Ações globais avançam até 2025, mas o verdadeiro desafio pode surgir em 2026.

Ações globais avançam até 2025, mas o verdadeiro desafio pode surgir em 2026.

by Patrícia Moreira
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Desempenho Global das Ações em 2025

As ações globais tiveram um desempenho notável em 2025, mas a ampliação das disparidades de desempenho e as crescentes expectativas indicam que o novo ano pode separar os vencedores duradouros das negociações de impulso passageiras. O MSCI All Country World Index, que mede a performance de mais de 2.500 ações de grandes e médias empresas de mercados desenvolvidos e emergentes, subiu mais de 21% desde o início do ano, alcançando um recorde de 1.024 em 26 de dezembro, conforme dados da LSEG.

Destaques do Mercado

O destaque do ano de 2025 foi a Colômbia. O mercado acionário do país latino-americano teve um crescimento superior a 91% até o momento, emergindo como o melhor desempenho global, de acordo com dados compilados pela Morningstar para a CNBC. Por outro lado, a Dinamarca teve um resultado negativo, com seu mercado de ações em queda superior a 13%, tornando-se o desempenho mais fraco ao redor do mundo. A Coreia do Sul e a Grécia ocuparam a segunda e terceira posições, respectivamente, com os mercados emergentes dominando o topo das tabelas de desempenho.

De acordo com o Deutsche Bank, 2025 foi caracterizado como um mercado definido por "explosões de impulso, mas com riscos de correções repentinas", com forças de reflacionamento global elevando os preços dos ativos de forma ampla, mesmo diante de avaliações, concentração setorial e diferenças de políticas que geraram lacunas regionais acentuadas.

O Crescimento da América Latina

Além da Colômbia, os mercados do Chile, Peru, México e Brasil apresentaram ganhos superiores a 45%, fazendo da região uma destacada performer global. A corrida da Colômbia foi amplificada por uma combinação de avaliações iniciais baixas, exposição concentrada do índice e melhoria no sentimento dos investidores. Segundo analistas, "o mercado começou 2025 em níveis de avaliação historicamente deprimidos e estava significativamente subaproveitado, de modo que até mesmo entradas modestas tiveram um impacto desproporcional", afirmou Jablonski Todd, da Principal.

O índice MSCI Colômbia é fortemente concentrado em setores financeiros, principalmente em seu maior banco, o que potencia os ganhos. As expectativas políticas também alimentaram a otimismo. O presidente Gustavo Petro não pode buscar a reeleição, e os investidores estão cada vez mais apostando em uma mudança em direção a um governo mais favorável ao mercado.

As ações de mercados emergentes tiveram um desempenho robusto em 2025 e estão a caminho de superar os mercados desenvolvidos pela primeira vez em cinco anos. De acordo com a Cambridge Associates, "os ativos colombianos ainda permanecem penalizados com um prêmio de risco político relativamente alto; portanto, ainda pode haver espaço para essa penalização diminuir", disse Alejandro Arreaza, economista da América Latina no Barclays.

O peso colombiano se valorizou quase 15%, alcançando 3.744,3 contra o dólar neste ano, sustentado por cortes nas taxas de juros do banco central e um crescimento econômico estimado entre 2,5% e 3%. "A valorização significativa do peso colombiano em relação ao USD este ano contribuiu para o forte retorno total", disse Dominic Pappalardo, estrategista-chefe de múltiplos ativos da Morningstar Wealth.

Além da Colômbia, a América Latina se destacou como região em termos de desempenho a cada momento importante do ano. "As ações de mercados emergentes tiveram um desempenho forte em 2025 e estão a caminho de superar os mercados desenvolvidos pela primeira vez em cinco anos", relatou a Cambridge Associates em um relatório de fim de ano. A empresa prevê que essa tendência continue em 2026, citando avaliações de ações e moedas profundamente descontadas, um forte impulso e condições macroeconômicas em melhora. As ações latino-americanas estão sendo negociadas em níveis de avaliação próximos aos mais baixos em 20 anos, enquanto as moedas regionais permanecem atraentes, com taxas de câmbio reais cerca de 11% abaixo de suas medianas de longo prazo.

A Queda da Dinamarca

O mau desempenho da Dinamarca contrastou fortemente com os ganhos mais amplos da Europa. "A posição da Dinamarca como um dos piores mercados acionários do mundo este ano pode ser melhor compreendida por meio da concentração no índice", disse Sutanya Chedda, estrategista de ações europeias do UBS. A Novo Nordisk representa cerca de 40% do índice MSCI Dinamarca, o que efetivamente a transforma em um "proxy de uma única ação". "Quando 40% do seu índice tem uma queda, a diversificação se torna um erro de arredondamento", comentou ela.

