Contexto Econômico Atual
Nova York
O preço do petróleo Brent voltou a ultrapassar os $100 por barril, enquanto o Estreito de Hormuz, uma rota essencial para a economia global, permanece fechado. No entanto, o mercado de ações está desconsiderando essa turbulência.
Desempenho do Mercado de Ações
Na quarta-feira, o S&P 500 e o Nasdaq Composite atingiram máximas históricas, retomando uma alta, apesar do aumento nos preços do petróleo. Essa mudança é marcante em relação ao mês passado, quando a elevação nos preços do petróleo fez com que as ações caíssem.
O S&P 500 e o Nasdaq tiveram uma alta superior a 12% e 18%, respectivamente, desde os pontos mais baixos em 30 de março. O S&P agora está quase 4% acima desde o início da guerra, enquanto o Nasdaq registrou um aumento de quase 9%.
Os mercados tendem a olhar para o futuro, e Wall Street está tentando ignorar os conflitos decorrentes da guerra. Os investidores estão se inclinando para um otimismo em relação à temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos e apostando que o choque causado pelos altos preços do petróleo não será suficiente para prejudicar o crescimento econômico de forma significativa.
Enquanto isso, as ações de tecnologia voltaram a ser favorecidas após uma queda no início deste ano, devido a preocupações com as avaliações elevadas e a possível interrupção causada pela inteligência artificial na indústria de software. A recuperação no setor de tecnologia está apoiando a alta geral do mercado.
Perspectivas e Resultados das Empresas
Rick Gardner, diretor de investimentos da RGA Investments, comentou em uma nota que “a combinação de manchetes melhores sobre o Irã, o esgotamento dos investidores diante da volatilidade em março e um início forte da temporada de resultados ajudaram a impulsionar as ações para máximas históricas”.
Embora a guerra tenha provocado volatilidade, os resultados e estimativas de lucros para as empresas americanas — que são os principais motores dos preços das ações — continuam positivos.
Wall Street está no meio da temporada de resultados, com quase um quinto das empresas do S&P 500 reportando lucros trimestrais na manhã de quarta-feira. Dentre essas empresas, 86% superaram as expectativas de lucro por ação, um indicador de rentabilidade, segundo dados da FactSet.
As ações de tecnologia e inteligência artificial, que ficaram para trás em relação ao mercado nos últimos meses, também apresentaram alta: a tecnologia é o setor que mais se destacou no S&P 500 até o momento neste mês. Estima-se que o setor de tecnologia represente 60% do crescimento dos lucros deste ano, de acordo com analistas da firma de pesquisa Strategas.
A queda das ações de tecnologia em meses anteriores fez com que esses papéis estivesse mais acessíveis, criando uma oportunidade de compra para investidores ávidos. Alguns aproveitaram para adquirir ações do setor, apesar da incerteza sobre como uma guerra prolongada com o Irã poderia potencialmente interromper as cadeias de suprimento, elevar a inflação ou impactar os lucros.
Venu Krishna, chefe da estratégia de ações dos Estados Unidos do Barclays, expressou otimismo sobre o setor de tecnologia e inteligência artificial, destacando que existem sinais positivos para o mercado como um todo. Os fundamentos para a recuperação incluem aumento nos gastos com inteligência artificial e defesa, além de mencionar um “extremamente forte” momento de crescimento dos lucros nos Estados Unidos.
Krishna comentou ainda que “o petróleo circulando em níveis assim neste momento não está derailando esse momentum”. Ele concluiu dizendo: “Vamos ver como se desenrola a temporada de resultados, mas neste momento, os Estados Unidos parecem bastante atraentes”.
Expectativas em Relação ao Mercado
Em 24 de março, quando o S&P 500 estava perto de 5% abaixo desde o início da guerra, Krishna elevou sua meta para o final do ano para o índice, passando de 7.400 pontos para 7.650, expressando confiança no mercado. Uma meta de 7.650 pontos implica uma alta de 7% em relação ao fechamento de ontem.
Louis Navellier, fundador e CIO da Navellier & Associates, falou sobre como “os investidores parecem estar se acostumando com a disrupção nos mercados de petróleo e petroquímicos”. Ele acrescentou que “fortes e crescentes estimativas de lucros, juntamente com um consumo estável e mercados de trabalho firmes, superam os preços mais altos da energia”.
Navellier também afirmou que “o momentum continua positivo e o FOMO (medo de perder a oportunidade) está crescendo”.
A rápida ascensão para máximas históricas levanta a questão: estará o mercado de ações sendo complacente em relação aos riscos relacionados à guerra prolongada com o Irã? Alguns investidores estão pedindo cautela.
Kristina Hooper, estrategista-chefe de mercado na empresa de investimentos Man Group, expressou seu ceticismo em relação às máximas históricas.
Segundo ela, “há um viés muito otimista nos mercados que não precificou completamente as questões em torno desse conflito no Oriente Médio, além de outros problemas”.
Nos últimos doze meses, os investidores aprenderam a “comprar na queda” quando as ações caem, apostando em uma recuperação. Essa tendência foi impulsionada pela propensão do presidente Donald Trump de fazer anúncios que sacodem os mercados e estimulam as altas nas ações, desde o alívio de tarifas em abril até a suspensão de ataques ao Irã no mês passado.
“Acredito que o mercado de ações está convencido de que seu maior aliado é o presidente dos Estados Unidos”, afirmou Hooper.
O FOMO exerce uma forte influência no mercado, desde investidores de Wall Street até investidores de varejo que não querem perder a próxima grande alta, segundo Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co.
O mercado está agindo como se tudo estivesse bem, assumindo essencialmente que a interrupção do petróleo não prejudicará severamente a economia global nem os lucros corporativos, apesar da incerteza contínua em relação à duração do conflito.
“Há uma grande complacência por aí”, concluiu Maley.
Fonte: www.cnn.com