Introdução
As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram o ano de 2026 com um ritmo acelerado, e os eventuais impactos das salvaguardas impostas pela China parecem ser limitados ao longo do ano. Essa análise é respaldada pela Associação Brasileira de Frigoríficos, que aponta a diversificação como um fator crucial nesse desempenho.
Desempenho das Exportações
Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil apresentou um avanço relevante tanto em volume quanto em valor das vendas externas de carne bovina. Essa melhora foi impulsionada pelo aumento nas exportações para mercados como os Estados Unidos, a União Europeia, o Chile e a Rússia, além da própria China, que continua sendo o principal destino da proteína brasileira.
De acordo com a entidade, o robusto desempenho no início do ano sugere que possíveis restrições chinesas poderão ser compensadas pela ampla diversificação dos embarques. Por exemplo, os Estados Unidos estão enfrentando um déficit de abastecimento e devem precisar de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas em importações em 2026, o que sustenta a demanda pela carne brasileira.
Novos Mercados em Foco
Outros mercados também se tornaram mais relevantes durante esse período, incluindo Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita. Essa ampliação de destinos reforça a estratégia de diversificação do Brasil em relação às suas exportações. Além disso, a guerra no Oriente Médio é considerada um risco limitado, visto que essa região respondeu por 6,65% das receitas em 2025 e 8,5% nos dois primeiros meses de 2026, embora a situação possa pressionar os custos logísticos.
Consumo da Cota da China
Entretanto, conforme dados do Ministério do Comércio da China e da Administração Geral de Alfândegas do país (GACC), coletados pela Abiec, o Brasil já utilizou 33,64% da cota destinada à China nos dois primeiros meses de 2025.
Ciclo Pecuário e Disponibilidade
Em relação à oferta, o Brasil está passando por uma mudança no ciclo pecuário, caracterizada pela diminuição do abate de fêmeas e pela valorização do gado de reposição. Essa transformação tende a restringir a disponibilidade de carne ao longo do ano. Apesar disso, a expectativa é de uma demanda firme, sustentada pela abertura e consolidação de novos mercados, como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul.
Números das Exportações
No acumulado dos meses de janeiro e fevereiro, as exportações de carne bovina e seus derivados totalizaram US$ 2,86 bilhões. Esse valor representa um aumento de 39% em comparação anual, acompanhada por um volume de 557,2 mil toneladas, que teve um crescimento de 22%. Somente em fevereiro, as receitas chegaram a US$ 1,44 bilhão, com um avanço de quase 40%.
A China permaneceu como o principal destino das exportações brasileiras de carne, com compras que totalizaram US$ 1,22 bilhão, representando um aumento de 36% durante o bimestre. Contudo, sua participação no total das exportações apresentou uma leve queda, indicando um ganho relativo de outros mercados. Nos Estados Unidos, notou-se uma expressiva expansão, com um aumento de 97,3% nas receitas provenientes da carne in natura.
Expectativas para o Mercado
A análise da Abrafrigo sugere que o cenário de demanda global aquecida, em combinação com a maior diversificação geográfica das exportações e a restrição de oferta interna, deverá sustentar o mercado brasileiro de carne bovina em 2026, mesmo diante das incertezas externas que persistem.
Fonte: www.moneytimes.com.br