Estratégia de Segurança Nacional dos EUA e suas Implicações para a Europa
A nova estratégia de segurança nacional da Casa Branca causou preocupação na Europa na semana passada ao advertir que a região enfrenta uma “erradicação civilizacional” e questionar se ela conseguiria continuar sendo um parceiro geopolítico para os Estados Unidos.
O documento surpreendeu os aliados europeus ao criticar seus líderes, rotulando-os como “fracos”, e condenar a postura da região em relação à imigração, democracia e liberdade de expressão, além de destacar que seu poder econômico e militar está em declínio.
“Não é evidente se certos países europeus terão economias e forças armadas suficientemente robustas para continuar sendo aliados confiáveis”, afirmava o texto, acrescentando que a região sofre com a falta de autoconfiança. O documento também ressaltou a necessidade de os Estados Unidos reestabelecerem a “estabilidade estratégica” com a Rússia, mesmo diante da guerra contra a Ucrânia.
David Petraeus, ex-diretor da CIA e general do Exército dos EUA, comentou à CNBC que não é ruim que as nações europeias recebam um alerta para cuidarem de sua defesa e segurança.
A estratégia parece, de certa forma, criticar os europeus, mas, segundo Petraeus, isso é necessário, uma vez que ele presenciou quatro presidentes diferentes dos EUA tentando incentivar os europeus a investirem mais na própria defesa, e agora isso está realmente acontecendo.
Petraeus afirmou que o presidente Donald Trump teve um papel “muito, muito significativo” em fazer com que os europeus aumentassem seus gastos com defesa.
“Ele os fez se comprometer com o que já deveriam ter feito anos atrás”, destacou Petraeus, referindo-se ao acordo dos membros europeus da OTAN no início deste ano para aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB, após pressão contínua da administração Trump.
Situação Atual da Guerra na Ucrânia
Os comentários de Petraeus ocorrem em meio a esforços diplomáticos contínuos para encerrar a guerra na Ucrânia, com autoridades dos Estados Unidos mantendo diálogos sobre propostas de paz com contrapartes da Rússia e da Ucrânia nas últimas semanas.
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia, assim como seus aliados europeus, apresentaram diferentes planos de paz com demandas e “linhas vermelhas” conflitantes. Os principais obstáculos para a paz permanecem as divergências sobre as garantias de segurança pós-guerra para a Ucrânia e as exigências russas para que Kyiv ceda a região oriental de Donbas.
Washington estaria pressionando ambos os lados a chegar a um acordo antes do Natal, mas há ceticismo quanto à viabilidade dessa proposta. A Rússia, por sua vez, parece estar se beneficiando da crescente pressão que a Europa e a Ucrânia estão sofrendo por parte de Washington.
Petraeus expressou pouca fé na possibilidade de a Rússia aceitar um compromisso em relação a um plano de paz, já que Putin não demonstra sinais de que pretenda abrir mão de seus objetivos de guerra, como controle territorial, mudança de regime, e uma Ucrânia “desmilitarizada” sem perspectivas de adesão à OTAN.
“Sinto-me encorajado pela iniciativa impulsionada pelos Estados Unidos e apoiada pessoalmente pelo presidente Trump, assim como pelos seus negociadores diretos, para tentar pôr fim à guerra. Porém, não estou otimista quanto à resposta de Moscou”, declarou Petraeus.
“Vladimir Putin continua a reiterar que seus objetivos são as metas maximalistas que ele sempre manteve, as quais essencialmente negam a independência da Ucrânia. Ele deseja colocar um presidente pró-Rússia no lugar do presidente Zelenskyy … Ele quer desmilitarizar a Ucrânia [e] … quer terrar que se localiza na região mais fortificada da Ucrânia”, acrescentou.
Putin “não vai ceder”, enfatizou Petraeus.
Apoio Financeiro à Ucrânia e Ativos Congelados
Os aliados europeus da Ucrânia estão avaliando maneiras de continuar financiando a guerra contra a Rússia, além de considerar a reconstrução pós-guerra, que deve custar mais de US$ 500 bilhões, conforme estimativas das Nações Unidas, e a reparação russa.
A União Europeia estaria próxima de um acordo para mobilizar uma parte significativa dos aproximadamente 210 bilhões de euros (cerca de US$ 244 bilhões) de ativos soberanos russos atualmente congelados em instituições financeiras europeias.
No entanto, existem preocupações quanto às repercussões legais e a possível retaliação de Moscou; o chefe do conselho de segurança da Rússia advertiu na semana passada que o uso dos ativos russos seria equivalente a uma justificativa para a guerra.
Petraeus afirmou que, se a UE avançasse na utilização das reservas russas congeladas, isso representaria uma “mudança de jogo”.
“Já ouvimos muitas mudanças de jogo antes. Nunca acreditei muito nisso. Mas … 200 bilhões de dólares ou mesmo 100 bilhões de euros para a Ucrânia seriam realmente algo que mudaria o cenário. Isso resolveria seus problemas fiscais e econômicos por alguns anos”, finalizou.
Fonte: www.cnbc.com