PHU QUOC, VIETNÃ – CRESCIMENTO NO TURISMO INTERNACIONAL
Em 20 de março de 2026, pessoas caminham na Praia de Ba Keo, localizada em Phu Quoc, Vietnam. O país recebeu quase 21,2 milhões de visitantes internacionais em 2025, estabelecendo um novo recorde.
Allison Joyce | Getty Images News | Getty Images
AUMENTO DE VISITAS A CIDADES SECUNDÁRIAS NA ÁSIA-PACÍFICO
As viagens para cidades menores, frequentemente referidas como “cidades secundárias”, na região da Ásia-Pacífico têm registrado um aumento significativo neste verão. Tal crescimento é impulsionado pela escolha de destinos mais próximos, em meio ao aumento das preocupações com tensões geopolíticas e custos elevados.
De acordo com o Global Travel Confidence Index da Allianz Partners, quase metade dos viajantes globais está reduzindo seus planos de viagem, com muitos optando por passeios internos. A pesquisa, que ouviu cerca de 11.000 pessoas e foi divulgada em maio, revelou que aproximadamente 60% dos entrevistados oriundos da China e da Índia planejam viajar apenas dentro de seus países.
Essa tendência deve resultar em mais visitas a destinos de classe 2 e 3, como Goa e Xiamen, que são populares entre os viajantes locais, mas ainda são pouco conhecidos por muitos visitantes internacionais.
Alguns viajantes, no entanto, estão mantendo suas férias internacionais, mas estão direcionando suas escolhas para locais dentro da Ásia. Rajeev Menon, presidente da Marriott International para a região Asia-Pacífico, excluindo a China, afirmou em uma entrevista ao programa “Squawk Box Asia” no dia 21 de maio que “as pessoas ajustaram seus planos para permanecer na Ásia”, o que está gerando interesse por locais em ascensão, como Phu Quoc, no Vietnã.
“Alguns anos atrás, o foco era em Phuket, Bali e talvez Langkawi”, acrescentou. “Agora, muitas localidades no Vietnã estão se tornando cada vez mais populares.”
MUDANÇAS NO MERCADO DE VIAGENS DA CHINA
O mercado de viagens da China também está passando por transformações, direcionando-se para o Sudeste Asiático. Menon observou que “eles podem não estar indo para o Oriente Médio ou para a Europa”, mas, por outro lado, os números de entrada em países como Vietnã e Malásia são bastante expressivos. Ele mencionou também que houve uma recuperação significativa de turistas chineses na Tailândia.
Menon comentou que a receita por quarto disponível nos hotéis da Marriott na Índia caiu após o início da guerra no Irã, quando muitos viajantes que tinham voos com conexão pelo Oriente Médio cancelaram suas viagens em grande escala. Entretanto, à medida que os viajantes ajustaram seus planos, optando por viagens internas e regionais, a recuperação foi visível. “A partir de maio, estamos observando um retorno aos números de dois dígitos, e, à medida que olhamos para o futuro, o ritmo continua forte”, disse.
AUMENTO NA DEMANDA POR CIDADES SECUNDÁRIAS NO JAPÃO
A procura por cidades secundárias no Japão também está em alta, conforme mencionado por Menon, que apontou que a Marriott International opera em 30 das 47 prefeituras do Japão. As reservas para destinos além de Tóquio, Quioto e Osaka têm crescido de forma constante ao longo dos anos. A plataforma de busca online Agoda registrou que em 2025, Takamatsu teve um crescimento acelerado de 63%, seguido por Matsuyama com 44%, Sendai com 32%, Okinawa com 27% e Sapporo com 26%.
Outras cidades, como Shizuoka, Nara e Nagano — que foi sede das Olimpíadas de Inverno de 1998 — também têm atraído um número crescente de visitantes, conforme indicado pela Agoda, reforçando que o Japão continua sendo um dos destinos mais atrativos da região. Uma pesquisa realizada pela Visa revelou que entre os viajantes que pretendem visitar a Ásia neste verão, 1 em cada 4 está se dirigindo ao Japão.
MAIORES RENDIMENTOS E ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS
O crescente interesse por destinos secundários, no entanto, está eliminando um dos seus principais atrativos: tarifas mais acessíveis. O aumento da receita por quarto disponível em mercados secundários está superando o de algumas cidades consideradas portões de entrada, devido ao crescimento da demanda que excede a oferta de acomodações, de acordo com Menon.
A maior receita e margens de quartos estão incentivando investidores a considerar oportunidades em cidades secundárias bem conectadas na região da Ásia-Pacífico, conforme relatado pela empresa de serviços imobiliários JLL. Essa dinâmica é especialmente evidente no Japão e na Índia, onde ativos primários em cidades como Tóquio e Mumbai estão se tornando cada vez mais escassos, afirmou Marina Bracciani, vice-presidente e responsável pela pesquisa de hotéis da JLL na Ásia-Pacífico.
“Cidades como Fukuoka, Sapporo e Nagoya estão cada vez mais na mira dos investidores”, mencionou Bracciani. “Os principais mercados no Japão tornaram-se relativamente comprimidos em termos de rendimento, o que naturalmente direciona o capital para cidades regionais que oferecem perfis de retorno mais atrativos.”
As cidades de classe 2 e 3 representaram metade das transações de hotéis na Índia em 2024, com negócios em Amritsar, Kolhapur, Shirdi e Tirupati. Essa participação caiu para 40% em 2025, embora a qualidade das transações tenha melhorado, incluindo um resort de luxo em Rishikesh e um resort de alto padrão em Goa.
Bracciani acrescentou que, em ambos os países, os fatores subjacentes são consistentes: aumento do turismo doméstico, turismo religioso e cultural, além de desenvolvimentos em infraestrutura que melhoram a acessibilidade. Muitos destinos secundários ainda oferecem uma demanda inexplorada e uma vantagem para investidores que estejam dispostos a entrar cedo no mercado.
— Reportagem de Matthew Chin para a CNBC.
Fonte: www.cnbc.com