Além do Impossível: Dicas Valiosas para Investimentos no Mercado Financeiro

Além do Impossível: Dicas Valiosas para Investimentos no Mercado Financeiro

by Ricardo Almeida
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Desempenho do Banco do Brasil no Quarto Trimestre de 2025

O Banco do Brasil encerrou o quarto trimestre de 2025 com um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, resultado que superou as expectativas do mercado. No entanto, esse número não foi suficiente para eliminar as incertezas a respeito da qualidade dos resultados financeiros e dos desafios que a instituição enfrenta para 2026. Em comparação ao ano anterior, o lucro apresentou uma queda de 40,1%, mas, frente ao terceiro trimestre, houve um avanço de 51,7%.

A performance do Banco do Brasil no 4T25 se situou entre 36% e 40% acima do consenso de mercado, sendo impulsionada principalmente por uma alíquota efetiva de impostos positiva, que ajudou a compensar um resultado operacional considerado mais fraco. O lucro antes dos impostos totalizou R$ 4,77 bilhões, refletindo uma queda significativa em relação ao mesmo período do ano anterior e ficando aquém das projeções dos analistas. Esse fato reforçou a percepção de que o resultado final foi fortemente influenciado por efeitos fiscais, e não por um aprimoramento estrutural da operação.

Reconhecimento de Desafios no Setor Agronegócio

A administração do banco reconheceu que a situação continua desafiadora, especialmente no segmento de crédito rural. Foi salientado que 2025 foi um ano atípico para o agronegócio, com um aumento da inadimplência agrícola em cerca de 500% em comparação à média histórica observada pelo Banco do Brasil. A inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17% no total consolidado e 6,09% na carteira do agronegócio, apontando uma deterioração significativa no trimestre. As provisões para créditos de liquidação duvidosa somaram R$ 19 bilhões no período, o que representa um aumento de 87% em comparação ao ano anterior.

Crédito Sob Pressão e Preocupações no Agro

Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios, explicou que uma parte da deterioração ainda é relacionada a operações da safra anterior, que foram contratadas sob uma metodologia antiga de concessão. Ele detalhou que a maior parte das operações de custeio tem um ciclo de 7 a 11 meses, e que o banco alterou a metodologia a partir do início do Plano Safra 2025/2026.

Bittencourt afirmou que a inadimplência do Banco do Brasil ainda permanecerá elevada no início do ano, mas começará a ceder no segundo trimestre, com uma queda mais significativa projetada para o segundo semestre de 2026. Ele comentou que, com as novas tecnologias e métricas de concessão, a inadimplência elevada deve ser observada apenas no primeiro trimestre. A partir do segundo trimestre, a expectativa é que a situação comece a melhorar, mas será somente ao longo do segundo semestre que a redução se tornará mais perceptível.

Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, reforçou que os modelos de mitigação de risco não estavam completamente implementados quando parte da carteira problemática se formou, e acentuou que a nova matriz de resiliência deve levar a uma acomodação da curva de inadimplência a partir do segundo trimestre de 2026.

Benefícios Fiscais e Renegociações no Crédito Rural

Uma parte do alívio financeiro no trimestre derivou da utilização de créditos tributários e dos efeitos da Medida Provisória 1.314, que facilitou renegociações relevantes no crédito rural. Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, explicou a mecânica desse processo, afirmando que a cada real desembolsado é permitido utilizar a base de crédito tributário proveniente de provisões de crédito. Segundo ele, o limitador não é legal, mas sim o tamanho da base de créditos tributários disponível, que gira em torno de R$ 25 bilhões. Esse mecanismo auxiliou na sustentação dos índices de capital no trimestre.

Recapitalização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Outro ponto abordado na coletiva de imprensa foi a recapitalização do Fundo Garantidor de Créditos. Geovanne Tobias, vice-presidente financeiro, anunciou que o Banco do Brasil antecipará cinco anos de contribuição, o que representa aproximadamente R$ 5 bilhões. Além dessa quantia, o banco pagará uma contribuição extraordinária adicional que varia entre R$ 450 milhões a R$ 500 milhões por ano.

