As oportunidades para ganhos significativos continuam concentradas no setor de tecnologia. Entretanto, serão em áreas como robótica e computação quântica que poderão surgir as Nvidias do futuro. Identificar qual empresa ocupará esse espaço é uma tarefa extremamente complexa”, afirma Bruno Corano, CEO da Corano Capital.
A lógica que fundamenta os limites de crescimento da Nvidia sugere que, para a companhia manter os valores atuais, ela precisaria continuar a apresentar uma margem de lucro acima de 60% durante várias décadas. Até o momento, a empresa demonstrou essa capacidade. Desde 2021, a Nvidia opera com uma mediana de margem de lucro bruto de 64,9%. Entretanto, a história revela que novos concorrentes no setor tecnológico sempre surgem.
A Google (Alphabet, GOGL34), com seus chips customizados conhecidos como TPUs, começa a criar um desconforto para a Nvidia, tendo valorizado mais de 65% nos últimos 12 meses, enquanto a companhia liderada por Jensen Huang teve uma valorização de 24%. Corano compara essa situação a anos anteriores: “Nos anos 2000, afirmava-se que a internet dependia da Cisco e de suas ações, que despencaram 87% durante a crise e nunca mais se recuperaram. A Cisco ainda é uma boa empresa, mas hoje qualquer um pode vender roteador”, observa Corano.
Por que a robótica se apresenta como a próxima fronteira da IA
De acordo com Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, a robótica deve herdar a evolução da inteligência artificial (IA). Desde o lançamento do ChatGPT em 2022, considerado um marco na tecnologia, diversas áreas da cadeia de suprimento de IA generativa, uma forma de inteligência artificial dedicada à criação de conteúdos, foram beneficiadas.
A Nvidia se destacou nesse cenário, com suas unidades de processamento gráfico (GPUs), circuitos eletrônicos especializados que realizam cálculos matemáticos em alta velocidade. A companhia, que iniciou sua trajetória voltada para revolucionar os jogos, evoluiu para se tornar a líder em processamento de IA e em data centers.
A expansão dos data centers representa a segunda fase da IA generativa, após o mercado ter reconhecido que se trata de uma tecnologia que veio para permanecer, proporcionando mais eficiência às empresas e estimulando o surgimento de novos modelos de linguagem. “Com os agentes de IA se tornando cada vez mais robustos, a robótica, em especial na esfera industrial, é impulsionada, sobretudo por países na Ásia”, comenta Yamashita.
China, Coreia do Sul e Japão são algumas das nações que buscam forte automação na indústria por meio de robôs. “Prevejo que, não apenas em 2026, mas nos próximos anos, a robótica ocupará um espaço crescente, tanto na automação industrial quanto em veículos autônomos, com empresas já conquistando relevância e reconhecimento no mercado”, acrescenta.
Teses ainda são uma aposta de longo prazo
Apesar do potencial prometedor, alguns gestores orientam cautela, visto que a tese da robótica deve ser abordada com bastante seletividade. Luciano Boudjoukian França, sócio-fundador e gestor da Paramis Avantgarde Asset Management, concorda que a IA e a robótica possuem um potencial estrutural significativo para aumentar a produtividade e reduzir custos, especialmente em setores como automação industrial, logística, manufatura avançada e, em um futuro próximo, até mesmo na saúde.
“Por outro lado, muitas empresas ainda estão em uma fase de altos investimentos, com geração de caixa limitada e valuations (valores de mercado) elevados. Assim, são organizações cujas teses podem ser confirmadas a longo prazo, mas que necessitam de atenção em relação à execução, à escalabilidade e ao retorno sobre o capital. É importante não confundir inovação com viabilidade econômica.”
Esse ponto de vista é similar ao de Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad. Para ele, os segmentos de robótica e computação quântica ainda estão em uma fase inicial, e a viabilidade de crescimento depende de uma combinação de fundamentos, como a aplicabilidade prática, a necessidade de capital para implementação e os benefícios reais proporcionados pela adoção dessas tecnologias em larga escala.
“Embora um aumento na demanda seja provável, ele pode não ser imediato. Tentar prever quais empresas serão vitoriosas neste campo agora é extremamente complicado devido à incerteza na adoção”.
No entanto, algumas empresas atraem a atenção de investidores atentos a esses nichos, como menciona Bruno Corano, ao citar a D-Wave Systems (QBTS), que é líder em sistemas de computação quântica e softwares na bolsa de Nova York (NYSE). Esta companhia é pioneira na oferta de computadores e circuitos quânticos.
Essa tecnologia tem a capacidade de processar dados de forma exponencialmente mais rápida do que supercomputadores e possui aplicações promissoras também na IA e em machine learning (aprendizado de máquina, que é uma outra forma de inteligência artificial).
