A Unipar e os Investimentos de Luiz Barsi
A Unipar (UNIP5; UNIP6) pode parecer um ativo negligenciado por parte de alguns investidores, mas ocupa uma posição significativa na carteira do principal investidor pessoa física da Bolsa, Luiz Barsi. Ele detém, ao todo, 24% das ações preferenciais da companhia, além de 14% das ações ordinárias. Barsi também atua como vice-presidente do conselho de administração da empresa.
Recomendações de Análise e Projeções
Na última quarta-feira, as ações da Unipar, que são pouco analisadas pelos especialistas de sell side, receberam a atenção do BTG. Contudo, a recomendação apresentada foi considerada morna: neutra, com um preço-alvo estabelecido em R$ 68, o que indica um potencial de valorização de 23,2% em relação ao fechamento de R$ 55,19.
Os analistas não hesitam em afirmar que, embora a Unipar seja uma empresa resiliente, não há expectativas de grande potencial de valorização nas ações, uma vez que os ganhos já estão refletidos nos preços atuais.
O relatório do BTG menciona que “a Unipar está se transformando gradualmente em uma plataforma de cloro-álcalis, em vez de seguir uma tese baseada em spreads de PVC. Isso proporciona uma base de lucro líquido mais resiliente, mas com crescimento limitado dos ganhos a partir dos níveis atuais”.
Desempenho dos Spreads de PVC
Conforme o BTG, para que haja alguma revisão positiva nas projeções da Unipar, a empresa precisará contar com uma melhora nos spreads de PVC.
Os especialistas ressaltam que “com os spreads se mantendo comprimidos e a alavancagem acima do que consideramos um nível normal, acreditamos que há espaço restrito para uma reavaliação significativa das ações ou para um aumento das distribuições de caixa no curto prazo”.
Perspectivas de Dividendos
Os dividendos, que são um dos principais atrativos da companhia, também não devem despertar grande entusiasmo entre os investidores neste momento.
Os analistas do BTG sustentam que o recente ciclo de investimentos aumentou consideravelmente a alavancagem, elevando as despesas financeiras e reduzindo a conversão do Ebitda (resultado operacional) em fluxo de caixa para os acionistas. Nesse contexto, a ênfase da administração em desalavancagem deve restringir os dividendos no curto prazo.
Nos cálculos apresentados pelo BTG, as ações UNIP6 estão sendo negociadas a cerca de 7,2 vezes o EV/Ebitda (valor da empresa sobre o resultado operacional) projetado para 2027, o que representa um prêmio de 56% em relação à média histórica. O retorno de caixa para os acionistas é de aproximadamente 6% (em comparação com a média histórica de cerca de 13%) e um retorno sobre dividendos de aproximadamente 5% (em contrapartida à média histórica de cerca de 10%).
Investimentos Recentes
A Unipar recentemente completou um ciclo significativo de investimentos, que incluiu cerca de R$ 1 bilhão na conversão da unidade de Cubatão para a tecnologia de membrana, além de aproximadamente R$ 234 milhões na planta de cloro-álcalis de Camaçari.
De acordo com as estimativas do BTG, esses projetos têm o potencial de melhorar estruturalmente a posição de custos da empresa e sustentar o Ebitda, prevendo economias anuais de aproximadamente R$ 120 milhões a R$ 130 milhões por meio da redução dos custos com energia elétrica, vapor e despesas fixas em Cubatão.
Entretanto, esse ciclo de investimentos também aumentou de maneira significativa a alavancagem, resultando em despesas financeiras mais elevadas e na diminuição da conversão do EBITDA em fluxo de caixa para os acionistas.
Quem é a Unipar, afinal?
Conforme a análise do BTG, a Unipar pode ser facilmente mal interpretada. Embora o PVC continue sendo sua principal fonte de receita, respondendo por boa parte dos resultados recentes, a compreensão total da companhia vai além disso.
Os analistas afirmam que a lógica industrial da Unipar começa em um nível anterior, no segmento de cloro-álcalis, onde eletricidade e salmoura são utilizadas para a produção de cloro e soda cáustica. Uma parte da produção de cloro é, em seguida, convertida em PVC.
“Em outras palavras, o cloro estabelece a linha de base dos resultados da companhia, a soda cáustica monetiza o coproduto obrigatoriamente gerado e o PVC oferece uma via adicional de monetização, sendo também responsável pela maior parte da volatilidade nos resultados”, explicam os analistas.
No aspecto prático, em 2021, o PVC representava cerca de 77% do Ebitda da Unipar. Entretanto, o BTG projeta que essa proporção diminuirá para aproximadamente 26% até 2026.
Em resumo, as previsões indicam que os produtos de cloro e soda cáustica devem proporcionar uma base bastante superior de resultados, enquanto qualquer recuperação relevante no PVC deverá ser observada como uma oportunidade adicional de valorização, e não mais como um elemento central da tese de investimento.
A Unipar fechou o dia com uma queda de 1,81%. No acumulado do ano, a ação apresenta uma desvalorização de 5,16%.
Fonte: www.moneytimes.com.br