Tobias explicou que essa antecipação terá um efeito patrimonial imediato, gerando uma saída de caixa da tesouraria em direção ao FGC. Enquanto a contribuição extraordinária aumentará a despesa financeira recorrente. Ele ressaltou que, mais do que um impacto pontual no resultado, essa medida reflete o atual estado do sistema financeiro, e que 2025 será lembrado como um “episódio do Master” em referência às recentes discussões envolvendo o FGC.

Projeções para 2026: Crescimento Gradual e Desafios

O guidance para 2026 prevê um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, representando um crescimento de 6% a 26% em relação a 2025. Com isso, o retorno sobre o patrimônio deve se aproximar de 12%. Tarciana Medeiros reafirmou que essa projeção é responsável e esté em consonância com a transparência promovida pelo banco.

Tobias, de forma mais objetiva, declarou que é pouco provável que o banco consiga oferecer um retorno sobre o patrimônio (ROE) superior a 20% aos acionistas neste momento, com a meta fixada entre 10% e 13%. Em 2026, espera-se que a instituição trabalhe para atingir um ROE próximo aos “mid-teens”, ou seja, entre 14% e 16%, dependendo da recuperação dos agricultores que dilataram as dívidas, da eficiência na cobrança e da estabilização da recuperação judicial no setor.

Estratégia Comercial e Foco no Cliente

Na área comercial, o Banco do Brasil pretende readequar o mix da carteira de pessoas físicas, visando aumentar a margem com menor risco. A administração acredita que o aumento salarial entre os servidores públicos deverá favorecer a renovação de operações existentes, estabelecendo uma meta de 20% de participação nesse mercado para 2026. Essa participação inclui, também, o consignado privado que foi lançado em 2025.

Para o crédito não consignado, o banco concentrará esforços em clientes com um histórico de relacionamento de longo prazo e adimplência reconhecida. Além disso, haverá uma expansão das linhas de crédito com garantias como imóveis, previdência e investimentos. Para tal, Tobias mencionou que existem mais de R$ 500 bilhões em saldo em previdência e que a instituição busca aumentar as concessões respaldadas por esse tipo de garantia.

No segmento de alta renda, a abordagem se concentrará não apenas em renda elevada, mas em atender públicos de alto valor estratégico onde a relação com o cliente é priorizada. Carla Nesi, vice-presidente de Negócios de Varejo, enfatizou a importância de manter o cliente e proporcionar experiências significativas, destacando novas iniciativas como uma sala VIP no Terminal 3 de Guarulhos e expansão de estrutura de atendimento ao privado.

Dividendos e Políticas de Payout

O Banco do Brasil anunciou a distribuição de R$ 1.234.746.707,80 em juros sobre capital próprio referentes ao quarto trimestre de 2025, com pagamento agendado para 5 de março. O valor bruto por ação será de R$ 0,21630429188. Para o ano de 2026, o conselho já aprovou um payout de 30%, que será distribuído via juros sobre capital próprio ou dividendos.

Apesar de apresentar um lucro acima do esperado, a administração descartou o pagamento de dividendos extraordinários a curto prazo. O foco principal é assegurar a sustentabilidade dos resultados. Segundo Tobias, embora a posição de capital esteja confortável para os próximos três anos, é prematuro discutir a possibilidade de distribuição de proventos adicionais além do payout já estabelecido. A discussão sobre dividendos extraordinários dependerá da evidência de uma recuperação consistente da rentabilidade.

A coletiva de imprensa deixou evidente que, embora o quarto trimestre tenha refletido um grau de estabilização, ainda não se configura uma virada definitiva. O lucro superou as expectativas, mas foi sustentado por efeitos fiscais e medidas pontuais. A inadimplência no setor agro continua sendo a principal preocupação a curto prazo, com expectativas de melhora apenas no segundo semestre de 2026. A rentabilidade continua abaixo dos principais bancos privados, e o guidance sugere uma recuperação gradual, sendo que o mercado agora irá avaliar se a estratégia e a execução proposta serão capazes de elevar o Banco do Brasil a patamares mais altos de ROE nos ciclos futuros.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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