Agibank Publica Balanço em Nova York
O Agibank divulgou seu primeiro balanço como empresa listada em Nova York, e os números não trouxeram surpresas significativas.
No resultado do quarto trimestre de 2025, as expectativas do mercado foram confirmadas, com crescimento expressivo em lucros, carteira de crédito e base de clientes. No entanto, fatores adversos impactaram a performance do banco.
Ruídos no principal motor de negócios — o consignado do INSS — pressionaram a rentabilidade, o que resultou em um tom mais cauteloso na apresentação do balanço. Como reflexo dessa situação, por volta das 14h da terça-feira, 24, as ações AGBK caíam 6,21% na Nyse, com cotação a US$ 8,61.
Crescimento com Pressões no Lucro
No quarto trimestre de 2025, o Agibank reportou um lucro líquido de R$ 214,9 milhões, representando um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o lucro totalizou R$ 1,046 bilhão, resultando em um avanço de 32% no comparativo anual. Embora o crescimento seja considerado robusto, a rentabilidade apresentou uma queda significativa. O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) caiu para 35,8% no trimestre, em desacordo com os 44,4% registrados no mesmo período do ano anterior.
Desafios no Core Business
O principal desafio enfrentado pelo banco no trimestre veio exatamente de sua área de maior crescimento: o consignado do INSS. Uma suspensão temporária nas originações em dezembro atuou como um “freio de mão puxado” para os negócios no final do ano, resultando em uma queda de 28% nas concessões de crédito em comparação ao ano anterior. Essa desaceleração impactou a carteira de crédito e afetou também outras linhas de negócio.
Com a diminuição nas concessões de crédito, o Agibank registrou uma perda de tração no cross-sell de produtos, como seguros e crédito pessoal, além de sofrer com a pressão sobre as receitas de tarifas. Analistas do BTG Pactual indicaram que essa situação era previsível, afirmando que “os resultados seriam temporariamente mais desafiados, dada a disrupção no segmento core”. A normalização do cenário somente ocorreu em janeiro de 2026, após um acordo com o governo.
Crescimento do Crédito e Aumento dos Riscos
Apesar do “freio” imposto no final do ano, a carteira de crédito continuou a mostrar um desempenho robusto. A base de clientes também apresentou um crescimento expressivo, atingindo 6,7 milhões de usuários, representando um aumento de 73% em relação ao ano anterior. Entretanto, com esse crescimento, surgiram também riscos, como uma elevação da inadimplência acima de 90 dias, que subiu para 3,7%. Além disso, as provisões aumentaram em 23% no trimestre e 51% ao longo do ano.
De acordo com o BTG Pactual, essa pressão pode ser explicada pela mudança no mix de crédito, uma vez que houve uma expansão na concessão de consignados privados, que apresentam uma inadimplência estruturalmente maior. Os analistas avaliam que, embora os indicadores possam piorar a curto prazo, essa situação ainda é considerada pontual. O Citi classificou o trimestre como “decente”, apesar de o banco ainda não estar operando em sua capacidade máxima.
Perspectivas de Longo Prazo
Apesar dos desafios enfrentados neste trimestre, a visão otimista para o futuro do Agibank permanece inalterada. O banco se mostra bem posicionado dentro da chamada “silver economy”, que abrange o mercado de crédito voltado para aposentados e pensionistas, um segmento que conta com mais de 42 milhões de indivíduos no Brasil. O CEO, Marciano Testa, destacou que o foco permanece em atender clientes que são menos assistidos pelos grandes bancos.
Analistas acreditam que esse nicho representa o principal diferencial competitivo do Agibank no mercado.
Reação do Mercado às Ações
Mesmo observando uma queda recente nas ações, o mercado mantém uma perspectiva positiva em relação à teses de investimento do Agibank. O BTG Pactual e o Citi reafirmaram suas recomendações de compra. Desde seu IPO, as ações registram uma desvalorização aproximada de 26,5%, um movimento que, segundo analistas, configurou uma oportunidade de compra.
Atualmente, os papéis estão sendo negociados a cerca de 6,2 vezes o lucro projetado para o ano de 2026, um nível que é considerado atrativo. O BTG estipula um preço-alvo de US$ 17, o que representa um potencial de valorização de 157%, enquanto o Citi projeta um preço-alvo de US$ 18, com um potencial de 172%. Assim, a mensagem do mercado é clara: apesar do ruído neste trimestre, a trajetória de crescimento do Agibank continua sólida e inalterada.
Fonte: www.moneytimes.com.br