Ações da Abivax caem mais de 40% após casos de câncer gerarem incertezas sobre tratamento para colite ulcerativa – Times Brasil

As ações da farmacêutica francesa Abivax sofreram uma queda de até 40% após a divulgação de novos dados sobre seu principal medicamento experimental voltado para o tratamento da colite ulcerativa. Essa desvalorização resultou em uma perda de bilhões de dólares em valor de mercado e levantou incertezas quanto a uma possível aquisição da empresa.

O medicamento demonstrou cumprir os objetivos do estudo, evidenciando uma eficácia clínica significativa e uma taxa de remissão ajustada por placebo de cerca de 40% nas duas doses testadas. No entanto, os resultados também revelaram a ocorrência de casos de câncer entre os pacientes que receberam a dose mais alta do medicamento.

“O sinal de câncer complica a situação”, comentou um analista da Jefferies. “Embora isso possa ser considerado um ruído estatístico não relacionado ao tratamento, acreditamos que essa preocupação persistirá, especialmente pela falta de outros eventos relevantes de geração de valor no próximo ano.”

Durante a análise, foram identificados um caso de câncer de próstata, um de câncer de mama e um de displasia do cólon. A Abivax afirmou que os investigadores consideraram que nenhum desses casos tinha relação com o tratamento, sem evidências de concentração dos casos em um órgão específico.

Além disso, foram registrados quatro casos de câncer de pele entre os pacientes que receberam a dose de 50 mg. A empresa informou que dois desses casos foram avaliados como não relacionados ou improvavelmente relacionados ao medicamento e que os outros dois foram em pacientes com histórico prévio de câncer de pele.

Os analistas da Jefferies observaram que existem explicações plausíveis para os casos relatados, mas também indicaram que a questão “não parece ser uma preocupação que possa ser facilmente descartada”. Em virtude disso, rebaixaram a recomendação das ações de compra para uma posição de manutenção.

Apesar da significativa desvalorização observada nesta terça-feira, os papéis da Abivax acumulavam uma valorização de quase 1.700% em 2025. Antes da divulgação dos resultados, as ações já haviam sofrido um recuo de 7%.

Por volta da tarde, os papéis apresentavam uma queda de 40,5%.

Resultados reforçam potencial do medicamento

Os dados divulgados na noite de segunda-feira são oriundos de um estudo de manutenção que avaliou os efeitos do medicamento obefazimod ao longo de um período de 44 semanas.

Esse estudo é um seguimento dos resultados positivos de um teste clínico de fase avançada, os quais, divulgados em meados de 2025, superaram até mesmo as projeções mais otimistas do mercado.

Analistas consideram o obefazimod como um potencial tratamento de referência no combate à colite ulcerativa. Além disso, a Abivax está realizando testes do medicamento para a doença de Crohn, estendendo sua atuação a um mercado bilionário de doenças inflamatórias intestinais.

“O mecanismo inovador, a remissão clínica sustentada e o perfil favorável de segurança a longo prazo ressaltam seu potencial para atender a uma necessidade médica significativa na colite ulcerativa”, declarou David Rubin, diretor do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade de Chicago e colaborador da Abivax.

Leia também: Ações da AstraZeneca sentem impacto após rejeição de novo medicamento contra o câncer por painel do FDA

O analista Damien Choplain, do Stifel, destacou que os dados de eficácia foram robustos. “Embora o sinal de malignidade não possa ser ignorado, enxergamos isso mais como uma possível preocupação regulatória de rotulagem do que como uma indicação de risco de segurança claramente causado pelo tratamento”, afirmou.

Ele também mencionou que o medicamento Rinvoq, da AbbVie, utilizado para colite ulcerativa e outras doenças inflamatórias, possui um alerta da agência reguladora americana sobre risco de câncer e, mesmo assim, gerou vendas de US$ 8,3 bilhões em 2025.

Possível aquisição fica sob observação

A Abivax vinha sendo considerada pelo mercado como um dos principais alvos de aquisição pela indústria farmacêutica, em meio a rumores não confirmados a respeito do interesse de grandes laboratórios na empresa que tem como CEO Marc de Garidel.

Em entrevista à CNBC em março, De Garidel expressou confiança em resultados positivos do estudo de manutenção e indicou que a empresa não tinha pressa para fechar uma parceria ou realizar a venda do negócio, já que as condições poderiam se tornar mais favoráveis após a divulgação dos dados.

O mercado também esperava que a Abivax fosse adquirida antes do lançamento comercial do obefazimod. O executivo afirmou anteriormente que a companhia planejava captar recursos após a divulgação dos resultados de junho.

Na segunda-feira, a empresa reafirmou a expectativa de solicitar a aprovação do medicamento junto à agência reguladora americana no quarto trimestre deste ano, com potencial para um lançamento comercial em 2027.

De acordo com Choplain, o cenário mais provável é que a Abivax aguarde a divulgação completa dos dados do estudo, a qual está prevista para outubro, com o intuito de obter mais informações e confirmar que os casos de câncer não têm relação com o tratamento.

O analista acrescentou que potenciais compradores também devem esperar a divulgação do conjunto completo de resultados antes de tomarem qualquer decisão sobre uma possível aquisição da companhia.

Leia mais: Medicamento experimental contra câncer de pulmão reduz risco de morte em 34% em estudo avançado

Fonte: timesbrasil.com.br

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