Resultados Financeiros da Kering
As ações da Kering, empresa que controla a marca Gucci, tiveram um aumento superior a 9% na última quinta-feira, após a divulgação de que a queda nas vendas da companhia havia diminuído e que os lucros trimestrais superaram as expectativas do mercado.
A gigante do setor de luxo francesa, que possui marcas como Gucci, Saint Laurent e Balenciaga, reportou vendas de 3,42 bilhões de euros (equivalente a 3,97 bilhões de dólares) para o terceiro trimestre, representando uma queda de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando considerado um ajuste comparável. Este resultado mostra uma melhora em relação ao segundo trimestre, quando as vendas comparáveis caíram 15% em relação ao ano anterior.
As vendas da Gucci, que é a maior marca da empresa, apresentaram uma queda de 14% em relação ao ano anterior em termos comparáveis, totalizando 1,34 bilhão de euros. No entanto, o desempenho positivo de algumas marcas menores ajudou a mitigar o impacto negativo para a Kering.
A companhia ressaltou que a queda nas vendas da Gucci, embora significativa, representou uma melhoria considerável em comparação ao trimestre anterior, quando as vendas da marca despencaram 25%. As vendas do grupo eram esperadas para alcançar 3,31 bilhões de euros, conforme um consenso estabelecido pela FactSet, e as vendas da Gucci, que geralmente representam cerca de metade das receitas totais da Kering, estavam previstas em 1,32 bilhão de euros.
Desempenho e Desafios do Mercado
A Kering mencionou em sua apresentação sobre o desempenho do terceiro trimestre que as flutuações cambiais continuam a ser “um obstáculo significativo”, com a queda nas vendas refletindo um efeito cambial negativo de 5%.
O CEO da Kering, Luca de Meo, reiterou o compromisso da empresa em reverter a situação financeira em uma declaração conjunta com os resultados. Ele afirmou que o desempenho da companhia no terceiro trimestre, apesar de indicar uma melhoria sequencial clara, ainda está muito aquém do desempenho do mercado.
“Isso reforça minha determinação em trabalhar em todas as dimensões do negócio para retornar nossas marcas e o grupo ao destaque que merecem. Estamos trabalhando incansavelmente em nossa reestruturação, como demonstram nossas decisões recentes”, declarou De Meo.
Tentativas de Reestruturação
Recentemente, a Kering anunciou que concordou em vender sua unidade de beleza para a L’Oreal por 4,7 bilhões de dólares, uma medida que visa reduzir as dívidas da empresa e concentrar esforços em seus negócios principais de moda.
Na manhã da última quinta-feira, o Deutsche Bank elevou sua meta de preço para as ações da Kering em 3,4%, estabelecendo um novo patamar de 300 euros. As ações estavam sendo negociadas a cerca de 340,45 euros.
“É importante ressaltar que a melhoria no desempenho de vendas se deu entre todas as principais marcas e, com as orientações de margem bruta e despesas operacionais mantidas, há um bom fluxo até as previsões de EBIT”, observou Adam Cochrane, do Deutsche Bank, em uma nota aos investidores.
Situação da Marca Gucci
Em relação especificamente à marca Gucci, a melhoria foi sustentada por produtos de couro, com as linhas de bolsas sendo reformuladas ao longo dos últimos 18 meses. Essa abordagem deve ampliar o suporte a lançamentos futuros de roupas prontas para vestir (RTW) inspirados por Demna no primeiro semestre de 2026.
Por outro lado, analistas do UBS afirmaram que o relatório da Kering confirma “o contexto geral de melhoria no setor, além do sucesso inicial das ações tomadas pela gestão para reverter a situação do negócio”.
“De forma geral, considerando que a história das ações está centrada na reviravolta da Gucci, os críticos podem argumentar que a marca melhorou, de fato, na mesma proporção que outras marcas, sugerindo assim uma evidência limitada de que seu momento é superior ao do grupo”, acrescentaram.
As ações da Kering registraram um aumento aproximado de 33% até o momento neste ano, em meio a um boom no setor de luxo. No entanto, as vendas estagnadas, os aumentos de preços e as tensões comerciais renovadas levantaram questionamentos sobre as perspectivas para bens de alto padrão.
Na semana passada, ações de empresas de luxo na Europa, incluindo a Kering, se valorizaram após um retorno surpreendente ao crescimento por parte da LVMH. Esta conglomerado francês é considerado um indicador crucial para o desempenho do setor de luxo como um todo.
A Kering também enfrentou desafios específicos, como a diminuição da demanda por suas principais marcas, bem como mudanças na liderança da empresa. Investidores ficaram alarmados com os resultados do segundo trimestre, que revelaram uma queda de 25% nas vendas da Gucci.
Fonte: www.cnbc.com