No setor de robótica, Corano menciona a Tesla (TSLA34), que por sua vez confirma a visão de longo prazo para esse nicho. O CEO da empresa, Elon Musk, declarou em uma data recente que a produção inicial do robotáxi Cybercab e do robô Optimus deverá avançar lentamente antes de atingir uma escala mais ampla e uma velocidade maior.
Outra empresa que também é citada pelo executivo é a Kodiak AI (KDK, Nasdaq), uma companhia americana que atua com caminhões autônomos, “que já opera com índices excepcionais de viabilidade, economia e segurança”, afirma Corano. No entanto, apesar do forte crescimento na receita, a empresa ainda apresenta prejuízos.
ETFs oferecem exposição ao tema sem a necessidade de escolher vencedores
A consultoria Gartner, renomada mundialmente em assessoria de tecnologia da informação e negócios, incluiu a “Physical AI” entre as dez tendências tecnológicas mais impactantes para 2026. Segundo a Gartner, a “IA física” incorpora inteligência no mundo real, impulsionando robôs, drones e tecnologias inteligentes, visando um impacto operacional significativo.
Embora este seja um assunto que ainda pode parecer distante para o público brasileiro, a aplicação de IA em robótica é o foco de diversos fundos de índice (ETFs) disponíveis fora do Brasil, que acompanham as principais desenvolvedoras globalmente. Assim, é possível investir por meio de ETFs no avanço da automação global, garantindo diversificação, inclusive geográfica, sem a necessidade de apostar em uma única empresa. Detalhes sobre como investir em ETFs de IA podem ser encontrados nesta matéria.
ETFs de robótica populares
| ETF | Código + site | Descrição | Performance 1 ano | Performance 5 anos | Taxa anual cobrada ao investidor |
| Global X Robotics & AI ETF | BOTZ39 (B3) | Fundo temático que busca capturar o crescimento da robótica e da inteligência artificial, investindo em empresas ligadas à automação industrial, robôs não industriais e veículos autônomos. O objetivo é acompanhar o desempenho do índice Indxx Global Robotics & Artificial Intelligence Thematic, antes de taxas e despesas. | 14,16% | 2,09% | 0,68% |
| ROBO Global Robotics & Automation | ROBO (NYSE) | Um dos ETFs mais antigos e representativos do setor, com ampla exposição global à robótica e automação. Os ETFs da ROBO Global seguem índices desenvolvidos pela VettaFi. | 23,71% | 2,87% | 0,95% |
| VanEck Robotics ETF | IBOT (Nasdaq) | Segue, antes de taxas e despesas, o índice BlueStar Robotics, focado em empresas diretamente envolvidas com robótica. | 28,25% | 11,16% | 0,47% |
| First Trust Nasdaq Artificial Intelligence & Robotics ETF | ROBT (Nasdaq) | Fundo que busca acompanhar, antes de taxas e despesas, o desempenho de preço e rendimento do índice Nasdaq CTA Artificial Intelligence and Robotic, que reune empresas ligadas à inteligência artificial, robótica e automação em setores como tecnologia e indústria. O portfólio replica majoritariamente as ações que compõem o índice. | 15,19% | 0,96% | 0,65% |
Os produtos da Robo Global estão entre os mais reconhecidos, sendo a gestora especializada em ETFs temáticos de inovação. O ETF ROBO (Global Robotics and Automation Index) foi a primeira estratégia global a acompanhar esse segmento, sendo lançado em 2013.
A carteira da ROBO contém menos “ficção científica” e mais realidade econômica automatizada, além de considerar aspectos geopolíticos. Recentemente, a gestora passou a incluir como um de seus principais ativos a Ondas (ONDS, Nasdaq), empresa que anunciou novas aquisições de seus sistemas de drones autônomos e plataformas robóticas terrestres voltados para clientes governamentais da área de segurança, em dezembro.
Como investir em robótica sem sair do Brasil
Para encontrar acesso a este ETF, o investidor precisa estabelecer uma conta em uma corretora com acesso ao mercado internacional. Contudo, é possível acessar esse tema sem a necessidade de retirar o dinheiro do Brasil.
O ETF da gestora Global X Robotics & AI (BOTZ, Nasdaq) pode ser encontrado na B3, utilizando o código BOTZ39. A proposta é semelhantes à do ROBO, buscando investir em empresas que se beneficiam da adoção e utilização de robôs e inteligência artificial, além da automação industrial, robôs não industriais e de veículos autônomos. A diferença marcante está na concentração na Nvidia, Fanuc Corp (6954, Tóquio) e na ABB Group (A1BB34), uma multinacional sueco-suíça atuante no setor de engenharia elétrica.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br