As ações da empresa Novo Nordisk caíram quase 48% neste ano, devido a preocupações com os preços nos EUA para medicamentos GLP-1, um panorama de pipeline esfriando e revisões de lucro para baixo. Em outras partes da Europa, mercados como Hungria, Espanha, Áustria e República Tcheca apresentaram ganhos sólidos, figurando entre os melhores desempenhos globais. Apesar das preocupações sobre tensões comerciais e um euro mais forte, o crescimento econômico na Europa superou as expectativas, a inflação esfriou em direção à meta de 2% do Banco Central Europeu, e as taxas de juros se estabilizaram em níveis muito favoráveis à rentabilidade dos bancos, conforme afirmaram estrategistas.

Os países com alta concentração no setor bancário foram grandes beneficiários dessa dinâmica, conforme explicou Bjarne Breinholt Thomsen, chefe da estratégia de ativos cruzados do Danske Bank. O índice STOXX Europe 600 Banks subiu cerca de 65% em 2025. "Mercados europeus menores são naturalmente mais concentrados por setor, e em 2025 essa concentração funcionou a seu favor, onde foram majoritariamente voltados para financeiras, em contraste com a estrutura pesada em saúde da Dinamarca", disse Thomsen.

A grande recuperação na Europa pode ter chegado ao fim, mas o contexto ainda parece saudável no próximo ano, com o crescimento melhorando e a inflação mais próxima da meta. Embora os retornos possam não ser tão fortes em 2026 quanto em 2025, o ambiente continua favorável, especialmente para setores cíclicos, como o dos bancos, que devem continuar se beneficiando de um crescimento constante e demanda de crédito em ascensão, acrescentou Thomsen.

A Situação na Ásia

A Ásia, por outro lado, apresentou resultados desiguais. A Coreia do Sul foi a destaque da região, subindo cerca de 80% e ficando em segundo lugar globalmente, enquanto mercados como Índia, Tailândia e Malásia registraram ganhos de um dígito. A valorização do mercado sul-coreano foi impulsionada por seus pesos-pesados tecnológicos. "Os mercados coreanos se destacaram principalmente devido à recuperação no preço das ações da Samsung Electronics, juntamente com o desempenho contínuo da SK Hynix", disse Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações da Morningstar.

Essas duas empresas representam mais de um terço do índice de referência da Coreia e se beneficiaram do aumento nos preços de chips de memória, além do otimismo em torno de uma melhoria nos retornos para os acionistas.

Olhando para o Futuro na Ásia

Olhando para frente, o Deutsche Bank alertou que as perspectivas para a Ásia dependerão da flexibilidade das políticas, das tendências das moedas e da sustentabilidade da demanda relacionada à inteligência artificial, avisando que as expectativas de lucros em algumas partes da região podem ser vulneráveis à medida que o impulso comercial global diminui.

Goldman Sachs e State Street observam fundamentos em melhoria na região à medida que se aproxima 2026. Goldman enfatizou que a Ásia deve se beneficiar da flexibilização nas condições financeiras globais, apoio fiscal renovado — especialmente na China e no Japão — e uma recuperação gradual na demanda interna, com o Japão emergindo como um ponto relativamente positivo devido a reformas empresariais, crescimento dos salários e aumento dos investimentos de capital.

A Situação nos Estados Unidos

Os ganhos das ações dos Estados Unidos foram impulsionados, em grande parte, pelo crescimento de lucros impulsionados pela inteligência artificial e pela demanda do consumidor resiliente, mesmo diante de preocupações sobre uma possível bolha de IA, ecoaram grandes instituições financeiras. Apesar de suas modestas altas de 16% terem sido eclipsadas por outros mercados importantes em 2025, conforme dados da Morningstar, o S&P 500 e o Nasdaq atingiram novos patamares, impulsionados por empresas de tecnologia de grande capitalização.

Os gastos de capital robustos, particularmente entre empresas ligadas à tecnologia e infraestrutura, beneficiaram as ações dos EUA, conforme observado pela State Street, mesmo com as avaliações se movendo para níveis historicamente elevados. Ao considerar 2026, as perspectivas permanecem construtivas, porém mais seletivas. O Goldman espera que o crescimento dos lucros continue, apoiado por investimentos em IA e políticas monetárias mais flexíveis, mas advertiu que altas avaliações e riscos de concentração podem limitar as altas. A State Street compartilhou essa visão, observando que os EUA continuam sendo o motor central dos retornos globais das ações. Contudo, também expressou cautela, pedindo uma análise mais criteriosa à medida que o mercado se torna cada vez mais sensível ao desempenho dos lucros, mudanças nas políticas e qualquer desaceleração nos gastos relacionados à AI.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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