Agricultores argentinos celebram chuva como 'uma bênção', mas permanecem preocupados com riscos para a colheita

Agricultores argentinos celebram chuva como ‘uma bênção’, mas permanecem preocupados com riscos para a colheita

by Ricardo Almeida
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Impacto da Seca na Agricultura Argentina

Juan Solari caminha por fileiras de milho, passando entre folhas amareladas e espigas pequenas que evidenciam os efeitos devastadores da alta temperatura e da falta de chuvas em janeiro, na região de Chivilcoy, que é uma área agrícola normalmente fértil nas planícies da Pampa argentina.

Previsões de Safra Comprometidas

A Argentina, um dos principais exportadores globais de alimentos, estava a caminho de registrar uma safra histórica de milho na temporada agrícola de 2025/2026. Contudo, temperaturas excepcionais, que atingiram 35 graus Celsius em algumas localidades, combinadas com uma quantidade insuficiente de chuvas, comprometeram severamente as plantações em grande parte do coração agrícola do país.

Em uma atualização divulgada na quinta-feira, a Bolsa de Grãos de Buenos Aires diminuiu sua estimativa de produção de grãos da Argentina para 57 milhões de toneladas métricas, um valor abaixo da previsão anterior de 58 milhões de toneladas métricas. Até o momento, a bolsa não divulgou uma nova estimativa para a safra de soja.

Chuvas Recentes e Esperanças dos Agricultores

As chuvas ocorridas entre quarta e quinta-feira, embora insuficientes para suprir completamente as necessidades das plantações, trouxeram um alívio apreciável aos agricultores. Com essas chuvas leves proporcionando um respiro, Solari manifesta esperança de que mais precipitações ocorram. “É uma bênção”, declarou o agricultor, enquanto uma garoa caía na fazenda Emidelia Solari, da qual ele é sócio e gerente. “Isso muda as expectativas”, completou.

A fazenda localizada próxima a Chivilcoy, a cerca de 160 quilômetros de Buenos Aires, recebeu um total de 25 milímetros de chuva desde quarta-feira, um volume inferior ao que Solari esperava. “As culturas que foram plantadas mais cedo, tanto milho quanto soja, começaram bem. Contudo, quando janeiro chegou, um mês tipicamente seco, elas foram severamente afetadas”, comentou Solari, enquanto o cheiro de terra úmida se espalhava pelo ambiente.

“Agora, o foco está em fevereiro: se as chuvas forem consistentes, poderemos manter um potencial muito bom”, acrescentou o agricultor. O plantio de soja para o ciclo 2025/2026 foi recentemente finalizado na Argentina, enquanto a colheita de milho já teve início, conforme informações da Bolsa de Grãos de Buenos Aires.

Estimativas de Safra pelo USDA

Em janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estabeleceu a estimativa de safra de milho da Argentina em 53 milhões de toneladas e a de soja em 48,5 milhões de toneladas para a temporada 2025/2026. “A chuva representa um alívio temporário, pois retarda a deterioração atual, mas não resolve a situação de maneira definitiva”, afirmou Germán Heinzenknecht, analista climático da Consultoria de Climatologia Aplicada (CCA). “A colheita continua em risco, em uma situação crítica, dependendo do que ocorrer adiante”, concluiu.

Para que o cinturão agrícola central da Argentina comece a se recuperar, seria necessária uma precipitação superior a 50 milímetros, um volume que pode ser atingido na próxima semana, segundo Heinzenknecht.

Realidades Diversas na Agricultura

As chuvas recentes se mostraram desiguais em todo o território argentino, animando algumas regiões, mas deixando a maioria dos agricultores preocupados, uma vez que, na ausência de novas precipitações, as colheitas podem deteriorar rapidamente. “Com esses nove ou dez milímetros que acabaram de cair, há um pequeno alívio na expectativa, pois a seca parece ter sido interrompida”, relatou Eduardo Caruso, da fazenda Santa Ana, situada na cidade de Navarro, na província de Buenos Aires, onde ele cultiva milho, soja, gado e produtos lácteos.

Ainda assim, mesmo após as chuvas, algumas áreas das lavouras de Caruso apresentavam solo seco e rachado, o que destaca a necessidade urgente de mais precipitação. Ele estimou que sua produção de milho será reduzida para aproximadamente 7 toneladas por hectare, uma queda significativa em relação à projeção anterior de 12 toneladas por hectare.

Outros agricultores também compartilham avaliações semelhantes sobre as condições de suas colheitas. “Tudo estava indo bem até 20 de dezembro. Em janeiro, houve algumas chuvas, mas os dias foram extremamente quentes”, comentou Jorge Bianciotto, gerente da fazenda La Lucila, localizada na cidade de Pergamino.

Bianciotto estimou que a produção de milho plantado mais cedo em sua propriedade seria reduzida em 30%, passando para 7 toneladas por hectare, enquanto a produção de soja também deverá cair cerca de 30%, atingindo aproximadamente 3,3 toneladas por hectare.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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