Ações de cibersegurança são as mais recentes vítimas da IA. Analistas recomendam comprar na queda.

A Queda no Setor de Cibersegurança

A cibersegurança continua a ser afetada pela venda em massa de ativos, impulsionada pelas preocupações sobre a disrupção causada pela inteligência artificial (IA) no mercado. Contudo, a expectativa do mercado é de que a nova ferramenta de segurança do modelo Claude AI da Anthropic não venha a transformar o setor de forma imediata, sendo interpretada mais como uma reação impulsiva do que uma análise fundamentada da realidade.

Desempenho das Ações

Na sexta-feira, o ETF de Cibersegurança e Tecnologia da iShares (IHAK) caiu mais de 3% após o lançamento da Claude Code Security, que, segundo a empresa, é capaz de analisar códigos em busca de vulnerabilidades e sugerir soluções. Nomes significativos do setor de cibersegurança, como CrowdStrike e Cloudflare, enfrentaram perdas em torno de 8% nesse mesmo dia, enquanto a Okta sofreu uma queda superior a 9%. As ações dessas empresas continuaram sob pressão na segunda-feira, com o ETF de cibersegurança recuando mais 4,7%, e tanto CrowdStrike quanto Cloudflare apresentando perdas superiores a 9%.

Análise dos Especialistas

O banco UBS considera que a Claude Code Security possui pouca sobreposição com as fontes de receita atuais das principais empresas de cibersegurança. A instituição avalia que a venda em massa foi impulsionada pela apreensão dos investidores de que empresas de IA poderiam ingressar mais profundamente no espaço da cibersegurança, impactando os modelos de negócios das empresas já estabelecidas. O analista Roger Boyd não acredita que essa seja a direção que o mercado tomará.

Ele enfatizou em uma nota divulgada na segunda-feira que, embora se antecipe que empresas focadas em IA lancem mais produtos voltados para cibersegurança, não é realista pressupor que esses grupos dedicarão recursos para desenvolver controles de infraestrutura, como agentes de endpoint, redes de gateways de segurança distribuídos (SASE) ou plataformas de autenticação de identidade.

De acordo com Boyd, as empresas de IA provavelmente irão desenvolver ferramentas que tornem seus próprios modelos mais seguros e criar agentes para operações de segurança. Além disso, ele indicou que empresas de cibersegurança, como CrowdStrike, Okta e Zscaler, podem acabar se beneficiando da adoção de soluções baseadas em IA.

Desempenho Mensal das Ações

No que diz respeito ao desempenho mensal, a CrowdStrike já perdeu mais de 20% de seu valor, enquanto a Okta caiu quase 18%, e a Zscaler viu sua avaliação encolher em 28%. Diante da venda indiscriminada no setor, o JPMorgan enxerga essas mesmas empresas como oportunidades de investimento e afirma que elas estão se saindo bem em meio à transição provocada pela IA.

O analista Brian Essex também destacou empresas como Palo Alto Networks, Sailpoint, Check Point Software Technologies, Netskope e JFrog como resilientes. Ele observou que esses nomes estão enfrentando uma demanda elevada, uma vez que as organizações buscam proteger suas plataformas cibernéticas de eventuais ataques, beneficiando-se de uma rede robusta e de anos de experiência, características que as tornam atraentes para os clientes.

Avaliação da JFrog

A Morgan Stanley, em uma nota divulgada na segunda-feira, reafirmou sua classificação positiva para a JFrog, destacando que a empresa não se envolve na segurança de códigos da mesma forma que a nova ferramenta da Anthropic. O analista Sanjit Singh comentou que a maior parte dos negócios da JFrog, assim como sua área de segurança, está ligada ao armazenamento, gerenciamento e proteção de binários – arquivos imutáveis que executam o software nos servidores para que os clientes possam utilizá-lo.

Singh também mencionou que a venda das ações da JFrog foi exagerada e incentivou os investidores a continuarem adquirindo papéis da empresa, mesmo com as ações tendo caído mais de 36% até o momento neste mês.

Perspectivas para o Futuro

O analista Dan Ives, da Wedbush, destacou CrowdStrike, Palo Alto Networks e Zscaler como vencedores a longo prazo no setor de cibersegurança. Ele também minimizou as preocupações de que a IA pudesse desestabilizar o setor. Em uma nota divulgada na segunda-feira, ele afirmou que a crescente utilização de IA elevou significativamente os riscos do ambiente de ameaças cibernéticas, pois reduziu drasticamente o custo, as habilidades e o tempo necessários para a execução de ataques sofisticados, ao mesmo tempo em que aumentou em larga escala a precisão e o alcance desses ataques.

Ives concluiu que a IA será um importante aliado para o setor de cibersegurança nos próximos anos, à medida que a proteção de casos de uso, dados e pontos finais se expande de forma marcante.

Fonte: www.cnbc.com

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