A estratégia do PMLL11 para manter altos dividendos, segundo o gestor

Distribuição de Dividendos do Pátria Malls

O fundo imobiliário Pátria Malls (PMLL11) tem a intenção de manter uma distribuição mensal de R$ 1 por cota em dividendos até o final de 2026. Esta afirmação foi feita por Rodrigo Abbud, sócio e gestor de real estate do Pátria Investimentos no Brasil, em uma entrevista ao veículo Money Times.

De acordo com o gestor, o guidance se sustentará por diversas movimentações recentes do fundo, que incluem aquisições e vendas de ativos, além da potencial incorporação do RBR Malls FII, a qual ainda precisa ser aprovada em assembleia.

“A gente tinha dado uma projeção até o final do primeiro semestre (1S26). Mas com a fusão em potencial e a compra e venda de shoppings, conseguimos garantir esse R$ 1 até o final do ano, mesmo que o veículo não esteja gerando R$ 1 por mês proveniente dos aluguéis”, afirmou Abbud.

A Reorganização do Fundo

No contexto da incorporação, Abbud explicou que esta estratégia faz parte de um plano mais abrangente do Pátria para consolidar fundos imobiliários do mesmo segmento. O objetivo é torná-los mais robustos e líquidos.

“Hoje, existem diversas classes de ativos, como logística, lajes corporativas e shoppings, e nós, dentro do Pátria, atualmente administramos 34 veículos. Este número é o ideal? Não”, disse. “Portanto, o que desejamos é simplificar a estrutura e reunir os fundos que operam dentro do mesmo setor”, continuou.

Segundo o gestor, a iniciativa já foi testada em meados de 2025 no segmento logístico, com a fusão de veículos como HGLG11, LVBI11 e PATL11.

“Realizamos um projeto-piloto de incorporação com nossos fundos de logística e obteve sucesso. Agora, precisamos replicar essa estratégia para as outras classes de ativos”, acrescentou.

PMLL11: Incorporação em Curso

Em março, o PMLL11 convocou seus cotistas para deliberar sobre a incorporação de ativos do RBR Malls FII, em assembleia que permanece aberta até o final de maio.

Se a fusão for aprovada, o PMLL11, que atualmente possui participações em 14 empreendimentos em diferentes estados, passará a contar com 17 ativos em sua carteira.

“Não faz sentido manter dois fundos de shopping [PMLL11 e RBR Malls] operando juntos. Além disso, um fundo maior é mais benéfico para o cotista, pois oferece maior diversificação geográfica, de inquilinos, empreendimentos e riscos de crédito”, argumentou Abbud.

“Ele também aumenta a liquidez, a base de investidores e proporciona uma estabilidade maior nas distribuições de dividendos”, completou.

A Linha do Tempo do PMLL11

Atualmente, o PMLL11 é o antigo MALL11. O fundo, que passou a ter um novo ticker há poucos meses, foi incorporado à carteira do Pátria no segundo semestre de 2025, após a gestora adquirir seis FIIs que pertenciam à Genial Investimentos.

Além do MALL11, também participaram da operação os fundos BPFF11, PLCR11, SPTW11, GLOG11 e PLCA11.

Na época, a transação, considerada uma das maiores da indústria de fundos imobiliários até então, adicionou cerca de R$ 2,5 bilhões aos ativos sob gestão da área de real estate do Pátria no Brasil.

“Essa transação foi totalmente alinhada com nosso plano estratégico de três anos definido em 2024”, revelou Abbud. “Precisávamos entrar no setor de shoppings, que é grande, institucional e tem liquidez, e aproveitamos a oportunidade de adquirir da Genial.”

Reposicionamento do Portfólio

O MALL11 foi incorporado ao portfólio do Pátria com R$ 1,7 bilhão em patrimônio e participação em 15 empreendimentos. Desde então, o fundo passou por diversas alterações que vão além da simples mudança de ticker.

“Quando adquirimos o MALL11 da Genial, já era um ativo de qualidade. Contudo, ao estabelecer uma estratégia para ele, identificamos aspectos que precisavam de melhorias”, expressou o executivo.

“Quase 50% do fundo era composto por shoppings localizados no Rio de Janeiro. Essa concentração é considerada alta para qualquer estado. Em comparação, São Paulo tinha menos de 20%”, relatou, explicando que, a partir desse ponto, o fundo iniciou uma série de movimentações, incluindo trocas de empreendimentos, novas aquisições e a potencial fusão.

Pagamento em Cotas: A Chave do Momento e os Riscos Envolvidos

Abbud esclareceu que uma parte significativa das compras recentes do fundo foi realizada por meio de pagamento em cotas, ao invés de utilizar capital em caixa, o que contribui para a manutenção dos altos níveis de proventos.

Segundo ele, esse modelo encontrou espaço em um cenário de juros elevados e menor disponibilidade de capital no mercado.

“Atualmente, não há recursos para pagar transações em cash. Com a taxa Selic próxima de 15%, captar fundos se tornou desafiador”, detalhou. “Assim, optar pelo pagamento em cotas se torna um subterfúgio para adquirir imóveis a preços vantajosos.”

Apesar dos benefícios, esse modelo vem gerando preocupações entre os investidores, especialmente em relação à pressão vendedora nas bolsas após as operações.

No entanto, ao ser questionado sobre esse aspecto, o sócio do Pátria destacou que, em sua perspectiva, o risco se apresenta quando as emissões são excessivas ou realizadas sem uma estratégia clara.

“A saída é limitada. Se um fundo imobiliário dobra de tamanho emitindo cotas para efetuar pagamentos, isso pode, de fato,impactar negativamente o preço na bolsa”, enfatizou.

O gestor, no entanto, afirmou que, para mitigar esse efeito, tem restringido o volume das emissões e priorizado negociações com investidores institucionais, que tendem a ser mais “racionais” na gestão das posições recebidas.

“Os investidores de pessoa física, muitas vezes, reagem de forma irracional e vendem sem pensar. Já os institucionais costumam ser mais seletivos, segurando os ativos ou negociando de maneira muito mais gradual, reconhecendo seu valor.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

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