A Independência Energética Não Pode Proteger os EUA das Consequências da Guerra com o Irã. Veja o Motivo.

Dependência Energética dos EUA

Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se dirigiu à nação em 1º de abril, afirmou que os EUA não são dependentes do petróleo proveniente do Estreito de Ormuz. Sua declaração fez referência a um conceito que ele frequentemente promove: a independência energética. No entanto, a realidade é mais complexa do que essa afirmação sugere. Por exemplo, isso não implica que os EUA estejam protegidos das interrupções de energia causadas pela guerra no Irã, mesmo diante dos recordes de extração de petróleo norte-americano.

Aumento da Produção de Petróleo nos EUA

De acordo com a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês), quase todas as regiões produtoras de petróleo nos EUA registraram um aumento na produção em 2025. O país aumentou a extração em 325 mil barris no ano anterior, totalizando uma produção de 13,6 milhões de barris por dia.

O Mercado de Petróleo Global

Entretanto, o mercado de petróleo é intrincado, e o petróleo bruto é precificado e negociado globalmente. Isso significa que a afirmação de que os EUA não são afetados por perturbações em outras partes do mercado de petróleo está longe de ser exata. Michael Cembalest, presidente de estratégia de mercado e investimento do JPMorgan Private Bank, ressaltou essa questão. Ele afirmou: "A noção de que os EUA estão isolados das consequências de mercado da possível interdição do Estreito de Ormuz é em grande parte falsa". Ele ainda destacou que, enquanto os preços do gás natural nos EUA caíram neste ano, a maioria dos outros combustíveis e produtos refinados registrou aumentos significativos nos preços.

Relação de Preços com o Mercado Global

Cembalest observou que, apesar de os Estados Unidos serem um dos principais exportadores e produtores de petróleo, os aumentos nos preços dos combustíveis e de outros produtos energéticos se alinham com os da comunidade internacional. Na verdade, commodities como petróleo, gasolina e outros petroquímicos estão subindo de preço mais rapidamente nos Estados Unidos. Como esses preços são definidos em mercados globais, uma interrupção, como o fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã, implica que quando os preços do petróleo sobem globalmente, eles também aumentam nos EUA, desconsiderando as alegações de independência energética.

Impacto nas Cadeias de Suprimento

A natureza global das cadeias de suprimento também desempenha um papel importante nesse contexto. Quando um ponto crítico de petróleo, como o Estreito de Ormuz, é fechado, produtos como fertilizantes são impactados, o que, por sua vez, eleva os custos globais de alimentos. Analistas da TS Lombard expressaram preocupações semelhantes em relação ao caos nas cadeias de suprimento resultante de conflitos.

Interpretação da Independência Energética

Cembalest afirmou que, em última instância, a independência energética não é o "firewall econômico" que alguns imaginam, e as dinâmicas econômicas de uma possível interrupção global favorecem o Irã em certa medida. Ele comentou sobre a proposta do Irã de cobrar entre 100 e 130 navios por dia, a uma taxa de $2 milhões cada, o que poderia gerar receitas anuais entre $70 bilhões e $90 bilhões. Ele observou que, mesmo se o Irã cobrasse apenas $2 milhões de cada um dos 2.000 a 3.000 navios comerciais atualmente retidos na região do Golfo, o país ainda conseguiria arrecadar entre $4 bilhões e $6 bilhões, uma quantia que iguala ou supera as receitas anuais recentes de pedágio de grandes canais.

Questões de Independência Energética

Outros profissionais de finanças, como Jitania Kandhari, da Morgan Stanley Investment Management, especularam que o conflito no Irã poderia levar outros países a buscar sua própria independência energética. Contudo, como Cembalest destacou em sua análise, para os EUA, a independência energética é significativamente mais complicada do que Trump sugere. O país já tentou implementar várias estratégias para controlar o impacto dos aumentos nos preços do petróleo, como liberar reservas e isentar leis de transporte para reduzir custos.

Aumento dos Preços dos Combustíveis

Os efeitos dessas medidas têm sido limitados, e os preços da gasolina continuam a subir, ultrapassando $4 por galão. O JPMorgan afirmou nesta semana que $5 por galão estão à vista caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado.

Fonte: www.businessinsider.com

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