O momento decisivo está se aproximando. O Estreito de Ormuz está atualmente se reabrindo, e nações do Oriente Médio que anteriormente paralisaram seus poços de petróleo durante o conflito estão prestes a retomar a produção e verificar o que encontraram.
A expectativa é de que a retomada da produção possa gerar uma abundância de petróleo. Contudo, se as previsões do ex-presidente Donald Trump se confirmarem, o que se pode ver são explosões subterrâneas resultando em poços que produzam apenas um pequeno fluxo de petróleo.
Embora isso seja considerado pouco provável, a afirmação traz um aspecto de verdade que não pode ser descartado.
Interrupções na Produção
Após o Irã ter efetivamente fechado o Estreito de Ormuz para navios petroleiros de outros países, muitos produtores de energia locais se viram sem espaço para armazenar o petróleo e o gás que acumularam. Este fechamento levou à interrupção da produção em diversos poços vizinhos no Oriente Médio. A ameaça de ataques aéreos, especialmente com drones, fez com que várias instalações na Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque também interrompessem suas atividades durante o conflito.
Neste mês, o Irã precisou interromper seu fornecimento de petróleo e gás para os próprios poços, após os EUA intensificarem o bloqueio no estreito. Vale destacar que essa interrupção não ocorre como um simples desligamento de um interruptor. Trata-se de um processo complexa de engenharia que requer planejamento meticuloso, podendo levar dias ou até semanas.
Quando a produção é encerrada, a pressão subterrânea pode ficar desequilibrada, resultando em deformações na estrutura subterrânea. Essa alteração pode danificar os reservatórios e provocar problemas em poços adjacentes. Em algumas situações, a infiltração de água pode diminuir o potencial de produção do poço.
“A preocupação reside no que ocorre quando as operações são retomadas”, afirmou Vikas Dwivedi, estrategista global de petróleo e gás do Macquarie Group. “É como uma caixa de bombons: você nunca sabe o que irá encontrar.”
Períodos prolongados de inatividade podem resultar em danos aos equipamentos. Bombas e sistemas de elevação são suscetíveis à corrosão. Areia e detritos têm a tendência de se acumular e causar obstruções.
Além disso, revestimentos e tubulações de concreto, usados para vedar e extrair o petróleo, podem perder a integridade, ocasionando vazamentos e a liberação potencial de gases nocivos. Em casos extremos, podem ocorrer explosões.
Possibilidades de Explosões
Nos meses anteriores, Trump frequentemente mencionou essa possibilidade nos meios de comunicação.
- 23 de abril, Salão Oval: “Se eles não conseguirem movimentar o petróleo, toda a infraestrutura petrolífera vai explodir. Sabe o que isso significa? Porque eles não têm onde armazená-lo e, por não terem onde armazená-lo, se tiverem que interromper a produção… algo acontece no subsolo que essencialmente o deixa em péssimo estado e a recuperação é impossível.”
- 26 de abril, Fox News: “Quando você tem, sabe, enormes quantidades de petróleo jorrando pelo seu sistema, se por algum motivo esse duto for fechado porque você não consegue mais colocá-lo em contêineres ou navios, o que aconteceu com eles (eles não têm navios por causa do bloqueio), o que acontece é que esse duto explode por dentro, tanto mecanicamente quanto no solo.”
- 4 de maio, Hugh Hewitt Show: “Sabe, o petróleo deles, quando se fecha a bomba, tanto a subterrânea quanto a mecânica, mas a subterrânea tem uma tendência, em quase 100% dos casos, de literalmente explodir e destruir tudo ao redor. E você nunca mais consegue extrair esse petróleo.”
Entretanto, a forma como Trump descreveu a situação não possui respaldo na realidade. Especialistas da indústria do petróleo afirmam que danos significativos – e muito menos explosões – provavelmente não ocorreram durante o período de guerra.
“Um ponto crucial a considerar é se essas paralisações prolongadas podem resultar em perdas permanentes de produção”, afirmou Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan. “É improbable que esses riscos sejam tão graves quanto alegado.”
Poços de petróleo já enfrentaram longos períodos de fechamento, inclusive no Irã. Durante os primeiros dias da pandemia de COVID-19, o mundo não tinha espaço para armazenar o combustível que não estava sendo consumido, levando a preços negativos para o petróleo. Produtores ao redor do mundo fecharam seus poços sem sofrer danos significativos ou duradouros.
Outros fornecedores do Oriente Médio também interromperam temporariamente suas operações quando os limites de produção da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) foram implementados.
A indústria do petróleo, mesmo nos confines turbulentos da economia iraniana, conseguiu administrar a situação adequadamente. E está prontamente preparada para enfrentar desafios semelhantes novamente. Além disso, a paralisação temporária dos poços pode, em certas circunstâncias, ser benéfica: pode reequilibrar a pressão subterrânea, potencialmente aumentando a produção futura.
Reinicializando a Produção
Retomar a produção ao final da guerra não é simples como apertar um botão. O cenário se complica, pois a produção deve ser reiniciada lentamente ao longo de várias semanas, garantindo que os reservatórios de petróleo bruto não colapsarem, o que exigiria novas perfurações e reparos significativos.
Os produtores enfrentarão o desafio de equilibrar a pressão subterrânea enquanto injetam água e gás nos poços para otimizar a extração do petróleo. Dada a proximidade dos poços na região, a retomada da produção exigirá uma coordenação considerável entre empresas e países para assegurar pressão constante em múltiplos poços. A ausência desse controle pode resultar em desabamentos, vazamentos e danos severos aos poços.
Cada vez que um poço é fechado, os produtores enfrentam o risco de redução no fluxo de petróleo ao reativá-lo. Para prevenir isso, algumas operadoras mantêm baixas taxas de fluxo de petróleo, semelhante a manter uma torneira pingando em condições frias para evitar congelamento nos canos.
Contudo, a indústria já possui conhecimento acerca dessas estratégias. O Irã tem vasta experiência em manobras de fechamento e reabertura de suas atividades.
Portanto, não se deve esperar um desfecho explosivo para esta narrativa específica.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

