Ações despencam 44% após pedido de recuperação judicial; entenda o que ocorreu.

Ações do Grupo Toky e Recuperação Judicial

As ações do Grupo Toky (TOKY3), o proprietário das marcas Mobly e Tok&Stok, sofreram um grande impacto no pregão da terça-feira (12), apresentando uma queda significativa após a empresa anunciar um pedido de recuperação judicial. No processo de recuperação, foi divulgado um montante de R$ 1,11 bilhão em dívidas, que tramita na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do estado de São Paulo, sob segredo de justiça.

Impactos do Cenário Macroeconômico

Em um comunicado oficial enviado ao mercado, a empresa destacou que o ambiente macroeconômico desafiador, principalmente para o setor de móveis e decoração, tem afetado negativamente as vendas da companhia.

O Grupo Toky argumenta que a elevação das taxas de juros, o aumento do endividamento das famílias e as condições de crédito mais rígidas têm resultado em uma diminuição da confiança do consumidor e, consequentemente, na postergação de decisões de compra.

“Além das condições macroeconômicas, as restrições temporárias nos níveis de estoque estão causando um impacto considerável na liquidez de curto prazo”, declarou a empresa. Apesar dos esforços para reestruturar o endividamento junto aos credores e à controlada Tok&Stok, a elevada dívida do grupo tem se agravado.

Desempenho das Ações

Por volta das 15h40 (horário de Brasília), as ações TOKY3 apresentavam uma queda de 41,38%, sendo cotadas a R$ 0,17. Durante o dia, a mínima registrada foi de R$ 0,16, o que representa uma redução de 44%. Acompanhe o tempo real das cotações.

Fusão e Tentativa de Ganho de Escala

Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital, explicou que a fusão entre a Mobly e a Tok&Stok, realizada em 2024, foi uma tentativa de ganho de escala para viabilizar os negócios, em um contexto em que ambas as empresas já enfrentavam dificuldades financeiras.

“A união das duas corporações foi uma estratégia para reduzir custos fixos e aumentar as receitas, aproveitando a troca de clientes e a combinação dos modelos de negócios digitais da Mobly com os modelos físicos da Tok&Stok”, ressaltou Camilo.

A pressão financeira enfrentada pela empresa, aliada a conflitos societários relevantes, mudanças significativas na administração e questões de governança, configuram um ambiente desafiador para o grupo, segundo o analista.

Histórico de Crises

Este não é o primeiro desafio que a empresa de móveis enfrenta. Historicamente, a companhia já passou por pedidos de falência, recuperação extrajudicial, renegociações de dívidas e conflitos entre sócios. A pandemia da COVID-19 se mostrou um ponto crítico, deixando as empresas diante de interrupções no fornecimento de móveis.

A Tok&Stok fechou 17 lojas durante a pandemia e, em 2023, teve que reestruturar R$ 339 milhões em dívidas bancárias. No mesmo ano, a consultoria tecnológica Domus Aurea solicitou a falência da Tok&Stok na Justiça, exigindo o pagamento de R$ 3,8 milhões por serviços prestados na reestruturação tecnológica. Atualmente, a Domus detém 5,48% da empresa, após a conversão da dívida em participação acionária.

Para sua recuperação, a empresa precisou renegociar esses débitos e recebeu um aporte de R$ 100 milhões da família fundadora.

Mesmo após essas negociações, o quadro da Tok&Stok não se estabilizou. Em agosto de 2024, a empresa solicitou recuperação extrajudicial para reestruturar seu passivo financeiro, o que se concretizou através da emissão de debêntures.

União das Empresas e Conflitos Internos

Foi nesse contexto de dificuldades que a Mobly, após um aumento de capital, decidiu adquirir a varejista em dificuldades, resultando na sua unificação como Grupo Toky.

Em março do ano passado, surgiram informações sobre a intenção da família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, de realizar uma oferta pela Mobly, proposta essa que foi prontamente classificada como “inviável” pela diretoria e conselho da companhia.

Esse movimento resultou em um embate com acusações mútuas entre as duas marcas do setor de móveis e decoração, menos de um ano após a fusão.

A Mobly divulgou ter identificado, por meio de uma investigação interna, indícios de atuação coordenada e não divulgada na compra de suas ações. Essa suposta coordenação teria ocorrido em condições diferentes das estabelecidas no edital da oferta pública de ações.

Após indicar possíveis irregularidades envolvendo a família Dubrule, o Grupo XXXLutz e a Home4 na aquisição das ações, a Mobly recebeu autorização de seu conselho de administração para tomar as medidas cabíveis nas esferas administrativa, cível e criminal, sinalizando que buscaria o cancelamento da oferta pública de ações (OPA).

Obstáculos Financeiros e Bloqueio de Recebíveis

Além disso, a companhia do setor de decoração enfrenta outros obstáculos importantes. Cerca de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito foram bloqueados pelo SRM Bank.

Esse bloqueio representa um “risco concreto de causar, em curto prazo, um estrangulamento financeiro e a paralisação das atividades empresariais”.

“Caso essa situação não seja resolvida com urgência, haverá um efeito dominó, resultando na interrupção do fornecimento pelos principais fornecedores e indústrias parceiras, na suspensão das entregas ao centro de distribuição, no desabastecimento das lojas e, por fim, na total inviabilização das operações. Esse cenário afetará diretamente centenas de trabalhadores e consumidores que dependem da regularidade das atividades do Grupo Toky”, considerou a empresa.

Negociações e Saídas de Fundos

O Grupo Toky havia informado ao mercado, na noite de segunda-feira (11), que quatro fundos geridos pela SPX Private Equity estavam em “estágio avançado de negociações” para a venda de suas participações totais em ações e bônus de subscrição da empresa.

Segundo o comunicado, os fundos anunciaram que Fernando Porfirio Borges renunciaria ao cargo no conselho de administração em função das negociações em andamento.

Em outro comunicado, também enviado na mesma ocasião, o grupo informou que Felipe Fonseca Pereira também havia renunciado ao seu cargo no conselho de administração da companhia.

Para preencher essas vagas deixadas, a empresa designou temporariamente Fabio Ferrante como conselheiro e André França como conselheiro independente.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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