Estréia da minissérie
A minissérie Como Ganhar na Loteria foi lançada na Netflix, apresentando um título que promete, mas entrega reflexões distantes de fórmulas mágicas, probabilidades infalíveis ou inspirações sobrenaturais. O enfoque é muito mais real: retrata pessoas comuns, enfrentando dívidas e pressionadas pela sensação de que todos ao seu redor ganharam na Mega da Virada, enquanto elas ficam à margem.
Contexto e trama
A narrativa baseia-se em um caso verídico ocorrido em 2012, quando o sorteio da loteria mexicana Melate foi manipulado durante sua transmissão ao vivo, sem que a audiência percebesse imediatamente. O esquema, que será revelado ao longo da série, só veio à tona no momento em que os responsáveis tentaram retirar o prêmio.
Essa intersecção entre ousadia e problemas financeiros define o clima da série, que não apresenta super-heróis ou vilões de filmes de Hollywood. Em vez disso, são apresentados cidadãos comuns, sobrecarregados por contas e que carregam sonhos ainda não realizados, cientes de que as probabilidades parecem estar sempre contra elas.
Nada de heróis, apenas trabalhadores sem saída
O personagem principal, José Luis Conejera, interpretado por Alberto Guerra, simboliza um perfil comum em boa parte da América Latina: ele é alguém que sonha com altos objetivos, acorda devendo mais do que no dia anterior e busca uma solução rápida para mudar sua situação financeira. Sem encontrar formas estatísticas para ganhar na loteria, Conejera decide adotar um caminho diferente: planeja manipular o sistema.
Ao descobrir os meios para fazê-lo, percebe que não poderá agir sozinho. Assim, ele junta um grupo de pessoas que, embora não fossem capazes de cometer crimes menores, aceitam participar da manipulação de um sorteio nacional.
Cada um tem suas motivações, que são simples, mas também perigosas: dívidas, frustrações, humilhações e metas não cumpridas. Essa dinâmica reflete a lógica do “jeitinho” brasileiro, levada ao extremo.
A engenharia do crime: quando o “ao vivo” era gravado
A descrição da fraude é apresentada de maneira quase burocrática, o que a torna ainda mais impactante. Em vez de um plano grandioso, a operação se baseia na edição de vídeo e no acesso privilegiado às imagens do sorteio. A série revela, passo a passo, como todo o sistema foi contornado com apenas um clique, destacando a simplicidade do processo, que impressiona pela sua astúcia.
O caso real: dinheiro de volta, justiça nem tanto
O episódio real que inspira a série teve um desfecho complexo e inesperado. A fraude desviou aproximadamente 160 milhões de pesos ao utilizar uma transmissão “ao vivo” que havia sido gravada previamente. O esquema foi descoberto quando funcionários envolvidos no sorteio tentaram reivindicar os bilhetes premiados.
O montante foi recuperado e os indivíduos envolvidos foram denunciados. No entanto, a conclusão dos processos judiciais não teve o mesmo impacto que o crime. O suposto idealizador da fraude faleceu antes do julgamento, e muitos dos acusados saíram praticamente ilesos do caso.
Fonte: www.moneytimes.com.br

