Resultado do Setor Varejista no Quarto Trimestre de 2025
Os principais nomes do varejo já apresentaram os balanços referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25), caracterizando mais um período desafiador, conforme avaliação do BTG Pactual.
A equipe de analistas do banco, sob a liderança de Luiz Guanais, já previa que a desaceleração observada no terceiro trimestre de 2025 se estenderia até o final do ano. “As altas taxas de juros continuam a reduzir a renda disponível, enquanto o endividamento das famílias, ainda elevado, limita o poder de compra. Esse cenário é ainda mais complicado pela inflação acumulada nos últimos anos, que elevou estruturalmente os níveis de preços e diminuiu a acessibilidade real”, informam os especialistas do banco.
A partir do terceiro trimestre de 2025, essas pressões têm sido mais perceptíveis nas categorias discricionárias, especialmente aquelas com maior exposição ao crédito e dirigidas a consumidores de média e baixa renda, de acordo com a análise do BTG.
“Com a temporada de resultados praticamente encerrada, podemos afirmar que o quarto trimestre confirmou as tendências fracas esperadas, refletindo um cenário mais desafiador para o consumo, com algumas exceções”, apontam os analistas do banco.
Os Destaques do Trimestre
Segundo a equipe de analistas do BTG Pactual, os resultados de maior qualidade surgiram das empresas com crescimento estrutural, como a Smart Fit (SMFT3) e a Track&Field (TFCO4), que se consolidaram como vencedoras de longo prazo no setor.
O BTG observa que a Smart Fit apresentou um robusto crescimento de receita, graças à combinação de expansão de unidades, aumento do valor médio por transação e crescimento da base de membros. Contudo, as margens sofreram certas pressões, devido à concentração de novas aberturas de academias e aos investimentos contínuos no TotalPass. “Apesar dessas pressões de curto prazo, o crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) continuou forte, com um aumento de 25% em relação ao ano anterior. A empresa demonstra sólida escalabilidade e potencial de geração de caixa no médio prazo”, destacam os analistas.
A Track&Field, por sua vez, também teve um trimestre sólido, conforme avaliação do banco. Foi observado um crescimento de receita de dois dígitos e uma significativa expansão das margens, impulsionada principalmente por um mix de canais mais favorável, que incluiu um aumento na contribuição das lojas próprias e royalties.
O Grupo SBF (SBFG3) apresentou um quarto trimestre misto, caracterizado por melhorias na receita líquida, com resultados positivos tanto da Centauro quanto da Físia. Contudo, a lucratividade foi pressionada, impactada pelas oscilações cambiais na Físia e por um aumento nas despesas SG&A (vendas, gerais e administrativas). O lucro líquido ficou acima das expectativas, ajustado por perdas de valor de goodwill não caixa, mencionam os analistas do BTG.
Quanto à Vivara (VIVA3), o BTG a considera como tendo apresentado resultados fracos no período de outubro a dezembro do ano passado, influenciados por ajustes que dificultaram a comparação das margens, mesmo com uma expansão sólida da receita líquida. O balanço refletiu uma estratégia mais agressiva para ganhar participação de mercado; no entanto, o Ebitda e o lucro líquido não alcançaram as estimativas, devido a redução de incentivos fiscais, o aumento das despesas de vendas e os resultados financeiros no período.
Por fim, a Azzas 2154 (AZZA3) reportou um crescimento tímido da receita líquida neste trimestre. Apesar disso, o Ebitda ficou ligeiramente acima das previsões do BTG, beneficiado pela eficiência nas despesas SG&A. O lucro líquido também teve um impacto positivo, resultante da reversão do imposto de renda.
Cenário Macroeconômico
Segundo a análise do BTG Pactual, os resultados do quarto trimestre de 2025 reforçam a ideia de que, embora as condições macroeconômicas permaneçam como um ponto de incerteza, a execução específica das empresas e seu posicionamento estrutural são fatores que podem ainda garantir um desempenho relativamente melhor.
“O setor continua altamente sensível à trajetória dos juros e à disponibilidade de crédito, que serão fatores determinantes para o ritmo de recuperação do consumo. Entretanto, a atual temporada de resultados destaca que empresas bem posicionadas conseguem apresentar resultados sólidos, mesmo em um ambiente que não é o ideal”, afirmam os analistas do banco.
Desta forma, a interpretação das informações é menos sobre a avaliação de mercado e mais focada em duas variáveis-chave que estão no centro da atenção dos investidores:
- Perspectivas de queda nas taxas de juros reais e o efeito sobre o crédito e a alavancagem das famílias;
- Sustentabilidade dos lucros, com exceção dos varejistas farmacêuticos, para os quais o banco não espera revisões positivas significativas.
Os analistas do BTG continuam a priorizar empresas de qualidade que apresentem fatores de crescimento visíveis e um histórico sólido de execução, mantendo cautela em relação a nomes cíclicos e alavancados, onde a visibilidade é limitada.
Fonte: www.moneytimes.com.br