Desempenho das Ações do Itaú
Apesar de apresentar uma boa entrega, a ação do Itaú (ITUB4) tem se afastado de suas máximas históricas. Desde o dia 15 de abril, o papel sofreu uma queda superior a 10%. Na sessão mais recente, a ação voltou a apresentar um desempenho negativo. Embora tenha iniciado o dia em alta, rapidamente reverteu essa tendência, e por volta das 12h46, registrava uma queda de 1%.
Resultados Antes dos Impostos
O fator que pode ter influenciado essa queda é o resultado obtido antes da incidência de impostos. Acostumados a observar altas de dois dígitos, os números apresentados ficaram aproximadamente 2% abaixo do esperado. As principais causas para esse desempenho foram as elevações nas despesas com provisões, além de um resultado mais fraco nas receitas de serviços e na linha superior.
O Bank of America destaca que o lucro líquido do Itaú permaneceu estável em comparação com o trimestre anterior, apresentando um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, esse foi o crescimento mais lento registrado em mais de três anos. Apesar disso, o retorno sobre o patrimônio (ROE) apresentou uma melhoria de 40 pontos base em relação ao trimestre anterior, alcançando 24,8%, o valor mais elevado em uma década.
Exposição ao Mau Humor do Mercado
Além do mais, por ser uma ação com alta liquidez, as ações do Itaú estão mais suscetíveis ao mau humor do mercado. Nas últimas semanas, o Índice Bovespa (Ibovespa) caiu 5%, passando de 200 mil pontos para cerca de 187 mil pontos.
Analistas, no entanto, mantiveram intactos seus preços-alvo e recomendações, elevando o potencial de valorização para uma média de 20%. Abaixo, seguem as projeções de instituições financeiras:
| Instituição | Preço-alvo | Potencial de alta |
|---|---|---|
| BTG | R$ 52 | +23,6% |
| XP | R$ 51 | +21,2% |
| Bradesco BBI | R$ 45 | +6,9% |
| Genial | R$ 53 | +26,0% |
| Bank of America | R$ 50 | +18,8% |
Expectativas de Crescimento
O BTG ressalta que o lucro antes dos impostos, embora abaixo do esperado, não altera significativamente a perspectiva em relação à ação. Os analistas esperam que o ano de 2026 seja caracterizado como um “ano de transição”, com uma desaceleração na performance após um período de resultados excepcionalmente positivos.
O Bradesco BBI, por sua vez, comenta que as receitas de serviços apresentaram resultados insatisfatórios, identificando isso como o principal ponto fraco do trimestre. Porém, essa cifra mais fraca foi adequadamente contrabalançada pela resiliência do lucro e pela robustez dos indicadores de risco.
Controle da Inadimplência
Indicadores de Inadimplência
Um dos destaques analisados foi o controle da inadimplência. Mesmo em um ambiente econômico desafiador e considerando a sazonalidade comum do primeiro trimestre, o Itaú conseguiu manter os indicadores de inadimplência estáveis. O Safra destaca que o banco demonstrou disciplina em sua estratégia de apetite ao risco nos últimos trimestres, apresentando manutenção das NPLs (non-performing loans) com 90 dias de atraso e um aumento das NPLs de 15 a 90 dias, em linha com o padrão sazonal.
Segundo Gabriel Amado de Moura, diretor financeiro do banco, o nível de endividamento dos clientes de pessoa física do Itaú está consideravelmente abaixo da média observada na indústria financeira em geral. O banco informou que 56% da sua carteira de crédito para indivíduos é garantida, além de apresentar níveis de inadimplência menores em diversos segmentos, como crédito pessoal, cartões, financiamento de veículos e crédito consignado privado.
Qualidade da Carteira de Crédito
O Bradesco BBI também informou que a qualidade da carteira de crédito do Itaú é um fator positivo importante, com indicadores ainda robustos, mesmo diante da deterioração sazonal esperada que normalmente ocorre no início do ano, especialmente entre os clientes de pessoa física.
A Genial apontou que, apesar da sazonalidade mais negativa típica do primeiro trimestre, o Itaú conseguiu registrar uma melhora sequencial na rentabilidade, apesar de uma leve retração no lucro líquido recorrente.
Atualizações de Projeções
A maioria dos analistas decidiu manter suas projeções, com a exceção da XP, que atualizou as estimativas levando em consideração:
- menor crescimento de crédito no médio prazo;
- aumento nas provisões;
- redução nas despesas.
Ainda assim, os analistas veem um potencial de valorização de 20%. Eles afirmam que a tese de investimento continua a apresentar resultados positivos de forma consistente, sustentada por uma forte disciplina de crédito e uma execução resiliente em um ambiente macroeconômico incerto.
O BTG acredita que o Itaú está mais eficiente do que nunca e bem posicionado para acelerar o crescimento quando surgirem oportunidades mais favoráveis. A instituição continua a considerar o Itaú como o principal banco incumbente no Brasil, prevendo um aumento na distância em relação aos seus concorrentes ao longo do tempo.
No entanto, analistas não identificam catalisadores relevantes no curto prazo para o desempenho das ações. O Bradesco manteve sua recomendação de compra e preço-alvo de R$ 45, sustentados por um elevado retorno sobre o patrimônio, geração consistente de resultados e um perfil defensivo em relação à qualidade dos ativos.
A expectativa é de continuidade na entrega de resultados positivos do Itaú nos próximos trimestres. A empresa reafirma sua visão otimista, destacando a alocação disciplinada de capital e resultados consistentes ao longo de vários ciclos de crédito, além de uma rentabilidade bem acima de seus pares e um mix de crescimento acompanhado de um generoso pagamento de dividendos, cuja taxa de distribuição é de 70%.
Fonte: www.moneytimes.com.br


