Possibilidade de nova greve dos caminhoneiros alerta governo federal
Quase oito anos após a greve dos caminhoneiros que paralisou o Brasil por dez dias em 2018, o governo federal voltou a se preocupar com a possibilidade de uma nova mobilização nacional da categoria. A pressão aumenta em um cenário de alta nos preços do diesel, exacerbada pelos impactos da guerra no Oriente Médio.
Nesta quarta-feira (18), o debate sobre uma possível paralisação ganhou destaque nas redes sociais, gerando uma avalanche de publicações sobre o assunto, o que trouxe preocupação entre investidores e autoridades governamentais.
A inquietação é fundamentada. A última greve, que ocorreu durante a gestão de Michel Temer, afetou gravemente a cadeia de abastecimento do país e deixou consequências duradouras na economia.
Greve dos caminhoneiros: por que o risco preocupa
O movimento de greve teve início em 21 de maio de 2018, em um trecho da rodovia Presidente Dutra, localizado no estado do Rio de Janeiro. Em questão de dias, a paralisação se espalhou para todas as 25 unidades da federação.
Na ocasião, a mobilização levou o país à paralisia. Postos de gasolina ficaram sem combustível, prateleiras dos supermercados foram esvaziadas e diversas cadeias produtivas tiveram suas atividades interrompidas.
O impacto econômico foi significativo: a paralisação resultou em uma perda de 1,2 ponto percentual (pp) no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) daquele ano, conforme estimativas da época.
Alta do diesel foi o gatilho em 2018
A greve dos caminhoneiros teve como estopim o aumento abrupto nos preços do diesel, que ocorreu após uma mudança na política de preços da Petrobras (PETR4), a qual passou a atentar ao mercado internacional.
Entre julho de 2017 e maio de 2018, o preço do combustível nas refinarias teve um aumento acumulado de 56,5%, segundo dados do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O valor subiu de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro, excluindo impostos.
Considerando que o diesel representa aproximadamente 42% do custo do frete, essa alta comprometeu a rentabilidade da atividade e aumentou a insatisfação entre os caminhoneiros.
Reivindicações da greve dos caminhoneiros
Com o cenário crítico em mente, os caminhoneiros começaram a fazer pressão por medidas que pudessem reduzir os custos e trazer maior previsibilidade ao setor. As principais reivindicações incluíam:
- Redução da carga tributária sobre o diesel;
- Zeragem de tributos como PIS/Pasep, Cofins e Cide;
- Estabelecimento de regras mais estáveis para formação de preços;
- Implementação de um piso mínimo para o frete.
Diante dessas demandas, a greve dos caminhoneiros rapidamente ganhou força, com bloqueios em várias rodovias pelo país.
Como o governo reagiu à greve dos caminhoneiros
Para enfrentar a crise provocada pela greve, o governo federal iniciou um pacote emergencial que contemplava medidas diretas relacionadas ao preço do diesel e ao setor de transporte.
Entre as principais ações adotadas, destacam-se:
- Redução de R$ 0,46 no preço do diesel;
- Zeragem da Cide e cortes nos impostos PIS/Cofins;
- Criação de uma tabela de frete mínimo;
- Isenção de pedágio para caminhões vazios com eixo suspenso;
- Reserva de fretes da Conab para caminhoneiros autônomos.
A tabela de frete mínimo, em particular, enfrentou forte resistência de diferentes setores produtivos e passou por revisões até alcançar sua versão final.
Impacto fiscal da greve dos caminhoneiros
A resposta do governo à paralisação teve um alto custo para os cofres públicos naquele ano, com um gasto estimado em R$ 13,5 bilhões em subsídios ao diesel, um programa que ficou conhecido como “bolsa caminhoneiro”.
Para implementar esse pacote de medidas, foi necessário cortar incentivos fiscais de várias áreas e cancelar despesas, incluindo obras rodoviárias.
Contudo, a reação negativa de setores afetados levou o Congresso a revisar parte dessas ações, ampliando o desgaste político da administração à época.
*Com informações do Estadão e CNN Brasil
Fonte: www.moneytimes.com.br

