Abespetro: Nações Buscam Novas Alternativas Energéticas ao Petróleo

Aumento dos Preços do Petróleo no Conflito do Oriente Médio

A escalada do conflito no Oriente Médio tem impactado significativamente o preço do barril de petróleo, provocando oscilações que colocam a commodity novamente no foco do mercado financeiro. A cotação, que estava em torno de US$ 70, voltou a se aproximar dos US$ 90 por barril, gerando incertezas entre investidores e agentes do setor.

Em entrevista à CNN Money, Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo), analisou que o cenário atual é caracterizado por uma combinação de fatores que resulta em forte volatilidade nos preços.

Fatores que Contribuem para a Volatilidade

Ghiorzi mencionou alguns dos principais fatores que influenciam a instabilidade dos preços, incluindo a tentativa de expansão da produção por meio do fracking nos Estados Unidos, a situação política na Venezuela e o agravamento das tensões no Irã.

Impacto do Estreito de Hormuz

O executivo destacou que o conflito se concentra na dos principais locais produtores de petróleo do mundo, o que potencializa seus efeitos. Ele informou que aproximadamente 20 milhões de barris por dia — cerca de 20% da produção global, que é estimada em 100 milhões de barris diários — transitam pelo Estreito de Hormuz.

"É impossível repor 20% da produção mundial no curto prazo", afirmou Ghiorzi.

Ele também lembrou que os Houthis mencionaram a possibilidade de bloquear o estreito de Bab el-Mandeb, um corredor marítimo crucial para o comércio internacional de petróleo, resultando em desafios logísticos ainda mais complexos.

Além disso, o executivo salientou que os estoques globais ainda não foram restabelecidos após as crises recentes. "Repor uma nova fonte de produção ou recompor os estoques levará muito tempo — coisa de muitos anos, talvez décadas", enfatizou, acrescentando que a volatilidade dos preços deve continuar.

A Busca por Novas Fontes de Energia

Ghiorzi fez uma comparação entre o cenário atual e os choques do petróleo de 1973 e 1979, notando que momentos de forte instabilidade geralmente aceleram a busca por novas fontes de energia e áreas produtivas alternativas.

"Os países vão procurar alternativas, mas é muito difícil repor o petróleo", disse ele.

O executivo recordou que crises anteriores resultaram na descoberta de novas reservas no Brasil, no Mar do Norte e nos Estados Unidos, e espera que um movimento semelhante possa acontecer novamente. Simultaneamente, ele observou que as fontes de energia renováveis devem ganhar espaço na transição energética, embora ainda não estejam em uma posição para substituir o petróleo de forma completa. Para ilustrar, ele mencionou o aumento do consumo de carvão pela China para atender parte de sua demanda energética.

Na visão de Ghiorzi, a facilidade de armazenamento, transporte e uso faz do petróleo uma fonte de energia que continuará a desempenhar um papel central por muitos anos.

Continuidade da Dependência do Oriente Médio

Quando questionado sobre a duração da dependência global do petróleo proveniente do Oriente Médio, Ghiorzi foi definitivo: essa relação deverá perdurar por muitas décadas. "Eu apostaria que isso se estenderá por mais 100 anos", afirmou.

Ele argumentou que, mesmo em cenários otimistas para a transição energética, o consumo global em 2050 deve ficar em torno de 50 milhões de barris por dia. Sendo assim, considerando que a região do Oriente Médio representa cerca de 35% da produção mundial, a dependência permanecerá alta.

"Provavelmente, nossos netos não verão o fim da dependência do Oriente Médio em relação ao petróleo global. Nossos netos não observarão nem mesmo o começo do fim", declarou.

Investimentos com Perspectiva de Longo Prazo

Ghiorzi também destacou que as flutuações pontuais nos preços do petróleo têm um impacto limitado nas decisões de investimento das grandes empresas do setor. Ele explicou que, no Brasil, o intervalo entre o leilão de um bloco exploratório e a produção do primeiro óleo geralmente é de cerca de dez anos.

"Ninguém decide um investimento de 4 bilhões de dólares, que ficará produzindo petróleo por 30 anos, baseando-se no preço de ontem ou de amanhã", disse ele.

Como exemplo, mencionou a Petrobras, que utiliza um preço de resiliência próximo de US$ 35 por barril de Brent para fundamentar seus projetos de investimento. Para Ghiorzi, embora a cotação possa apresentar grandes oscilações no curto prazo, as decisões estratégicas são fundamentadas em uma faixa histórica entre US$ 60 e US$ 80 por barril.

Ele acrescentou que o aumento da produção na Guiana, no Suriname e na Margem Equatorial brasileira deve ampliar a oferta mundial; no entanto, esse aumento ainda representa um volume relativamente pequeno em comparação ao consumo global, que gira em torno de 100 milhões de barris por dia.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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