Investimento em Tecnologia e Inteligência Artificial
As agências de turismo devem investir em tecnologia e inteligência artificial para se manterem relevantes em um mercado onde os consumidores têm acesso direto a passagens, hotéis e roteiros pela internet. Essa avaliação foi feita por Guilherme Paulus, fundador e presidente do conselho da CVC, durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques, que discute temas como economia, negócios e inovação.
“Tem que investir. Se não investir, morre”, destacou Paulus.
De acordo com o empresário, a digitalização alterou a maneira como os turistas pesquisam, comparam preços e organizam suas viagens. Contudo, ele ressaltou que a agência continua sendo relevante ao oferecer curadoria, suporte e atendimento personalizado.
“A história se repete, ela tem que ser atualizada”, afirmou. “As pessoas têm que se atualizar através da própria internet ou da própria inteligência artificial e se comunicar com as pessoas dizendo o que fazem.”
Tecnologia Não Substitui Relacionamento
Paulus enfatizou que a inteligência artificial pode contribuir na elaboração de roteiros e na organização de informações, mas não deve eliminar o papel do agente de viagens.
Para ele, o contato humano permanece essencial, especialmente quando o consumidor necessita de orientação, suporte ou segurança durante a viagem.
“Sempre vai ter alguém para apertar a tecla”, disse. “Vai facilitar muito, porque hoje a inteligência até constrói um roteiro de viagem para você. E o agente de viagens tem que estar especializado para isso.”
Conforme Paulus, a tecnologia pode identificar hábitos do cliente, frequência de viagens e preferências, mas a decisão final e o atendimento ainda dependem de um relacionamento próximo.
“O contato com a pessoa é fundamental”, afirmou, ressaltando que o diferencial da agência está em facilitar a experiência do viajante, o que inclui escolher as melhores conexões, reduzir o tempo de deslocamento, orientar sobre hotéis e oferecer apoio em caso de problemas.
“Você tem que mostrar, estudar, para dar a ele a melhor experiência”, completou.
A História da CVC e a Popularização do Turismo
Paulus recordou a fundação da CVC, em 1972, em Santo André, no ABC paulista, que inicialmente atendia funcionários da indústria automobilística, principalmente por meio de clubes de empregados.
Segundo ele, o modelo inicial focava em viagens rodoviárias de curta duração, voltadas a trabalhadores e suas famílias.
“Nós começamos praticamente iniciando as pessoas a viajarem”, afirmou Paulus.
Com o tempo, a empresa ampliou sua oferta para públicos de maior renda dentro das corporações, que buscavam viagens aéreas para destinos nacionais, como Salvador e Rio de Janeiro.
Paulus comentou que o crescimento da CVC esteve conectado à identificação de nichos pouco explorados e à ampliação do acesso da classe média ao turismo.
A Importância das Lojas em Shoppings para a Expansão
O fundador da CVC destacou que uma das decisões mais estratégicas para a expansão da companhia foi instalar lojas de turismo em shopping centers.
Segundo ele, os shoppings proporcionaram maior conveniência ao consumidor e ajudaram a integrar a compra de viagens à rotina de consumo.
“O nosso público é tempo e chuva”, explicou, referindo-se à diferença entre as lojas de rua e as unidades situadas em shoppings.
Paulus afirmou que, quando vendeu a CVC, a empresa contava com cerca de 390 lojas e já tinha um projeto em andamento para alcançar mil unidades em cinco anos.
“A loja foi a grande marca”, concluiu.
A Presença Internacional da CVC
A presença da empresa em operações internacionais, segundo Paulus, confere confiança ao viajante brasileiro.
“Quando ele vê o nome dele com a plaquinha CVC, dá um alívio”, comentou.
A Credibilidade no Setor de Turismo
Paulus ressaltou que a credibilidade é um dos principais ativos de uma agência de turismo, especialmente em um contexto digital com muitas opções de compra direta.
Ele observou que, embora os clientes possam comparar preços e montar roteiros por conta própria, tendem a valorizar as empresas que oferecem informações precisas e suporte real.
“A importância está no relacionamento com o cliente e em respeitá-lo”, disse. “As informações que você tem que dar têm que ser precisas, porque hoje ele tem essa informação rapidamente.”
O empresário afirmou que o agente deve conhecer o cliente e apresentar alternativas realmente úteis, como horários convenientes, aeroportos mais acessíveis e conexões simplificadas.
Se o atendimento não agregar valor, advertiu, o consumidor poderá optar pela compra direta pela internet.
A CVC em Nova Fase
Paulus menciona que a CVC enfrentou momentos difíceis, especialmente durante a pandemia, mas afirmou que a companhia se estabilizou e voltou a crescer.
Ele reconheceu o papel de seu filho, Gustavo Paulus, na gestão da empresa e elogiou o trabalho de Fábio Mader, CEO da CVC Corp.
“O Gustavo pegou a CVC num momento difícil, porque teve a pandemia. Ele conseguiu estabilizar e está voltando com uma força muito grande”, afirmou.
Paulus disse que continua acompanhando a companhia como presidente do conselho, trocando ideias com o filho sobre o futuro do negócio.
De acordo com ele, a CVC se mantém forte devido à marca, à rede e à confiança construída com consumidores e parceiros ao longo de mais de cinco décadas.
Ativos e Oportunidades na Hotelaria
O empresário acredita que a CVC não deve voltar a acumular muitos ativos, como hotéis, devido ao alto capital e à intensa gestão exigidos pelo setor hoteleiro.
“Hotelaria é um ativo forte, pesado, custoso, de prestação de serviço”, destacou Paulus.
Ele mencionou que atualmente está mais envolvido no segmento hoteleiro, particularmente no Castelo Saint Andrews, em Gramado, e que prefere a ideia de privacidade ao conceito de luxo, explicando que esse é o tipo de serviço procurado por clientes de maior renda.
“As pessoas mais abastadas gostam de ter privacidade”, acrescentou.
O Papel do Turismo na Criação de Relacionamentos
Paulus expressou que segue vinculado ao turismo pela satisfação de receber pessoas e compartilhar histórias.
“O turismo tem a arte de bem receber as pessoas”, declarou.
Para ele, viajar é uma combinação de memória, experiência e relacionamento.
“O que é uma viagem? Você tirar fotografias, hoje no celular. Então, você tem a foto e tem história para contar. Isso é o turismo”, finalizou.
Fonte: timesbrasil.com.br