Ações da Oncoclínicas (ONCO3) caem com incerteza na continuidade operacional; confira a análise dos resultados do 4T25.

Ações da Oncoclínicas Reagem Negativamente ao Balanço

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) apresentaram um desempenho negativo após a divulgação do balanço referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25), que foi atrasado. O relatório revelou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, refletindo um aumento nas perdas em comparação ao prejuízo de R$ 759 milhões reportado no mesmo período de 2024.

Impacto no Mercado

As informações foram divulgadas dez dias após a data prevista, levantando questionamentos sobre a continuidade das operações da empresa. A Oncoclínicas enfrenta um momento de reestruturação, resultado de uma pressão financeira que a obrigou a reavaliar sua estratégia de atuação no setor de tratamentos oncológicos.

Resultados Operacionais No Último Trimestre

O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, foi de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, o que representa uma queda de 24% em relação ao quarto trimestre de 2024. A receita líquida apresentava uma redução de 12,6% em comparação ao mesmo período de 2024, atingindo R$ 1,37 bilhão.

Por volta de 12h05, horário de Brasília, as ações da ONCO3 caíam 5,19%, sendo negociadas a R$ 1,28. No momento mais crítico do dia, os papéis chegaram a ter uma queda de 10,37%.

Expectativas do Mercado

De acordo com o JP Morgan, os resultados do trimestre estavam abaixo das expectativas do mercado, sendo impactados por uma queda na receita que reflete uma diminuição dos volumes, resultado de uma nova estratégia do grupo que visa reduzir a exposição a pagadores de menor qualidade, os quais demandam prazos de pagamento mais longos.

A equipe de analistas liderada por Joseph Giordano mencionou que a situação do balanço está limitando os volumes de serviços disponíveis devido à oferta restrita de medicamentos.

Além disso, os auditores independentes identificaram um capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, principalmente como resultado do descumprimento de covenants financeiros nos contratos de financiamento.

Entendendo os Covenants

Os covenants são cláusulas contratuais presentes em instrumentos financeiros, como empréstimos e debêntures. Eles estabelecem níveis financeiros que a empresa deve manter para proteger credores de possíveis inadimplências. A Oncoclínicas já havia sinalizado dificuldades em atender a esses requisitos, convocando assembleias gerais de debenturistas para discutir um waiver que permitiria a não conformidade com as exigências de alavancagem.

Alguns credores concederam o waiver, enquanto outros continuam em negociação, especialmente em relação a debêntures mais fluidas. O índice de alavancagem da Oncoclínicas está em 4,3 vezes, ultrapassando os limites definidos nos covenants.

Esta situação levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo, dado que os credores adquiriram o direito de exigir o pagamento antecipado dessas obrigações.

Incertezas sobre a Continuidade das Operações

O JP Morgan apontou que essas circunstâncias, entre outros fatores, indicam uma incerteza significativa que pode gerar dúvidas relevantes sobre a capacidade da empresa de continuar suas operações, especialmente em virtude da falta de fluxo de caixa livre.

A continuidade do negócio dependerá fortemente de suporte externo, como uma possível transação com Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3), que estão envolvidos na preservação das operações da Oncoclínicas.

A expectativa de uma reação negativa das ações aos resultados já era antecipada pelo JP Morgan, visto que nenhuma nova estratégia foi divulgada junto com o balanço. A recomendação do banco é de ‘Underweight’, que significa uma classificação próxima à venda.

Um Quarto Trimestre Problemático

O BTG Pactual enfatizou que a Oncoclínicas apresentou um conjunto de resultados abaixo das expectativas no quarto trimestre, impactada pelos desafios operacionais enfrentados pela empresa. A receita líquida recuou 13% em base anual, alcançando R$ 1,37 bilhão, sendo predominantemente afetada pela descontinuidade de serviços para certas operadoras de planos de saúde.

Os resultados foram significativamente influenciados por itens não recorrentes, incluindo uma reversão de provisão de R$ 86 milhões, impairment de R$ 711 milhões, uma baixa de R$ 214 milhões relacionada a depósitos em determinada instituição financeira e uma baixa de R$ 375 milhões em ativos fiscais.

Excluindo esses efeitos, o Ebitda ajustado totalizou R$ 205 milhões, indicando uma queda de 9% em comparação anual e 2% inferior à expectativa do BTG.

