Atualização do Sistema da Airbus
No dia 1º de novembro, as operações das frotas da Airbus estavam voltando ao normal, após a fabricante europeia acelerar o processo de atualização de software em um ritmo mais rápido do que o previsto. Isso ocorre em um momento em que a Airbus enfrenta críticas relacionadas a questões de segurança, em meio a um foco intenso que frequentemente recai sobre sua concorrente, a Boeing.
Ações das Companhias Aéreas
Diversas companhias aéreas, abrangendo desde a Ásia até os Estados Unidos, relataram a realização imediata da atualização de software, a qual foi demandada pela Airbus e era necessária conforme exigências de reguladores globais. Essa atualização foi desencadeada após a identificação de uma vulnerabilidade relacionada a erupções solares, a qual foi observada durante um incidente de voo envolvendo um modelo A320 da JetBlue.
Nesta segunda-feira, a Airbus afirmou que a maioria dos aproximadamente 6 mil aviões da família A320 que estavam sob alerta de segurança já havia passado pela modificação, restando menos de 100 jatos que ainda necessitam de ajustes. Entretanto, alguns desses processos demandam um tempo maior para serem concluídos. A companhia colombiana Avianca, por exemplo, informou a suspensão de reservas até 8 de dezembro.
Fontes com conhecimento a respeito do assunto afirmaram que a inédita decisão de convocar um número significativo da frota da família A320 foi tomada rapidamente, logo após o surgimento, no final da semana anterior, de uma suposta — porém ainda não confirmada — conexão com uma queda de altitude no voo da JetBlue.
Interrupções Emergenciais
Após discussões com reguladores, a Airbus emitiu, na última sexta-feira, um alerta com 8 páginas dirigido a centenas de operadoras. Esse documento essencialmente ordenava um aterramento temporário das aeronaves até que os reparos necessários fossem realizados antes da continuidade dos voos. Steven Greenway, CEO da companhia aérea econômica saudita Flyadeal, comentou sobre a eficácia da resolução desse problema, destacando sua surpresa com a rapidez do processo, considerando que sempre há complexidades em situações dessa magnitude.
A medida emergencial foi interpretada como a convocação mais ampla da história da Airbus, gerando preocupações imediatas sobre possíveis interrupções em viagens aéreas, especialmente durante o movimentado feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos.
O alerta também trouxe à tona a realidade de que a Airbus não detém um conhecimento completo em tempo real sobre quais versões de software estão sendo utilizadas nas suas aeronaves, devido a atrasos nos processos de reporte, conforme afirmaram fontes da indústria.
Avaliação do Impacto
Inicialmente, as companhias aéreas enfrentaram dificuldades para avaliar o impacto total da situação, já que o alerta divulgado não especificava os números de série dos jatos que estavam sob risco. Um passageiro da companhia Finnair, por exemplo, noticiou que um voo encontrou atraso na pista para verificações relacionadas ao alerta emitido.
Em um espaço de 24 horas, engenheiros foram capazes de identificar as aeronaves individuais que precisavam passar pela atualização. Multiplicadas as estimativas iniciais de número de aeronaves afetadas e o tempo requerido para a atualização foi visto uma redução significativa no total de jatos envolvidos, enquanto a Airbus inicialmente havia estimado um tempo médio de três horas por aeronave para completar a atualização.
Informações surgiram de que algumas companhias conseguiram modificar suas estimativas de tempo e número de aeronaves que precisavam ser atendidas, resultando em uma expectativa de trabalho menos impactante do que inicialmente se imaginava.
Processo de Correção
A correção do software envolvia retornar a uma versão anterior, a qual controla o ângulo do nariz da aeronave. Esse procedimento necessita da utilização de um cabo conectado a um dispositivo denominado “data loader”, que é levado para dentro do cockpit, uma medida de segurança para evitar possíveis ataques cibernéticos.
Pelo menos uma grande companhia aérea enfrentou atrasos, pois não dispunha de data loaders suficientes para atender a demanda de dezenas de jatos em um intervalo tão curto de tempo, conforme revelou um executivo que pediu para não ser identificado. As companhias easyJet e Wizz Air, ambas do Reino Unido, afirmaram que conseguiram completar as atualizações durante o fim de semana, sem necessidade de cancelar voos.
A JetBlue, por sua vez, comunicou, ao final do domingo, que esperava finalizar as atualizações para reintegrar ao serviço 137 das 150 aeronaves afetadas até a segunda-feira, embora aproximadamente 20 voos estivessem programados para cancelamento devido ao problema em questão.
Aeronaves Antigas e suas Necessidades Específicas
Persistem incertezas relacionadas a um subconjunto de aeronaves mais antigas da família A320, que demandarão a instalação de novos computadores em vez de apenas a redefinição do software existente. O número de aeronaves que precisam dessas atualizações foi reduzido em relação às estimativas iniciais que indicavam cerca de 1 mil modelos.
Executivos do setor observaram que os eventos do fim de semana ressaltaram a necessidade de mudanças nos manuais de procedimentos da indústria, um reflexo das lições aprendidas a partir da crise do Boeing 737 MAX. Naquela ocasião, a fabricante americana foi severamente criticada por sua abordagem em relação a acidentes fatais associados a falhas de design de software.
Esta é a primeira vez que a Airbus tem que lidar com um nível de atenção e escrutínio global em questões de segurança desde aquela crise. O CEO Guillaume Faury fez um pedido de desculpas público, em uma clara mudança de abordagem em um setor frequentemente marcado por processos judiciais e uma gestão conservadora de relações públicas. Em resposta, a Boeing também adotou uma postura mais aberta.
Fonte: www.moneytimes.com.br