou em aproximadamente US$ 400 bilhões em valor de mercado eliminados e intensificou o debate sobre se as perspectivas de crescimento de longo prazo da SpaceX podem sustentar sua avaliação atual.
Baird vê potencial fusão entre Tesla e SpaceX
Com a oferta pública inicial (IPO) já finalizada, analistas da Baird acreditam que a atenção dos investidores poderá se concentrar cada vez mais na possibilidade de uma fusão entre a Tesla (NASDAQ: TSLA) e a SpaceX. A empresa destacou que tal transação parece “tão provável de acontecer em breve quanto em breve”. Os analistas identificaram uma justificativa estratégica clara e convincente para a fusão, com ambas as empresas se beneficiando de maiores escalas. Eles também observaram que questionamentos podem surgir em relação à análise regulatória, mas não esperam um escrutínio significativo devido à sobreposição limitada dos mercados finais. Contudo, a Baird acrescentou que o momento de qualquer fusão permanece incerto. Em relação ao cronograma de uma possível fusão, que é difícil de prever, eles preveem um período de espera enquanto a SPCX integra a recente fusão com a xAI e se consolida mais amplamente como uma empresa de capital aberto.
Um balanço patrimonial sólido sustenta os planos de crescimento
A SpaceX anunciou na segunda-feira uma oferta de títulos seniores não garantidos, informando que possui aproximadamente US$ 100,8 bilhões em caixa e equivalentes de caixa em 19 de junho. A empresa destacou que os recursos obtidos com a emissão da dívida serão direcionados para a quitação de obrigações de financiamento-ponte e para apoiar atividades corporativas gerais. A considerável posição de caixa oferece maior flexibilidade à medida que a SpaceX continua a investir em comunicações via satélite, inteligência artificial e tecnologias de lançamento avançadas.
Analistas divergem sobre a avaliação
A KeyBanc iniciou a cobertura da SpaceX com uma classificação de “Peso do Setor”, afirmando que grande parte da oportunidade de crescimento de longo prazo da empresa já está refletida no preço atual das ações. A corretora descreveu a SpaceX como “a líder dominante em lançamentos espaciais e setores adjacentes ao espaço”, porém, indicou que o perfil de risco-retorno das ações parece equilibrado até que os investidores tenham maior clareza sobre o desenvolvimento da Starship. De acordo com o relatório, seis analistas mantêm recomendações de compra para as ações, enquanto a KeyBanc permanece neutra e a CFRA é a única corretora relevante com uma recomendação de venda. A KeyBanc observou que as ações estão sendo negociadas a aproximadamente 29 vezes a receita projetada para 2027 e 71 vezes o EV/EBITDA estimado para 2027, o que representa um prêmio significativo em comparação com seus concorrentes nos setores de inteligência artificial e comunicações.
Starlink continua sendo o principal motor de lucro
Atualmente, a SpaceX opera em três segmentos principais: Conectividade, Espaço e Inteligência Artificial. A divisão de Conectividade, que inclui a rede de internet via satélite Starlink, gerou cerca de 61% da receita da empresa em 2025, continuando a ser a principal fonte de lucros do grupo. A Starlink teve uma receita aproximada de US$ 11,4 bilhões durante o ano de 2025, apresentando uma margem EBITDA ajustada de cerca de 63%. Analistas acreditam que este negócio oferece proteção substancial contra perdas no cenário de investimento mais amplo. “Em escala suficiente, a Conectividade, por si só, é capaz de sustentar uma parcela significativa do valor da empresa, o que acreditamos limitar as perdas no cenário geral e permitir que os segmentos restantes (Inteligência Artificial e Espaço) sejam avaliados mais como um potencial de crescimento incremental do que como requisitos para a sustentação da tese”, afirmaram os analistas.
O crescimento da IA acelera, mas a execução continua sendo fundamental
O segmento de Inteligência Artificial da empresa foi criado após a fusão com a xAI em fevereiro de 2026 e inclui a plataforma de chatbot Grok, bem como a infraestrutura de computação correspondente. Embora a divisão continue a apresentar prejuízos, garantiu recentemente várias contratações de computação em larga escala, incluindo um contrato com a Anthropic, avaliado em aproximadamente US$ 1,25 bilhão por mês, e outro com o Google, valendo cerca de US$ 920 milhões por mês. A KeyBanc estima que a divisão de inteligência artificial poderá gerar aproximadamente US$ 50,6 bilhões em receita até 2027, tornando-se a oportunidade de crescimento mais significativa da SpaceX a médio prazo. Contudo, a corretora observou que a Grok atualmente apresenta baixa taxa de adoção empresarial, com apenas 3,1% de penetração no mercado americano, em comparação com 41% da Anthropic e 39,5% da OpenAI. Como resultado, os analistas descreveram os próximos 12 a 24 meses como uma fase crítica de “comprovação” para a plataforma.
O progresso da Starship continua sendo crucial
Os analistas identificaram a Starship como a variável mais importante nas perspectivas de investimento a longo prazo. Espera-se que o foguete de próxima geração desempenhe um papel central no lançamento de futuros satélites Starlink V3, reduzindo os custos de lançamento por meio da reutilização total e, eventualmente, contribuindo para a infraestrutura de data centers orbitais. O voo 13 da Starship está programado para ocorrer em 29 de junho. Embora os analistas mantenham uma perspectiva otimista em relação ao sucesso final do programa, alertaram que “adotamos uma abordagem conservadora em relação ao seu cronograma de desenvolvimento”. Atualmente, a SpaceX tem cerca de 13 bilhões de ações em circulação, das quais aproximadamente 5% estão disponíveis para negociação pública. A participação de 42% de Elon Musk está sujeita a um acordo de bloqueio até junho de 2027.
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Autor: Fiona Craig
Crédito da imagem: © SpaceX
Fonte: br.-.com
