Desempenho das Ações da Oncoclínicas
No pregão desta quarta-feira, 8 de maio de 2025, as ações da Oncoclínicas (ONCO3) apresentaram queda, enfrentando um desempenho negativo à véspera da divulgação do balanço referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25). O mercado continua a monitorar a pressão financeira que a empresa está enfrentando.
Rebaixamento de Rating pela Fitch Ratings
No dia anterior, a agência de classificação de risco Fitch Ratings anunciou o rebaixamento do rating nacional de longo prazo da Oncoclínicas e de suas 9ª e 12ª emissões de debêntures quirografárias. O rating passou de ‘C(bra)’ para ‘RD(bra)’, um indicativo de um nível pré-calote. Ao mesmo tempo, a Fitch reafirmou o rating nacional de longo prazo ‘C(bra)’ da 11ª emissão de debêntures quirografárias.
O relatório da Fitch detalhou que o rebaixamento é uma consequência da aprovação pelos credores da extensão do prazo para o pagamento dos juros das 9ª e 12ª emissões de debêntures, o que, segundo a agência, caracteriza um evento de inadimplência restrita (restricted default).
Assembleias Gerais de Debenturistas
As Assembleias Gerais de Debenturistas (AGDs) ocorreram nos dias 16 e 31 de março, nas quais os detentores da 9ª e 12ª emissões de debêntures da Oncoclínicas concordaram em prorrogar o pagamento dos juros para 1º de junho deste ano.
De acordo com a visão da Fitch, a postergação do pagamento de uma obrigação financeira após o prazo originalmente acordado, visando evitar a inadimplência, justifica o rating ‘RD(bra)’. No período, por volta das 16h25 (horário de Brasília), as ações ONCO3 apresentavam uma desvalorização de 16,43%, sendo cotadas a R$ 1,32.
Esclarecimentos sobre Propostas de Financiamento
A Oncoclínicas também foi obrigada a prestar esclarecimentos ao mercado, conforme solicitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sobre a recepção de propostas de financiamento da Mak Capital, Porto e Starboard, em resposta a notícias veiculadas na imprensa.
A companhia confirmou haver recebido, no dia 24 de março, uma oferta não vinculante de financiamento do Mak Capital Fund LP, da Lumina Capital Management e da Lumina Fund III GP, totalizando entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões. Esta proposta seria estruturada pela criação de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e pela cessão de R$ 200 milhões em recebíveis ao FIDC.
Segundo a Oncoclínicas, a oferta da Mak/Lumina inclui exigências que envolvem a cessão de recebíveis e garantias que foram consideradas inviáveis. Isso inclui a alienação fiduciária de ações de um hospital que não é mais propriedade da companhia. A administração da empresa está atualmente avaliando alternativas para viabilizar a operação.
Oferta da Starboard
Em relação a uma proposta que giraria em torno de R$ 1 bilhão da Starboard, envolvendo aumento de capital e conversão de dívida, a Oncoclínicas esclareceu que não recebeu nenhuma oferta, seja vinculante ou não, nem há qualquer documento ou aprovação societária relacionado ao assunto.
A administração reiterou que está analisando todas as propostas de potenciais operações financeiras que possam abordar a situação econômico-financeira da empresa. Contudo, destacou que a única formalização, até o momento, é um termo de compromisso não vinculante com a Porto Seguro e o Fleury.
Medida Cautelar em Avaliação
Na mesma data, após questionamento da CVM, a Oncoclínicas confirmou que está considerando a possibilidade de entrar com um pedido de medida cautelar na Justiça contra seus credores, em função da difícil situação financeira que enfrenta. A empresa acredita que essa ação poderia garantir proteção contra a cobrança por parte dos credores, considerando os riscos de descumprimento dos índices financeiros estabelecidos nas escrituras de emissão de debêntures e outros instrumentos de dívida para o exercício social de 2025.
A companhia está enfrentando um cenário de significativa pressão financeira e, como resultado, convocou assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para discutir um waiver referente ao possível não cumprimento do índice de alavancagem, que mede o endividamento da empresa.
Um waiver é uma exceção às regras estabelecidas, enquanto o índice de dívida líquida/Ebitda é comumente utilizado em contratos de dívida para assegurar a saúde financeira da empresa. Dessa forma, a Oncoclínicas busca um “perdão” em relação ao não cumprimento desse limite, caso a alavancagem exceda os parâmetros estabelecidos nos resultados de 2025.
A divulgação do balanço financeiro referente ao quarto trimestre de 2025 da companhia está programada para esta quinta-feira, 9 de maio, e poderá indicar o rompimento desse limite. No entanto, conforme destacado em um fato relevante, a Oncoclínicas ainda não tomou uma decisão final sobre a apresentação do pedido cautelar na Justiça, nem sobre a data em que essa ação poderia ser efetivamente realizada. A empresa finalizou afirmando que está analisando diversas iniciativas e alternativas para resolver sua situação econômico-financeira, incluindo potenciais operações envolvendo terceiros.
Fonte: www.moneytimes.com.br