Ações da Nike despencam no pré-mercado diante da continuidade da fraqueza na China

Resultados Trimestrais da Nike

A Nike (NYSE:NKE) divulgou, na última terça-feira, seus resultados referentes ao trimestre mais recente, que superaram as expectativas em relação tanto aos lucros quanto às receitas. Contudo, o relatório também enfatizou a persistente fragilidade no importante mercado da Grande China, além da redução nas margens brutas.

Desempenho das Ações

As ações da Nike, que fazem parte do índice Dow 30, apresentaram uma queda superior a 10% nas negociações realizadas no pré-mercado da quarta-feira, sendo cotadas a US$ 47,37 às 7h43 (horário de Brasília). Vale ressaltar que a Nike também está disponível na B3, através da BDR (BOV:NIKE34).

Desafios no Mercado Chinês

Os resultados foram divulgados em um momento em que os investidores estão monitorando de perto os indícios de que a estratégia de recuperação implementada pelo CEO Elliott Hill está começando a dar frutos. A marca, reconhecida mundialmente como a maior do setor de calçados esportivos, tem enfrentado uma queda nas vendas no mercado chinês e pressão nas margens decorrente das tarifas. Além disso, a concorrência tem aumentado, especialmente de empresas rivais chinesas como Anta e Li Ning, bem como de marcas como On, da Suíça, e Hoka, da Deckers.

Resultados Financeiros

No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, a Nike reportou um lucro de 35 centavos por ação, com uma receita total de US$ 11,28 bilhões. As expectativas de analistas eram de um lucro de 30 centavos por ação, com receita de US$ 11,23 bilhões.

A receita gerada na Grande China, que representa aproximadamente 15% das vendas globais da companhia, apresentou uma queda de 7% em comparação ao ano anterior, totalizando US$ 1,62 bilhão. Este resultado marca a sétima queda trimestral consecutiva na região.

Paralelamente, a margem bruta da empresa recuou em 130 pontos base, passando para 40,2%, em grande parte devido às pressões tarifárias enfrentadas na América do Norte.

Análise do Mercado e Expectativas Futuras

Entretanto, a analista sugeriu que, embora as ações da Nike “provavelmente permaneçam em uma faixa de preço estável no curto prazo, os níveis atuais, especialmente abaixo de US$ 50, podem ser vistos como um ponto de entrada atrativo para investidores dispostos a apostar em uma recuperação a longo prazo”.

A empresa trouxe de volta o executivo veterano Elliott Hill para liderá-la no final de 2024. Desde sua reintrodução, Hill tem implementado um plano de reestruturação que visa mudar o foco da estratégia de venda direta ao consumidor, priorizando o fortalecimento de parcerias com atacadistas e acelerando o lançamento de novos produtos.

“O trabalho não está concluído, mas a direção é clara. Nossas equipes estão trabalhando com foco e urgência, e nossa base está se fortalecendo ainda mais para construir o futuro da Nike”, garantiu.

Como se prevê que o plano de reestruturação demande tempo para gerar resultados, o desempenho das ações da Nike permanece sob pressão. Até o momento, os papéis acumularam uma queda de 15,8% em 2025 e uma redução de 17,1% neste ano.

Desempenho Regional

O relatório apresentado pela Nike indicou que a receita na América do Norte subiu 3% em comparação ao ano anterior, atingindo US$ 5,03 bilhões.

Analistas da Jefferies perceberam que tanto a situação na China quanto a Nike Digital continuam a ser “áreas que requerem uma análise mais profunda”, mas ainda assim recomendaram a “compra das ações neste momento”, uma vez que o perfil de risco-retorno da empresa está “inclinado para um lado positivo”.

“Essa é uma história que envolve uma execução sequencial deliberada, com a China e a Nike Digital sendo as próximas etapas, ao invés de soluções imediatas. Nos níveis atuais, os investidores podem possuir uma das marcas globais mais onipresentes, negociada a um múltiplo preço/vendas (P/S) de 1,6x, que representa a menor marca do ciclo, mesmo abaixo dos mínimos registrados em abril, impulsionados pelas tarifas”, ressaltaram os analistas.

Em uma análise adicional, Rick Patel, da Raymond James, caracterizou os resultados da Nike como “decepcionantes”. Ele acrescentou que “a receita deverá continuar a recuar em um dígito baixo até o ano civil de 2026, em decorrência dos persistentes desafios oriundos da China, apesar do leve crescimento na América do Norte”.

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Crédito da imagem: Canva

Fonte: br.-.com

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