Ouro Não Tem Preço Justo Nem Armazém de Valor: Billionário Howard Marks

Ouro como Armazenamento de Riqueza: Uma Perspectiva Crítica

Se você está procurando armazenar sua riqueza em ouro, pode estar se direcionando para um lugar errado.

Essa afirmação pode parecer polêmica, especialmente diante da recente valorização significativa do metal precioso ao longo do último ano, mas, segundo o investidor bilionário Howard Marks, não há como determinar se o ouro está sendo precificado de forma justa.

Ponto de Vista de Howard Marks

Em uma conversa ampla realizada na Universidade Pepperdine, o cofundador da Oaktree Capital Management questionou a reputação do ouro como um veículo de armazenamento de riqueza. Ele contrastou esse metal com outros ativos, como ações, títulos e imóveis, que possuem fluxo de caixa e podem ser avaliados com base em seus retornos esperados.

De acordo com Marks, o ouro, assim como outros ativos alternativos, não gera fluxo de caixa, o que implica que não existe uma “discussão” sobre como precificá-lo. Ele destacou um exemplo histórico para ilustrar os riscos envolvidos para investidores que optam por ativos tangíveis.

Exemplo de Crude Brent

Marks mencionou que o preço do petróleo Brent atingiu um pico de aproximadamente US$ 147 por barril em 2008. Naquela época, os analistas atribuíram essa alta a fatores como a oferta limitada de petróleo, sendo que a maior parte está em países que possuem relações desfavoráveis com os Estados Unidos. No entanto, à medida que a Grande Crise Financeira começou, o preço do barril de petróleo despencou para cerca de US$ 40, embora as condições subjacentes ainda fossem as mesmas.

“Você não pode dizer qual é o preço correto para um barril de petróleo ou uma barra de ouro”, afirmou Marks. “Como você transforma todos esses elementos qualitativos em um preço justo? E a resposta é: não há como. E isso é verdade para o ouro”.

Autoperpetuação do Valor do Ouro

“Não há nada que faça do ouro um armazenador de valor, exceto o fato de que as pessoas o consideram como tal”, ele acrescentou. Marks também fez referência a um memorando enviado a seus clientes em 2010, no qual dizia que o ouro tinha todas as características de um investimento “perfeito” e “ideal”, mas ao mesmo tempo, ressaltou que o metal tinha zero valor como proteção contra a inflação.

Embora o ouro seja um ativo tangível com uma oferta finita, afirmava Marks, não existe nada que o torne um melhor armazenador de riqueza em comparação a metais como o ferro, exceto a convenção social de que o ouro manterá seu valor. Ele descreveu essa percepção como uma “autodecepção, nada mais do que o objeto de uma histeria em massa, como a exibida em ‘As Novas Roupas do Imperador’”.

“O ouro não tem valor financeiro além daquele que as pessoas lhe atribuem, e, portanto, não deveria ter nenhum papel em um programa de investimento sério. Estou completamente certo disso”, escreveu Marks em 2010.

Divergência de Opiniões no Mercado

A visão de Marks contrasta com o consenso de muitos investidores que prevaleceu nos últimos anos. Analistas afirmam que uma série de fatores, incluindo tensões geopolíticas, a compra de ouro por bancos centrais e um apetite decrescente por ativos denominados em dólar, têm impulsionado o preço do metal precioso. Atualmente, espera-se que o ouro apresente uma alta de 5% ao longo de 2026.

Fonte: www.businessinsider.com

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