A explosão da inteligência artificial reflete os mesmos sinais da bolha das pontocom, afirma Goldman Sachs.

A explosão da inteligência artificial reflete os mesmos sinais da bolha das pontocom, afirma Goldman Sachs.

by Fernanda Lima
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Os mercados financeiros demonstram crescentes preocupações em relação às semelhanças entre o atual crescimento do setor tecnológico e a bolha especulativa registrada em 1999. O debate sobre a possibilidade de que a inteligência artificial (IA) esteja se transformando em uma bolha ainda persiste, mas diversos indicadores apontam para a necessidade de cautela por parte dos investidores.

Essa análise foi realizada pelos estrategistas do Goldman Sachs, que emitiram um alerta em uma nota divulgada no domingo. Eles observaram que o crescente entusiasmo do mercado em torno da IA “corre o risco de reproduzir o estouro da bolha da internet do início dos anos 2000”.

Importante destacar que, apesar de as avaliações atuais não terem ultrapassado os níveis extremos do final da década de 1990, especialistas afirmam que o frenético investimento em IA reflete com precisão a mania do início dos anos 2000.

Os analistas do banco alertam: “Estamos vendo um risco crescente de que os desequilíbrios acumulados na década de 1990 se tornem mais evidentes à medida que o boom de investimentos em IA avança.” Eles complementaram que as despesas relacionadas à IA lembram os altos investimentos em tecnologia em 1997, anos antes do colapso da bolha da internet.

Para auxiliar os investidores a se orientarem no atual contexto, o Goldman Sachs destaca cinco sinais de alerta que precederam a derrocada das ações de tecnologia há mais de duas décadas.

1. Gastos máximos com investimentos

Conforme indicado pelo Goldman Sachs, o investimento em tecnologia alcançou níveis extremos no final da década de 1990, quase coincidente com o início do colapso da bolha da internet. O investimento em hardware e software atingiu “níveis excepcionalmente altos”, chegando ao seu ápice em 2000, quando os gastos nos setores de telecomunicações e tecnologia representaram aproximadamente 15% do PIB dos Estados Unidos.

Atualmente, os investidores expressam novamente sua preocupação em relação aos gastos recordes em IA realizados pelas principais empresas de tecnologia. O Goldman Sachs estima que Amazon, Meta, Microsoft, Alphabet e Apple possam investir coletivamente cerca de US$ 349 bilhões em despesas de capital até 2025.

2. Os lucros corporativos atingiram o pico antes da crise

A rentabilidade das empresas atingiu o seu ápice no final de 1997, bem antes do colapso do mercado. “A rentabilidade atingiu o pico bem antes do fim do boom”, afirmaram analistas do Goldman Sachs. Embora as margens de lucro reportadas tenham sido mais robustas, o declínio na rentabilidade observado nos dados macroeconômicos durante os últimos anos do crescimento coincidiu com uma aceleração dos preços das ações.

Por ora, os resultados corporativos aparentam ser sólidos. De acordo com dados da FactSet, a margem de lucro líquido do S&P 500 no terceiro trimestre foi de 13,1%, superando a média dos últimos cinco anos, que é de 12,1%.

3. Aumento da dívida corporativa

O Goldman Sachs também destaca o rápido aumento do endividamento corporativo que precedeu a crise do início dos anos 2000. A relação entre dívida corporativa e lucros atingiu o seu ápice em 2001, exatamente no momento em que a bolha estava estourando.

De acordo com os estrategistas, “a combinação de aumento dos investimentos e queda da rentabilidade levou o saldo financeiro do setor corporativo — a diferença entre poupança e investimento — a um déficit”. Embora parte dos investimentos em IA tenha sido financiada através de novas dívidas, como a emissão de títulos de US$ 30 bilhões da Meta no final de outubro, o Goldman Sachs observou que a maioria das empresas está utilizando fluxos de caixa internos para financiar suas despesas. Os índices de alavancagem corporativa ainda permanecem muito abaixo dos níveis observados durante a era da bolha da internet.

4. Os cortes nas taxas de juros do Fed incentivaram a tomada de riscos

No final da década de 1990, o ciclo de cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve ajudou a alimentar a especulação. “Taxas de juros mais baixas e maiores entradas de capital impulsionaram o mercado de ações”, afirmou o Goldman Sachs.

Esse fenômeno está se repetindo em certa medida atualmente: o Fed reduziu a taxa de juros em 25 pontos-base em outubro e espera-se que faça novos cortes de 25 pontos-base em dezembro, o que está estimulando ainda mais o otimismo no mercado.

5. Aumento dos spreads de crédito

Por último, o Goldman Sachs observou que os spreads de crédito começaram a aumentar antes da crise de 2000, sinalizando uma crescente cautela por parte dos investidores. Os spreads de crédito — a diferença entre os rendimentos dos títulos corporativos e os rendimentos dos títulos do Tesouro — costumam aumentar quando a percepção de risco cresce. Embora esses spreads ainda se mantenham historicamente estreitos, o Goldman Sachs notou que eles começaram a se expandir nas últimas semanas, o que pode indicar um aumento da tensão financeira.

Ecos do passado

O alerta do Goldman Sachs sugere que, apesar da possibilidade de a IA representar uma tecnologia transformadora, a euforia do mercado pode estar repetindo padrões de comportamento que levaram a um dos colapsos financeiros mais notorios da história. Em outras palavras, como sugere o banco, o atual boom da IA pode estar mais próximo de 1997 do que de 1999 — mas a história demonstra que o entusiasmo pode rapidamente se transformar em excessos.

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Crédito da imagem: Canva

Fonte: br.-.com

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