Ação se valoriza após saída do CEO e mercado respira aliviado (por enquanto)

Saída do CEO da Tupy e Repercussão no Mercado

A saída inesperada de um CEO normalmente surpreende os investidores e envia uma mensagem desfavorável ao mercado. Contudo, essa não foi a situação da Tupy (TUPY3). Na noite de sexta-feira, Rafael Lucchesi anunciou sua renúncia. No pregão seguinte, as ações da multinacional brasileira de metalurgia apresentaram uma valorização de 4,70% em seu ponto máximo, encerrando o dia com alta de 4,16%, cotadas a R$ 12,78.

Histórico da Gestão de Lucchesi

Lucchesi completaria um ano à frente da companhia em março, o que representa uma passagem considerada breve, especialmente considerando o histórico da organização. Entre os anos de 2003 e 2025, apenas dois executivos ocupavam a posição de presidente: Luiz Tarquínio Sardinha Ferro, que ficou no comando de 2003 a 2018, e Fernando Cestari de Rizzo, que deixou seu cargo no ano passado.

Rizzo, por sua vez, contava com a confiança do mercado e era reconhecido como um dos responsáveis pelas transformações dentro da Tupy. A chegada de Lucchesi foi questionada desde o início, com acionistas expressando preocupações sobre sua falta de experiência para liderar a empresa em um cenário de desafios operacionais significativos. Antes de assumir o cargo na Tupy, Lucchesi tinha atuado em organizações como SESI e SENAI.

Fontes que acompanham de perto a Tupy indicam que o executivo foi, na prática, “renunciado”. De acordo com elas, em face dos resultados insatisfatórios enfrentados pela companhia e do momento turbulento, Lucchesi teria perdido o respaldo do BNDES e da Previ, instituições que detêm participação significativa na empresa e que o indicaram para o cargo de CEO.

Desempenho das Ações e Desafios Enfrentados

As ações da Tupy estão atualmente cotadas em cerca de R$ 12, um dos níveis mais baixos desde a pandemia, quando as ações atingiram o preço de R$ 10. Além dos resultados financeiros insatisfatórios, a companhia também enfrenta desafios, como tarifações implantadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros.

Uma fonte próxima à empresa comentou que “no fim, a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, estava exposta, com as ações sofrendo e arcar com o ônus da decisão frequentemente devido ao alinhamento com o governo.” Nesse contexto, a BNDESPar possui 30,7% do capital da Tupy, seguindo a Previ com 27%.

Em resposta à busca de informações, a Tupy declarou que a saída de Lucchesi foi uma escolha de natureza estritamente pessoal.

Interinidade de Novo Comandante

Até que um novo CEO seja escolhido, a administração da Tupy será realizada de forma interina por Gueitiro Matsuo Genso, que atualmente ocupa a função de diretor de relações com investidores. Para auxiliar no processo de sucessão, a empresa contratou a consultoria Heidrick & Struggles, conhecida por sua especialização em recrutamento de executivos.

Camilo Marcantonio, da Charles River, considera essa iniciativa positiva. A gestora que representa possui a terceira maior participação na Tupy, correspondente a 5,4%, ficando atrás apenas da BNDESPar e da Previ. Marcantonio também tem liderado esforços para consolidar a governança corporativa da Tupy, buscando resguardar os interesses dos acionistas minoritários, incluindo a proposta de estabelecer requisitos mínimos de elegibilidade para executivos. Essa sugestão, no entanto, foi barrada pelo BNDES e pela Previ.

Ele expressou sua expectativa de que o processo para escolha do novo CEO seja realmente competitivo e não se limite a um formato que endosse apenas um nome previamente decidido. “O ideal é uma busca abrangente que resulte na escolha do melhor candidato, alinhado aos desafios e à grandeza da companhia”, afirmou ao veículo Money Times.

Perspectivas da Empresa em Cenário Desafiador

Marcantonio avalia que a Tupy continua sendo uma empresa robusta, apesar de atravessar um momento crítico. Ele observa que parte dos desafios enfrentados é consequência do contexto do mercado, mas também ressalta a necessidade de ações internas importantes.

No último trimestre, a companhia registrou um aumento significativo em seu prejuízo, que subiu 542%, passando de R$ 98 milhões para R$ 627 milhões. Este resultado foi impactado por efeitos não recorrentes relacionados a uma reestruturação industrial, destacando-se um impairment de R$ 325 milhões, que foi parcialmente compensado por um ganho de R$ 174 milhões resultante da venda de créditos.

“O que se espera é um senso de urgência quanto à implementação de medidas, especialmente em relação à eficiência operacional e à otimização do ambiente fabril”, enfatizou. De acordo com Marcantonio, se a Tupy conseguir fazer os ajustes necessários internamente e contar com uma possível recuperação do mercado, a empresa poderia retomar níveis mais altos de lucratividade. Adicionalmente, ele sublinhou que a governança é um fator essencial, com um CEO qualificado e critérios mais rigorosos promovendo melhores decisões a longo prazo.

Ruídos Históricos na Governança

Nos anos recentes, o governo utilizou o poder de voto do BNDES e da Previ para indicar diversos nomes ao conselho da Tupy, incluindo Carlos Lupi, Anielle Franco e José Múcio. Além disso, Tiago Cesar dos Santos, secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social, foi indicado para o conselho fiscal.

Essas indicações levantaram críticas de Mauro Cunha, conselheiro que expressou sua oposição à escolha de Múcio. “Isso não é um caso isolado, mas sim uma repetição do que ocorreu em 2023, quando funcionários do BNDES renunciaram para acomodar indicações políticas. O resultado foi dramático para as ações”, afirmou Cunha.

Ele acrescentou que essa movimentação aconteceu em um momento crítico, caracterizado pela deterioração dos resultados financeiros e após uma renegociação complicada dos covenants da dívida.

Em um relatório, a XP mencionou que os resultados do quarto trimestre levantam preocupações em relação à sustentabilidade financeira da empresa. Diante desse cenário, agências como a S&P Global Ratings reduziram a classificação da empresa, citando pressão sobre sua estrutura de capital e rentabilidade nos próximos 18 meses.

Por fim, é evidente que o novo CEO enfrentará desafios significativos em sua nova função.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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