Acordo de Livre Comércio entre Grã-Bretanha e Índia
Um acordo de livre comércio entre a Grã-Bretanha e a Índia entrará em vigor no próximo mês. A Índia anunciou que suas preocupações relacionadas ao novo regime tarifário sobre o aço do Reino Unido, que ameaçavam atrasar a implementação do pacto, foram resolvidas.
Detalhes do Acordo
O Reino Unido e a Índia firmaram, no ano anterior, um pacto de livre comércio que almeja estabelecer um vínculo mais robusto entre a quinta e a sexta maiores economias globais. Este tratado é considerado um dos mais ambiciosos já feitos, especialmente considerando as recentes alterações tarifárias impulsionadas pela administração do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
Impactos Econômicos
De acordo com dados do governo britânico, acredita-se que este acordo possa aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido em £ 4,8 bilhões, o que equivale a aproximadamente US$ 6,5 bilhões. Além disso, projeta-se que o comércio bilateral entre os países cresça em £ 25,5 bilhões a longo prazo.
Reduções Tarifárias
O acordo contempla uma significante redução de tarifas por parte da Índia. A tarifa sobre o uísque cairá para 40%, de um nível atual de 150%, ao longo de uma década. Os automóveis, por sua vez, terão a tarifa reduzida para 10% sob uma cota de 100%. Por outro lado, o Reino Unido se compromete a reduzir tarifas sobre produtos, como roupas, calçados e alguns alimentos.
Avanço nas Negociações
Na quarta-feira, os dois países decidiram avançar com a implementação do acordo comercial, que está marcada para 15 de julho. A confirmação ocorreu após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, manter conversações com seu homólogo indiano, Narendra Modi, durante uma reunião da cúpula do G7 na França.
Modi descreveu o acordo como "um marco histórico para as relações Índia-Reino Unido", acrescentando que o pacto "impulsionará significativamente nosso comércio e investimento bilaterais".
Preocupações Indianas
Autoridades na Índia já consideraram a possibilidade de reabrir ou adiar a implementação do acordo devido às novas medidas sobre o comércio de aço britânico, cuja entrada em vigor está prevista para 1º de julho.
Medidas do Reino Unido no Setor do Aço
Com o intuito de proteger sua indústria interna de um eventual aumento na oferta global, o Reino Unido planeja reduzir consideravelmente as cotas isentas de tarifas para o aço, além de aplicar tarifas elevadas sobre remessas que superarem esses limites a partir do próximo mês. No entanto, detalhes específicos dessas novas regulamentações ainda estão sendo ajustados.
O governo indiano declarou que 85% das exportações do país não seriam impactadas pelas novas normas britânicas referentes ao aço, e os produtos afetados poderão ter acesso por meio de cotas e outros mecanismos.
Posicionamento do Governo Indiano
Em comunicado, o governo indiano afirmou que, após discussões construtivas, ambas as partes chegaram a um consenso para proteger interesses comerciais, minimizar interrupções no mercado e garantir um ambiente comercial equilibrado e estável para os exportadores.
Um representante britânico havia destacado anteriormente que as negociações para a implementação do acordo de livre comércio não estariam interligadas às novas medidas comerciais sobre o aço, e o anúncio mais recente do governo britânico não fez referência a um entendimento distinto em relação ao aço.
Implementação do Acordo
O acordo de livre comércio será implementado quase um ano após sua assinatura, um feito que a Grã-Bretanha considera como o retorno mais rápido jamais visto após a formalização de um tratado. Autoridades indianas haviam indicado que a disputa sobre o aço impediu uma implementação antecipada em maio, embora o governo britânico nunca tenha definido um cronograma para as negociações.
Vantagens para Exportadores Britânicos
Com o novo acordo, os exportadores britânicos ganharão uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes internacionais, conforme afirmado pelo secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, em comunicado oficial.
Isenções para Trabalhadores
Além disso, Reino Unido e Índia chegaram a um entendimento em relação às contribuições de previdência social para trabalhadores que atuam temporariamente em território do outro país. Os trabalhadores não precisarão mais efetuar essas contribuições em ambos os países enquanto estiverem nessa condição. A duração da isenção das chamadas "contribuições duplas" foi estendida de três para cinco anos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br