O prejuízo líquido após minoritários foi de R$ 1,45 bilhão, substancialmente pior em relação ao prejuízo de R$ 643 milhões reportado no 4T24. Apesar de uma leve melhora na margem Ebitda ajustada, a Oncoclínicas ainda enfrentou uma queima significativa de caixa no trimestre.

Segundo o BTG, a companhia continua a ser uma tese de investimento desafiadora, considerada a alta alavancagem e os riscos de execução associados à estabilização de suas operações e ao controle da queima de caixa. Embora haja discussões e iniciativas em andamento para abordar a situação financeira da empresa, a visibilidade em relação à reestruturação e a potenciais soluções ainda é limitada. Neste contexto, o BTG mantém a recomendação Neutra para as ações, com um preço-alvo de R$ 3.

As Propostas na Mesa

Recentemente, foi anunciada uma proposta ao mercado pela MAK Capital Fund LP, que está disposta a investir aproximadamente R$ 500 milhões na Oncoclínicas. Contudo, essa não é a única proposta em discussão, uma vez que a Oncoclínicas e a Porto (PSSA3) já havia assinado um term sheet para negociar a formação de uma nova empresa, conhecida como NewCo.

Fleury (FLRY3) também se juntou às negociações, concordando em participar do termo de compromisso não vinculante previamente assinado. A oferta da MAK Capital está condicionada à convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para discutir cinco tópicos, incluindo a situação econômico-financeira da Oncoclínicas e as medidas em andamento para a repactuação de vencimentos.

Adicionalmente, a MAK Capital solicitou a destituição dos membros do conselho de administração da empresa, a definição da quantidade de membros do conselho durante o mandato atual e a eleição de novos membros para o conselho. É importante destacar que a destituição dos membros do conselho já ocorreu, completando uma das exigências apresentadas.

Finalmente, a proposta da MAK Capital inclui a indicação do presidente e do vice-presidente do conselho de administração.

Estrutura da Nova Empresa e Aporte

No âmbito da proposta envolvendo Porto e Fleury, a Oncoclínicas contribuiria com seus ativos e operações relacionadas a clínicas oncológicas, além de seus passivos e endividamentos totalizando até R$ 2,5 bilhões.

Os dois grupos, Porto e Fleury, pretendem investir juntos R$ 500 milhões na nova companhia por meio de uma holding, da qual se tornariam os únicos acionistas e a qual passariam a controlar a nova empresa.

A nova empresa estará autorizada a emitir debêntures conversíveis em ações ordinárias de sua emissão, que seriam subscritas pela holding, por Porto ou por Fleury, com a Oncoclínicas tendo o direito de subscrever até 30% do total.

Essas debêntures teriam um valor total de R$ 500 milhões, com vencimento estipulado para 48 meses após o desembolso e remuneração correspondente a 110% do CDI. A conversão poderia ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão, ou no caso de um evento de liquidez da NewCo.

Durante um evento do Bradesco BBI, a CEO do Fleury, Jeane Tsutsui, destacou a evolução da companhia, que teve origem como um laboratório de análises clínicas e vem expandindo suas possibilidades.

Ela enfatizou que a Oncoclínicas está voltada para diagnóstico precoce e tratamento oncológico. Apesar disso, afirmou que a companhia não abrirá mão da disciplina econômico-financeira e considerará potenciais integrações em fusões e aquisições para maximizar sinergias.

A Oncoclínicas confirmou também, em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o recebimento, em 24 de março, de uma oferta não vinculante de financiamento proposta pela MAK Capital Fund LP, junto com a Lumina Capital Management e a Lumina Fund III GP. O valor da proposta varia entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões.

Essa oferta se concretizaria através da criação de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e a cessão de R$ 200 milhões em recebíveis ao FIDC. A empresa ressaltou que a proposta apresenta exigências inviáveis, como a alienação fiduciária de ações de um hospital que já não pertence mais à companhia. O gerenciamento da Oncoclínicas está analisando alternativas viáveis para dar continuidade às negociações com a MAK e a Lumina.

Por outro lado, em relação a uma oferta estimada de R$ 1 bilhão da Starboard, que envolveria aumento de capital e conversão de dívida, a Oncoclínicas afirmou que não recebeu nenhuma oferta, seja vinculante ou não vinculante, e que não existe qualquer documentação ou aprovação relacionada ao assunto. A administração ressaltou que está avaliando todas as propostas financeiras que possam resolver sua situação econômico-financeira.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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