Desempenho das Ações da Gerdau
A ação da Gerdau (GGBR4) apresentou uma queda de 8% no ano, ao passo que o Ibovespa acumulou um aumento superior a 20% em 2025. Esse panorama gerou uma oportunidade de trade na bolsa, de acordo com análise realizada pelo Itaú BBA.
Recomendação de Trade
No relatório divulgado, os analistas do Itaú BBA emitiram uma recomendação que combina a expectativa de valorização das ações da Gerdau com uma aposta na queda do principal índice da bolsa brasileira, configurando uma operação conhecida como long/short.
A expectativa otimista em relação à Gerdau é respaldada por uma combinação de valuation favorável, expectativas de melhorias operacionais e um relevante catalisador previsto para o curto prazo.
O que é a operação “Long/Short”?
Para entender os fundamentos da recomendação, é importante compreender a estratégia de operação “long/short”. Este tipo de investimento busca obter lucro com o desempenho relativo entre dois ativos.
- Estar “Long” (comprado): Representa a compra de ações esperando que seu preço aumente. Essa é a abordagem mais típica de investimento, que se baseia na ideia de comprar a um preço menor para vender a um preço maior. No presente caso, o Itaú BBA está em posição “long” em Gerdau.
- Estar “Short” (vendido): Envolve “apostar na queda” de um ativo. O investidor realiza um aluguel de ações ou contratos de índice, vende no mercado pelo preço atual e, posteriormente, espera que o valor caia para reaquisição a um preço inferior, devolvendo-as ao proprietário original. O lucro obtido é a diferença entre o preço de venda e o de recompra. Neste caso, o Itaú está em posição “short” em relação ao Ibovespa.
Com a conjugação das duas abordagens, o investidor não está necessariamente apostando na queda da bolsa, mas sim na expectativa de que a Gerdau tenha um desempenho superior ao Ibovespa. Se as ações da siderúrgica subir mais que o índice ou se suas quedas forem inferiores, a operação pode se mostrar lucrativa.
Fatores que Justificam a Aposta na Gerdau (GGBR4)
Os analistas do Itaú BBA destacam três razões principais para a sua perspectiva positiva em relação à Gerdau:
- Valuation Favorável: O banco estima um potencial de valorização de 37% para as ações da Gerdau, fixando um preço-alvo de R$ 23,00 para o fechamento de 2026, em comparação ao preço atual de R$ 16,74. Além disso, a empresa apresenta um múltiplo considerado baixo, com EV/EBITDA de 3,6x para 2026.
- Recuperação e Geração de Caixa Previstas para 2026: Existe expectativa de uma recuperação nas margens de lucro no Brasil, que devem alcançar cerca de 15% em 2026 (em comparação a 12% em 2025). Essa expectativa, aliada à redução dos investimentos (capex), deverá resultar em um incremento na geração de fluxo de caixa livre (FCF), com um rendimento projetado de aproximadamente 10%. O FCF previsto para 2026 pode atingir R$ 3,4 bilhões.
- Catalisadores Imediatos: O evento denominado “Gerdau Day”, programado para o dia 1º de outubro, pode ser um fator de valorização das ações. Durante este evento, a empresa planeja fornecer informações adicionais sobre seu novo projeto de mineração, que está previsto para começar em no último trimestre de 2025 e promete uma significativa redução nos custos de produção de minério de ferro. O mercado aguarda também atualizações sobre a divisão de energia e o capex para 2026.
A diversificação geográfica da Gerdau, especialmente com a contribuição significativa das suas operações nos Estados Unidos, é considerada uma vantagem, especialmente em virtude do contexto desafiador enfrentado pelo setor siderúrgico no Brasil.
Riscos Associados à Estratégia
O relatório do Itaú BBA também alerta para alguns riscos que poderiam impactar esta estratégia. Um aumento no otimismo em relação ao mercado brasileiro, caracterizado como um contexto “risk-on”, poderia levar investidores a preferirem setores distintos, em detrimento das commodities. Assim, a Gerdau poderia apresentar um desempenho inferior.
Adicionalmente, uma possível valorização do real em relação ao dólar se mostraria negativa, uma vez que diminuiria o valor em reais dos resultados da Gerdau provenientes de suas operações nos Estados Unidos. Isso também colaboraria para elevar a pressão sobre os preços domésticos, em função de uma maior competitividade dos produtos importados.
Fonte: www.moneytimes.com.br