Tensões entre Estados Unidos e Irã
As crescentes tensões entre os Estados Unidos e o Irã já causaram um impacto negativo na economia global que supera os efeitos dos choques do petróleo ocorridos na década de 1970. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial, apresentou dados que ajudam a compreender como as hostilidades e o bloqueio no Estreito de Ormuz influenciam a economia mundial.
Impacto na produção de petróleo
“Estamos falando de uma retirada da ordem de 13 milhões de barris por dia da produção mundial de petróleo. Se compararmos com os dois choques da década de 1970 combinados, eles significaram uma queda de 10 milhões de barris. Como se pode ver, este é um choque dramático e sem precedentes na estrutura de produção de energia no mundo”, destacou Braga.
Cenário de incertezas
Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a projeção para o crescimento do PIB mundial diminuiu de 2,8% para 2,1%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) apresenta uma previsão ainda mais pessimista, estimando uma expansão de apenas 2%.
Braga indica que realizar projeções econômicas neste momento é uma tarefa complexa, salientando que a situação pode se agravar ainda mais caso a crise se prolongue por mais de dois meses. “Tudo vai depender da situação nos preços das commodities, particularmente petróleo e gás natural. Agora, se a gente for além dos próximos dois meses, certamente os cenários mais dramáticos podem se concretizar", afirmou.
Produção de petróleo do Irã em risco
Um dos principais obstáculos resultantes do bloqueio naval na região está relacionado à produção e ao escoamento do petróleo pelos países locais. Braga menciona que o Irã se encontra no limite de sua capacidade de armazenamento. Se a situação não for resolvida dentro de quatro semanas, os poços de petróleo do país poderão ter que ser paralisados.
“O Irã já utilizou cerca de 55% a 60% de sua capacidade de estocagem. Se o bloqueio naval continuar pelas próximas quatro semanas, eles serão obrigados a fechar os poços produtivos. Isso tem um custo enorme para recuperar depois e trará um impacto ainda mais dramático para a economia mundial”, afirmou Braga.
Fonte: timesbrasil.com.br